Açúcar recua nas bolsas internacionais com expectativa de maior oferta global

Publicado em 30/04/2026 16:39 e atualizado em 30/04/2026 17:29
Previsão de excedente na Índia pressiona cotações, apesar de suporte vindo do etanol no Brasil.

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Os preços do açúcar fecharam em queda nos principais mercados internacionais nesta quinta-feira, pressionados pela perspectiva de aumento na oferta global da commodity. O movimento interrompeu a tendência de alta observada no início do pregão, quando as cotações chegaram a atingir os maiores níveis em semanas.

Na bolsa de ICE Futures US, em Nova Iorque, o contrato com vencimento em maio recuou 10 pontos, encerrando o dia cotado a 14,61 cents de dólar por libra-peso. Já em ICE Futures Europe, em Londres, o contrato agosto registrou queda de 590 pontos, sendo negociado a US$ 438,90 por tonelada.

A pressão negativa veio após o USDA divulgar projeções indicando um excedente de 2,5 milhões de toneladas de açúcar na Índia na safra 2026/27 o primeiro superávit em dois anos. O país é o segundo maior produtor global da commodity, o que reforça o impacto da notícia sobre o mercado.

Apesar da queda no fechamento, os preços chegaram a subir ao longo do dia, sustentados pela valorização da gasolina no mercado internacional. A alta do combustível tende a favorecer o etanol, incentivando usinas ao redor do mundo a direcionarem mais cana-de-açúcar para a produção do biocombustível, o que, em tese, reduziria a oferta de açúcar.

Esse movimento já é observado no Brasil. Dados da UNICA mostram que, na primeira quinzena da safra 2026/27, a produção de açúcar no Centro-Sul caiu 11,9% na comparação anual, somando 647 mil toneladas. No período, as usinas reduziram o mix açucareiro de 44,7% para 32,9%, priorizando a fabricação de etanol.

Projeções da CONAB também apontam para esse redirecionamento. A produção de açúcar no Brasil deve recuar 0,5% na safra 2026/27, para 43,95 milhões de toneladas, enquanto a produção de etanol tende a crescer 7,2%, alcançando 29,26 bilhões de litros.

O cenário ocorre após o encerramento da safra 2025/26 no Centro-Sul com moagem de 611,15 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume inferior ao ciclo anterior. A produtividade agrícola média foi de 74,4 toneladas por hectare, queda de 4,1%, refletindo os impactos das condições climáticas ao longo do desenvolvimento da lavoura, segundo levantamento do CTC.

A qualidade da matéria-prima também apresentou leve recuo, com 137,79 kg de ATR por tonelada processada, redução de 2,34% na comparação anual.

Segundo avaliação da UNICA, a menor moagem já era esperada diante do clima adverso. “A despeito disso, o ciclo registrou a quarta maior moagem histórica do Centro-Sul e a segunda maior produção de etanol e de açúcar”, destacou Luciano Rodrigues, diretor de Inteligência Setorial, Regulação e Competitividade da entidade.
 

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Por:
Andréia Marques I @andreia.marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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