Ibovespa tem queda forte em dia cheio de balanços e recuo do petróleo no exterior
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 7 Mai (Reuters) - O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta quinta-feira, marcada pela repercussão de uma série de resultados corporativos, incluindo os números de Axia e Bradesco, que viram suas ações registrarem perdas expressivas.
A queda do petróleo no mercado internacional, em meio a expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã, também reverberou na B3, minando as ações da Petrobras e de outras petrolíferas.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em queda de 2,38%, a 183.218,26 pontos, menor patamar desde o final de março. No pior momento, chegou a 182.867,75 pontos. Na máxima, marcou 187.779,31 pontos.
O volume financeiro no pregão somou R$32,08 bilhões.
De acordo com o sócio e advisor da Blue3 Investimentos Willian Queiroz, a possibilidade de um acordo de paz entre EUA e Irã endossou a correção no petróleo, o que acabou afetando o Ibovespa dado o peso significativo das ações da Petrobras.
"Mas os fundamentos de um possível acordo de paz são muito positivos a médio e longo prazos", ressaltou, destacando o potencial efeito inflacionário da disparada do petróleo que vinha preocupando investidores no mundo.
Washington e Teerã estão se aproximando de um acordo limitado e temporário para interromper a guerra, disseram fontes e autoridades nesta quinta-feira, alimentando esperanças de que, mesmo que o entendimento seja parcial, possa haver normalização do fornecimento de petróleo através do Estreito de Ormuz. O plano interromperia os combates, mas deixaria as questões mais controversas sem solução.
Em Nova York, o S&P 500 fechou em queda de 0,38%.
Para o estrategista de investimentos Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, há também um efeito negativo no pregão brasileiro ligado a eventos corporativos domésticos, com papéis como os do Bradesco, que divulgou balanço na véspera, pesando no Ibovespa. Uma nova bateria de resultados de empresas locais é aguardada ainda nesta quinta-feira.
DESTAQUES
• AXIA ON caiu 5,95%, mesmo após reportar lucro líquido ajustado de R$3,7 bilhões no primeiro trimestre, com um salto da margem da área de geração impulsionado pela alta de preços de energia no mercado livre. A companhia também iniciou processo sucessório de presidente-executivo. Em teleconferência sobre o balanço, a Axia disse que já vê nas últimas semanas tendência de redução nos preços de energia.
• BRADESCO PN recuou 3,89%, após divulgar balanço com alta de 16% no lucro líquido e avanço do ROE para 15,8%, mas aumento em provisões por casos pontuais no segmento de atacado e maior custo de crédito do massificado. O presidente-executivo disse que o banco está com apetite a risco moderado para crédito, com viés mais conservador, em razão da piora do cenário macro, mas que "isso não significa puxar o freio de mão".
• ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 2,37%, BANCO DO BRASIL ON perdeu 1,72% e SANTANDER BRASIL UNIT recuou 3,1%.
• PETROBRAS PN perdeu 2,22% e PETROBRAS ON caiu 1,88%, diante de nova queda dos preços do petróleo, com o barril sob o contrato Brent encerrando o dia cotado a US$100,06, em queda de 1,2%. Nas negociações estendidas, as cotações passaram a subir, após notícia de que os EUA estavam considerando reiniciar as operações de escolta de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz já nesta semana.
• REDE D'OR ON fechou negociada em baixa de 6,47%, tendo também o balanço do primeiro trimestre no radar, que mostrou lucro líquido de R$1 bilhão.
• SMARTFIT ON disparou 11,66%, após divulgar lucro líquido recorrente de R$207 milhões no primeiro trimestre de 2026, crescimento de 47% sobre o mesmo período do ano anterior.
• TOTVS ON subiu 9,46%, em meio à análise do balanço dos primeiros três meses do ano, que mostrou lucro líquido ajustado de R$252 milhões, alta de 17% ano a ano.
• MINERVA ON avançou 3,78%, apesar da queda de quase 53% no lucro do primeiro trimestre ano a ano. O Ebitda aumentou 16,2%, para R$1,12 bilhão.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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