Taxas dos DIs sobem após Irã fechar novamente o Estreito de Ormuz
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 20 Abr (Reuters) - As taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) iniciaram a segunda-feira com altas, em um dia até o momento negativo para os ativos de risco ao redor do mundo após o Irã fechar novamente o Estreito de Ormuz, enquanto no exterior os rendimentos dos Treasuries também avançavam.
Às 9h12, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 13,345%, em alta de 10 pontos-base ante o ajuste de 13,247% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,48%, com elevação de 5 pontos-base ante 13,426%.
No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos -- referência global para decisões de investimento -- subia 2 pontos-base, aos 4,26%.
Nesta segunda-feira entre o fim de semana e o feriado de Tiradentes no Brasil, o foco do mercado está mais uma vez voltado para o exterior, onde o cessar-fogo entre EUA e Irã está em xeque.
O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que representantes do país chegarão ao Paquistão na noite desta segunda-feira para uma nova rodada de negociações com o Irã. Ao mesmo tempo, ameaçou atacar usinas de energia e pontes iranianas se Teerã não aceitar um acordo para dar fim à guerra.
O Irã rejeitou o ultimato de Trump e declarou sua ausência na segunda rodada de negociações, além de voltar a fechar o tráfego de navios no Estreito de Ormuz, por onde circulam 20% do petróleo mundial. Na terça-feira termina o prazo de cessar-fogo entre EUA e Irã.
Neste cenário, o petróleo Brent voltou a subir, para perto dos US$95 o barril, reforçando as preocupações quanto aos impactos inflacionários da guerra nos países, incluindo o Brasil.
No boletim Focus divulgado nesta manhã pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas do mercado para a inflação em 2026 passou de 4,71% para 4,80% e em 2027 foi de 3,91% para 3,99%. Em ambos os casos as expectativas seguem se distanciando do centro da meta de inflação perseguida pelo BC, de 3%.
Os economistas também alteraram a projeção para a taxa básica Selic no fim deste ano, de 12,50% para 13,00%, e no fim de 2027, de 10,50% para 11,00%. Na prática, eles passaram a ver menos espaço para cortes da Selic, hoje em 14,75% ao ano, em função da guerra.
Na última quinta-feira -- dado consolidado mais recente -- as opções de Copom negociadas na B3 precificavam 78% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic no fim deste mês, contra 12% de chance de redução de 50 pontos-base. Em 6 de abril, um dia antes de EUA e Irã fecharem o cessar-fogo de duas semanas, os percentuais eram de 55% e 21,1%, respectivamente.
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