Sanidade na avicultura: doença de Newcastle avança na Alemanha e acende alerta no setor europeu

Publicado em 30/03/2026 10:05
Entenda a sanidade na avicultura com os últimos dados sobre a doença de Newcastle na Alemanha e suas consequências para a Europa.

A Doença de Newcastle voltou a preocupar a avicultura europeia após registrar rápida disseminação na Alemanha. Desde a confirmação do primeiro caso em 20 de fevereiro — o primeiro em três décadas no país — o número de ocorrências subiu para 40 até 24 de março, conforme dados do Instituto Friedrich-Loeffler (FLI).

O impacto sanitário já é expressivo, atingindo tanto grandes granjas comerciais de frango, perus e aves de postura quanto pequenas propriedades. Estimativas indicam que mais de 2 milhões de aves morreram ou foram abatidas como parte das medidas de contenção da doença, refletindo o elevado risco econômico e produtivo para o setor.

Regiões de fronteira concentram surtos e aumentam pressão sanitária

Os focos da doença estão concentrados principalmente nas regiões da Alemanha que fazem fronteira com Polônia e República Tcheca, áreas onde a enfermidade já havia sido registrada anteriormente. Segundo o FLI, a pressão de infecção aumentou significativamente nos primeiros meses do ano, exigindo a adoção de medidas sanitárias rigorosas para evitar a disseminação descontrolada do vírus.

Especialistas destacam a necessidade de ações abrangentes e coordenadas, incluindo monitoramento intensivo, restrições de movimentação e reforço das práticas de biosseguridade nas propriedades avícolas.

Genótipo circulante e desafios na detecção precoce

As análises laboratoriais indicam que os vírus identificados pertencem ao genótipo VII.1.1, já presente na Europa Oriental desde 2023. Esse perfil viral tem apresentado características que dificultam a detecção precoce, especialmente em aves jovens.

Em perus mais velhos, previamente imunizados, foi observada proteção contra manifestações graves da doença. No entanto, em aves jovens, ainda sem imunidade consolidada, o quadro clínico pode evoluir de forma lenta e com sintomas iniciais inespecíficos. Após cerca de dez dias, surgem sinais mais evidentes, como problemas respiratórios, diarreia com fezes esverdeadas e, em alguns casos, comprometimento neurológico.

Esse atraso na manifestação clínica aumenta o risco de disseminação silenciosa do vírus dentro das granjas, dificultando o controle imediato dos surtos.

Vacinação e biosseguridade são essenciais para conter avanço

A vacinação permanece como a principal estratégia de controle da doença de Newcastle. Na Alemanha, a imunização é obrigatória para aves criadas em confinamento, incluindo frango e perus. As vacinas atualmente utilizadas, baseadas em genótipos distintos, seguem eficazes também contra o genótipo identificado nos surtos recentes.

Os protocolos recomendados incluem esquemas de vacinação em múltiplas etapas, combinando vacinas vivas atenuadas — aplicadas via água de bebida, aspersão ou colírio — com vacinas inativadas administradas por via injetável.

Diante do cenário atual, autoridades sanitárias reforçam a importância da revisão dos calendários vacinais e da adoção rigorosa de medidas de biosseguridade. Entre as recomendações estão a redução do contato entre lotes, controle de acesso às granjas e notificação imediata de qualquer alteração no desempenho produtivo ou sinais clínicos.

O avanço da doença na Europa reacende o alerta global para a sanidade na avicultura, especialmente em um contexto de intensificação das cadeias produtivas e aumento da circulação internacional de insumos e produtos.

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Por:
Poultry World
Fonte:
Poultry World

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