Leilão de swap reverso do BC facilita redução de posições compradas em dólar

Publicado em 06/05/2026 13:24

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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 6 Mai (Reuters) - O Banco Central vendeu nesta manhã de quarta-feira em leilão 10.000 contratos de swap cambial reverso, um montante equivalente a US$500 milhões, facilitando a redução de posições compradas em dólar no mercado futuro brasileiro em meio à expectativa de fim da guerra no Oriente Médio.

Anunciada na noite de terça-feira, a operação com swap reverso tem o efeito equivalente à compra de dólares no mercado futuro. Na prática, isso representa um impulso de alta para o dólar no mercado futuro -- que, por ser o mais líquido no Brasil, tende a puxar as cotações também no mercado à vista.

Ao contrário do que fez em outras ocasiões, o BC não promoveu nesta quarta-feira, juntamente com o leilão de swap reverso, um leilão de venda à vista de dólares -- operações simultâneas conhecidas no mercado como "casadão". Desde 8 de novembro de 2016 o BC não realizava uma operação semelhante à desta quarta-feira, apenas vendendo swap cambial reverso.

Ao atuar apenas por meio do swap reverso, o BC facilita que investidores atualmente comprados no mercado futuro -- ou seja, posicionados para a alta das cotações do dólar -- reduzam essas posições.

Para o diretor da assessoria FB Capital, Fernando Bergallo, a atuação do BC com swap reverso permite a redução de posições compradas em dólar no mercado futuro em um momento em que o cenário externo aponta para uma moeda norte-americana mais fraca. Em outros momentos, quando a pressão para as cotações era de alta, o BC promoveu vendas de swaps tradicionais -- operações equivalentes à venda de dólares no mercado futuro.

"O BC atua pontualmente para ajudar na liquidez, faz isso para os dois lados", comentou Bergallo. "Me parece que segue uma posição autônoma em relação a não buscar definir qual a cotação de equilibro (do dólar), já que ela não existe. (A atuação) é apenas para corrigir movimentos muito agudos", acrescentou.

O noticiário sobre a guerra contribuiu para os movimentos agudos das últimas semanas. Após o início do conflito, no fim de fevereiro, o dólar saiu da faixa dos R$5,13 para um pico de R$5,31 em 13 de março, no auge das preocupações do mercado, para depois se reaproximar dos R$4,90 na sessão desta quarta-feira, em meio à expectativa de um acordo de paz.

No ano, a divisa norte-americana acumula baixa próxima de 10%.

A operação desta quarta-feira também tem um efeito na própria posição do BC nos últimos anos, vendida em swap cambial tradicional. Ao fazer o leilão de swap reverso, o BC reduz essa posição.

"A intervenção via 'hedge' já vem ocorrendo em certa medida. Tanto a não rolagem de swaps (tradicionais) quanto a utilização de swaps reversos têm a mesma finalidade, ou seja, reduzir a posição bruta (do BC)", comentou Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset.

Segundo Lima, a manutenção pelo BC de um estoque elevado de swaps, que exige rolagens frequentes, pressiona para cima o cupom cambial -- a diferença entre a taxa de juros em reais e a taxa em dólares, muito usada para precificar operações de hedge (proteção) no mercado de câmbio.

Na operação desta quarta-feira, a data de início dos contratos de swap reverso negociados pelo BC é 7 de maio, enquanto o vencimento será em 1º de junho. O BC aceitou uma proposta no total de 10.000 contratos.

Às 13h, o dólar à vista subia 0,33%, a R$4,9285 na venda.

(Edição de Camila Moreira e Isabel Versiani)

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Fonte:
Reuters

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