Proposta de E32 pode elevar demanda por etanol em mais de 1 bilhão de litros no Brasil

Publicado em 27/04/2026 10:45 e atualizado em 27/04/2026 14:04
Medida em análise no CNPE deve ampliar consumo de etanol anidro, reduzir dependência de gasolina e gerar impactos positivos para preços e emissões

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A proposta do governo de elevar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% (E32) será analisada na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), prevista para o início de maio. A medida pode ampliar significativamente a presença do biocombustível na matriz energética brasileira.

De acordo com a Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), a adoção do E32 tem potencial para acrescentar cerca de 1,052 bilhão de litros de etanol anidro ao mercado, o que representa um crescimento de 6,6% na demanda.

Segundo o presidente-executivo da NovaBio, Renato Cunha, a atual produção brasileira, estimada em cerca de 41,8 bilhões de litros por safra, é suficiente para atender ao aumento previsto. Para a safra 2026/27, iniciada neste mês, a expectativa é de que o consumo de etanol anidro alcance 15,7 bilhões de litros, equivalente a 37% da produção total.

A entidade destaca ainda que a elevação da mistura abre oportunidades para expansão da produção no Nordeste, cuja oferta se aproxima de 2,5 bilhões de litros por ano.

Cunha também ressalta que a maior participação do etanol pode contribuir para conter a inflação dos combustíveis. “O etanol anidro pode ajudar a suavizar reajustes nos preços da gasolina”, afirma.

Outro ponto destacado é a redução da dependência das importações de gasolina. Com maior uso de etanol, diminui-se a necessidade do combustível fóssil, especialmente em um cenário de volatilidade nos preços e na oferta de petróleo. “Há também ganhos ambientais importantes, com a redução das emissões de gases de efeito estufa”, acrescenta o executivo.

Na mesma linha, a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) estima que a mudança pode gerar uma demanda adicional de cerca de 1 bilhão de litros de etanol anidro por ano no país. Em nota, a entidade afirmou que a medida amplia a participação de biocombustíveis na matriz energética e está alinhada às diretrizes do Ministério de Minas e Energia (MME).

Para o presidente da Unica, Evandro Gussi, o Brasil tem experiência consolidada nesse tipo de política. “A ampliação da mistura é um caminho que o país já conhece. O etanol contribui para a segurança energética com uma solução disponível, produzida em larga escala e com ganhos ambientais relevantes ao reduzir emissões ao longo do ciclo de vida dos combustíveis”, destacou.

Segundo a entidade, o país possui capacidade instalada suficiente para atender ao crescimento da demanda, considerando a produção de etanol de cana-de-açúcar e de milho. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam ainda a entrada em operação de 16 novas plantas de etanol de milho nos próximos 12 meses.
 

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Por:
Andréia Marques I @andreia.marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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