Quaresma impulsiona demanda e eleva preço dos ovos em Minas Gerais

Publicado em 01/04/2026 09:24
Em Belo Horizonte, segundo Cepea, pico foi em meados de março, quando caixa com 30 dúzias foi cotada a R$ 201,42; O Estado é agora segundo maior produtor do País, atrás somente de São Paulo.

A demanda mais aquecida ao longo da Quaresma provocou aumento nos preços dos ovos em Minas Gerais. A alta mais expressiva é resultado do maior consumo, uma vez que, por motivos religiosos, muitos consumidores substituem as carnes vermelhas pelo produto. Além disso, o clima mais quente impacta a produtividade das galinhas e produtores também enfrentam custos mais elevados, tornando o produto mais caro no período. Em Belo Horizonte, conforme os dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), enquanto no início janeiro a caixa com 30 dúzias de ovos brancos era negociada a R$ 97,34, no encerramento do dia 27 de março, o produto chegou a R$ 174,34.

Conforme o diretor técnico da Associação dos Avicultores de Minas Gerais (Avimig), Gustavo Ribeiro, em Minas Gerais, assim como no restante do Brasil, a alta nos preços observada no início do ano está associada, principalmente, a fatores sazonais de demanda e ajustes de mercado.

“Um ponto importante é o período da Quaresma, quando tradicionalmente parte da população reduz o consumo de carnes, e aumenta o consumo de proteínas alternativas, como ovos e peixe. Isso normalmente gera um aumento pontual da demanda, contribuindo para a valorização do produto nesse período. Além da questão sazonal, também influenciam os custos de produção, principalmente ração, que depende de milho e farelo de soja, e o equilíbrio entre oferta e demanda ao longo do ano”.

Os dados do Cepea mostram que, no início de janeiro, a caixa com 30 dúzias de ovos brancos, em Belo Horizonte, era negociada a R$ 97,34, valor que chegou a R$ 165,5 no primeiro dia da Quaresma, atingiu o pico de R$ 201,42 em meados de março e no encerramento do dia 27 de março, fechou a R$ 174,34.

Ribeiro explica que quando há aumento de demanda, como no início do ano e durante a Quaresma, os preços tendem a melhorar e podem gerar margens mais equilibradas para o produtor. No entanto, a rentabilidade da atividade depende fortemente dos custos de produção.

“O principal custo da avicultura de postura é a alimentação das aves, baseada principalmente em milho e farelo de soja. Oscilações nesses insumos têm impacto direto na rentabilidade. Em períodos de custo elevado de ração, mesmo com preços melhores, as margens podem ficar apertadas”, explicou.

Conforme informações da Avimig, Minas é um dos principais polos produtores de ovos do País. O Estado possui cerca de 300 granjas de postura registradas, distribuídas em várias regiões produtoras. A demanda crescente sustenta números expressivos em Minas Gerais.

Consumo de ovos cresce e Minas Gerais assume segunda posição entre os maiores produtores

Em 2024, a produção estadual chegou a 5,44 bilhões de ovos, volume que, em 2025, subiu para 5,89 bilhões de ovos, alta de 8,3% em relação ao ano anterior. No mesmo período, o plantel de galinhas poedeiras aumentou 2,4%, refletindo a expansão da atividade. Com o desempenho, Minas assumiu a segunda posição no ranking nacional em 2025, ultrapassando o Paraná e ficando atrás apenas de São Paulo.

A alta na produção se deve ao consumo crescente, impulsionado tanto pelos preços mais acessíveis frente às demais proteínas quanto pelos benefícios, assim, tem sido cada vez mais adotado por quem busca uma saúde melhor.

Conforme o Sistema Faemg, o ovo é uma fonte de proteína de alto valor biológico, oferecendo, em média, de 6 a 7 gramas de proteína por unidade, além de vitaminas e minerais importantes para o metabolismo muscular e energético. Para atender a um consumidor mais atento à qualidade, o setor investe em manejo técnico rigoroso, ambiência controlada e monitoramento constante de indicadores produtivos.

A técnica do programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Sistema Faemg Senar, Iara Maria França Reis, destaca que a organização da rotina da granja é uma das primeiras orientações repassadas aos produtores.

“Trabalhamos o manejo adequado das aves, qualidade da alimentação e da água, limpeza dos galpões, controle de temperatura e ventilação, além do bem-estar animal. O cuidado com a cama, os ninhos e a coleta correta dos ovos impactam diretamente na qualidade final do produto”, explica.

Na gestão, o foco é estruturar a atividade como negócio. O acompanhamento do custo de produção, consumo de ração, percentual de postura, mortalidade e produção diária permite decisões mais assertivas e maior rentabilidade. A alimentação, principal item de custo, recebe atenção especial, com formulações ajustadas à fase produtiva das aves e à realidade de cada propriedade.

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Por:
Diário do Comércio
Fonte:
Diário do Comércio

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