Mercado reage a reabertura do Estreito de Ormuz e açúcar fecha em queda
As tensões no Oriente Médio, somadas ao cenário de ampla oferta global, pressionaram os preços do açúcar nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (17). Desde o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã, o mercado passou a oscilar em queda.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de maio fechou com recuo de 35 pontos, negociado a 13,39 cents por libra-peso. Em Londres, o açúcar também registrou baixa, com queda de 60 pontos, sendo cotado a US$ 410,10 por tonelada.
O movimento acompanha a forte desvalorização do petróleo, que reagiu rapidamente à reabertura da principal rota de escoamento energético do mundo. Por volta das 10h10 (horário de Brasília), o barril do tipo Brent caía 10,42%, a US$ 89,03, enquanto o WTI recuava 11,11%, a US$ 84,17.
A relação entre energia e açúcar é direta. Em cenários de petróleo mais caro, o etanol ganha competitividade frente aos combustíveis fósseis, incentivando as usinas a direcionarem mais cana para a produção do biocombustível e reduzindo a oferta de açúcar no mercado global.
Com a queda abrupta do petróleo após a reabertura do estreito, esse suporte perde força, o que contribui para pressionar ainda mais as cotações internacionais no curto prazo.
O mercado já vinha de perdas expressivas ao longo da semana. Na quarta-feira, o açúcar em Nova Iorque atingiu a mínima em cerca de cinco anos e meio, refletindo o cenário de excedente global.
Fundamentos seguem pressionados
No Brasil, o cenário também reforça o viés baixista. A expectativa de uma safra robusta no Centro-Sul em 2026/27, com produção estimada em cerca de 635 milhões de toneladas de cana e mais de 40 milhões de toneladas de açúcar, deve ampliar ainda mais a disponibilidade global.
Esse quadro se soma à recuperação parcial da produção em países do Hemisfério Norte, como Índia, Tailândia e México, consolidando um ambiente de excedente e limitando reações mais consistentes nos preços.
Mesmo as altas recentes, que levaram o açúcar à faixa de 16,1 cents por libra-peso, perderam força diante do recuo dos prêmios de risco geopolítico e da queda no complexo energético.
“Embora fatores macroeconômicos e geopolíticos tenham impulsionado a volatilidade recente, os fundamentos seguem baixistas, com o etanol recuperando competitividade como principal mecanismo de ajuste”, afirma Lívia Coda, da Hedgepoint Global Markets.
Desde o final de 2025, o etanol voltou a ganhar espaço no mix das usinas. Atualmente, cerca de 48% da cana é destinada à produção de açúcar acima do nível considerado mais equilibrado, próximo de 44,5%, o que indica espaço para ajustes, ainda que de forma gradual.
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