Safra 2026/27 de cana cresce, mas usinas devem priorizar etanol
![]()
A safra brasileira de cana-de-açúcar 2026/27, iniciada em abril, deve alcançar 677,7 milhões de toneladas, crescimento de 3,15% em relação ao ciclo anterior. Apesar da expansão moderada no campo, o destaque desta temporada não está apenas no volume, mas na mudança de estratégia das usinas, que devem priorizar a produção de etanol em detrimento do açúcar.
De acordo com projeções da Safras & Mercado, a fabricação de açúcar pode recuar mais de 7% na nova safra, enquanto a produção de etanol, considerando cana e milho, tende a crescer de forma expressiva, podendo atingir cerca de 43 bilhões de litros, frente aos aproximadamente 37 bilhões registrados atualmente.
Esse movimento é impulsionado principalmente pelo aumento da demanda interna por biocombustíveis. A elevação da mistura obrigatória de etanol na gasolina, que passou de 27% para 30%, tem papel central nessa dinâmica. Há ainda a expectativa de avanço para 35% até o fim do terceiro trimestre, conforme testes técnicos conduzidos pelo governo.
Segundo analistas do setor, cada ponto percentual adicional na mistura representa um incremento significativo no consumo. A estimativa é de que um aumento de 1 ponto percentual gere demanda adicional de cerca de 920 milhões de litros de etanol por ano.
Petróleo
Além da política doméstica, o cenário internacional também reforça a competitividade do biocombustível. A alta do petróleo, em meio às tensões no Oriente Médio, elevou o preço do barril de cerca de US$ 70 para níveis que chegaram a oscilar entre US$ 110 e US$ 120 nas últimas semanas.
O etanol tem atuado como um importante amortecedor de preços no Brasil. Dados da Agência Nacional do Petróleo indicam que o preço médio do etanol no país chegou a R$ 4,72 por litro no fim de março, com variações mais moderadas em comparação à gasolina e ao diesel.
Especialistas destacam que a política de mistura de biocombustíveis ajuda a reduzir a dependência de combustíveis fósseis e a suavizar os impactos de choques externos. Atualmente, o Brasil é o país que mais adiciona etanol à gasolina no mundo.
Com a escalada do petróleo, esse efeito tem se tornado ainda mais evidente. Enquanto mercados internacionais registraram aumentos mais expressivos nos combustíveis, o avanço dos preços no Brasil foi relativamente mais contido, refletindo a presença do etanol e também do biodiesel na matriz energética.
Por outro lado, a maior destinação de cana para o etanol deve reduzir a disponibilidade de açúcar no mercado, o que pode influenciar a dinâmica global da commodity ao longo da safra.
0 comentário
Açúcar inicia semana em alta, com projeção de safra focada no etanol
Etanol: ano de 2025 trouxe mudança no mix produtivo e prepara setor para expansão em 2026
Etanol se consolida como principal aposta das usinas na safra 26/27
Brasil está a caminho de um aumento na produção de etanol em 2026, dizem especialistas
São Martinho avalia que preço do açúcar deve reagir com maior "mix" de cana para etanol
Brasil terá recomposição de estoques de etanol na nova safra após queda de 20% em 2025/26