Açúcar inicia semana com leve alta, mas pressão de oferta ainda limita ganhos
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A semana começou com leve recuperação nos preços do açúcar nas principais bolsas internacionais. Apesar do avanço nesta segunda-feira (20), o mercado ainda opera sob pressão após duas semanas de perdas, influenciado pela expectativa de oferta global abundante e pelas tensões no Oriente Médio.
Na bolsa de Nova Iorque, o contrato de maio registrava alta de 30 pontos por volta das 9h30 (horário de Brasília), sendo negociado a 13,34 cents por libra-peso. O vencimento de julho também avançava, cotado a 13,50 cents por libra-peso, com ganho de 20 pontos.
Em Londres, o movimento foi mais intenso. O contrato de agosto subia 100 pontos, para US$ 413,30 por tonelada, enquanto o de outubro avançava 110 pontos, negociado a US$ 411,70 por tonelada.
Pressão recente no mercado
Apesar da recuperação no início da semana, os preços acumularam perdas significativas nos últimos dias. Na sexta-feira (17), o açúcar em Nova Iorque chegou a renovar mínimas de cerca de cinco anos e meio.
O movimento foi influenciado, principalmente, pela forte queda do petróleo, que recuou cerca de 12% no dia, após o anúncio da reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã. A normalização da rota reduziu os prêmios de risco geopolítico e pressionou o complexo energético.
Com o petróleo mais barato, o etanol perde competitividade frente aos combustíveis fósseis, o que pode levar as usinas a direcionarem maior volume de cana para a produção de açúcar, ampliando a oferta global e pressionando os preços.
Além disso, a reabertura da rota marítima tende a restabelecer o fluxo logístico internacional, reduzindo incertezas sobre o abastecimento e reforçando a percepção de mercado mais ofertado.
Outro sinal de demanda enfraquecida veio da bolsa de Londres. Na quarta-feira, o contrato de maio registrou entregas de 472.650 toneladas, o maior volume para esse vencimento em 14 anos, indicando menor apetite comprador no mercado físico.
Fundamentos seguem pressionados
No Brasil, o cenário também reforça o viés baixista. A expectativa de uma safra robusta no Centro-Sul em 2026/27, com produção estimada em cerca de 635 milhões de toneladas de cana e mais de 40 milhões de toneladas de açúcar, deve ampliar ainda mais a disponibilidade global.
Esse quadro se soma à recuperação parcial da produção em países do Hemisfério Norte, como Índia, Tailândia e México, consolidando um ambiente de excedente e limitando reações mais consistentes nos preços.
Mesmo as altas recentes, que levaram o açúcar à faixa de 16,1 cents por libra-peso, perderam força diante do recuo dos prêmios de risco geopolítico e da queda no complexo energético.
“Embora fatores macroeconômicos e geopolíticos tenham impulsionado a volatilidade recente, os fundamentos seguem baixistas, com o etanol recuperando competitividade como principal mecanismo de ajuste”, afirma Lívia Coda, da Hedgepoint Global Markets.
Desde o final de 2025, o etanol voltou a ganhar espaço no mix das usinas. Atualmente, cerca de 48% da cana é destinada à produção de açúcar acima do nível considerado mais equilibrado, próximo de 44,5%, o que indica espaço para ajustes, ainda que de forma gradual.
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