Trigo despenca em Chicago e mercado brasileiro segue pressionado por importações

Publicado em 01/04/2026 16:31
Queda forte nas cotações contrasta com cenário de preços firmes no Brasil e expectativa de maior dependência externa

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O mercado do trigo encerrou a sessão desta quarta-feira com queda acentuada nos contratos negociados na Bolsa de Chicago, revertendo o movimento positivo observado no dia anterior. O contrato maio 2026 fechou cotado a US$ 5,97/bu, com baixa de 186 pontos, enquanto o julho 2026 encerrou a US$ 6,08/bu, com queda de 176 pontos e o setembro 2026 terminou o dia a US$ 6,21/bu, com recuo de 166 pontos.

O desempenho negativo contrasta com a sessão anterior, quando o mercado havia encontrado suporte após a divulgação de área plantada menor nos Estados Unidos, fator considerado altista. Nesta quarta-feira, porém, houve ajuste técnico e realização de lucros, pressionando as cotações após os ganhos do dia anterior.

No Brasil, o cenário segue distinto. Levantamentos apontam que os preços domésticos do trigo vinham sustentados por oferta mais limitada em algumas regiões e pela necessidade de abastecimento da indústria. Ainda assim, o movimento recente também tem sido influenciado pela volatilidade externa e pelo comportamento do câmbio, fatores que limitam repasses mais fortes.

Além disso, especialistas destacam que o país caminha para ampliar a dependência do mercado externo. Durante debate realizado em Curitiba, analistas apontaram que o Brasil pode registrar uma das maiores necessidades de importação de trigo da história, devido ao desequilíbrio entre consumo e produção interna. O consumo nacional gira em torno de 12 a 13 milhões de toneladas, enquanto a produção doméstica é inferior a esse volume, exigindo compras externas para abastecimento dos moinhos.

Esse cenário reforça a importância da paridade de importação na formação dos preços internos. Segundo Élcio Bento, do Safras & Mercado, quando a demanda está fraca e a oferta disponível atende o consumo, as cotações tendem a enfraquecer no curto prazo, mas há espaço para recuperação conforme o mercado busca os níveis de importação.

O comparativo entre as duas sessões mostra cenários distintos. Ontem o mercado reagiu a fatores de suporte ligados à oferta futura, enquanto hoje predominou o movimento técnico de correção com quedas expressivas em Chicago. Para o produtor rural, o ambiente continua marcado por volatilidade, com preços internacionais recuando no curto prazo e o mercado interno sendo influenciado pela necessidade estrutural de importações e pelo equilíbrio entre oferta e demanda.
 

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Por:
Priscila Alves
Fonte:
Notícias Agrícolas

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