USDA traz primeiro relatório para safra 2026/27 nesta 3ª; para o BR atenção à área de soja
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O boletim que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) tras nesta terça-feira, dia 12 de maio, traz as primeiras projeções da instituição para a safra 2026/27. O relatório chega no que o analista de mercado da Agrinvest Commodities e da Marex, Eduardo Vanin, classifica como "Super Semana", contemplando também o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim entre 14 e 15 de maio, a divulgação dos dados da inflação dos EUA - que vieram acima do esperado - o novo reporte da NOPA (Associação Nacional dos Processadores de Oleaginosas dos EUA), e o que vinha sendo esperado no Brasil, porém, adiado, o anúncio oficial do B16.
Reveja sua entrevista ao Bom Dia Agronegócio desta segunda-feira:
"O relatório não deve trazer grandes mudanças. Já sabemos a intenção de plantio e o USDA não vai trazer muitas mundanças de produtividade ainda. O importante será o Brasil - quanto vamos plantar de soja na visão do USDA para a safra que vem com os custos de produção nas alturas e falta de crédito -, e também a Índia, que sofre com a falta dos nitrogenados, do gás natural, e como isso vai impactar diversas culturas como arroz, cana-de-açúcar, e demais culturas que impactam o Brasil", detalha Vanin.
Além disso, as expectativas para a produção brasileira de milho também são bastante aguardadas, em especial neste momento em que o clima afeta diretamente a produção em regiões-chave de produção, principalmente pela seca, mas também pelo frio e pelas geadas neste momento.
O mercado trabalha, como sempre, com algumas expectativas, todavia, ciente de que são números que ainda mudarão muito, uma vez que a nova safra norte-americana está em pleno desenvovlimento, com o plantio ainda para ser finalizado. No entanto, traders já colocam na conta que, com a semeadura se dando em um ritmo bastante intenso e acelerado, há uma parte considerável das lavouras concentradas em um mesmo estágio e, dessa forma, mais expostas à possíveis adversidades climáticas.
PRODUÇÃO E ESTOQUES FINAIS DOS EUA
Soja - A produção de soja 2026/27 é esperada entre 119,88 e 123,04 milhões de toneladas, com média de 121,11 milhões. Até aqui, a área estimada para ser cultivada com a oleaginosa é de 345,28 milhões de hectares, e a média de produtividade com a qual trabalha o mercado para trazer seus números preliminares é de 59,40 sacas por hectare (53 bushels por acre).
Já os estoques finais da nova safra são esperados em algo entre 8,16 e 12,93 milhões de toneladas, com média de 9,61 milhões.
"Embora a visita do presidente Trump à China, nos dias 14 e 15 de maio, seja indiscutivelmente o evento mais importante para o mercado de soja, os investidores estarão atentos na terça-feira à análise do USDA sobre oferta e demanda", afirma Rhett Montgomery, analista líder do portal DTN The Progressive Farmer.
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Milho - Para a safra nova de milho dos EUA, as expectativas variam de 401,82 a 406,7 milhões de toneladas, com média de 405,1 milhões. Os estoques finais deverão ficar em um intervalo de 45,11 e 53,6 milhões de toneladas, com média esperada de 49,79 milhões de toneladas.
"Para terça-feira, os investidores voltarão a se concentrar nos fundamentos, e o mercado de milho provavelmente refletirá uma oferta mundial robusta", complementa Montgomery.
O mercado traz suas projeções de safra e estoques finais baseados, como explica o analista, em uma área estimada em 38,57 milhões de toneladas e e uma média de rendimento do cereal de 191,43 sacas por hectare (183 bushels por acre).
ESTOQUES FINAIS GLOBAIS
2026/27 - Os estoques finais globais de soja da safra 2026/27 são esperados entre 122,1 e 132,6 milhões de toneladas, com média de 126,3 milhões. Já os estoques de milho poderiam ficar entre 268 e 301 milhões de toneladas, com a média do intervalo esperado pelo mercado em 286,7 milhões de toneladas.
O adido do USDA no Brasil, em março, estimou um crescimento de área na safra 2026/27 do país, estimando uma produção que poderia chegar a 184 milhões de toneladas. Consultorias privadas não acreditam na mesma tendência e, principalmente os produtores brasileiros refutam esta possiblidade diante dos custos de produção elevadíssimos.
2025/26 - Já os estoques da safra 2025/26 globais de soja são esperados em 123,7 e 127 milhões de toneladas, com média das projeções em 125,6 milhões. Há um mês, o número veio em 124,8 milhões de toneladas. Para o milho, os números variam de 293 a 300,4 milhões de toneladas, com a média sendo aguardada em 296,5 milhões de toneladas. Em abril, o número foi de 294,8 milhões de toneladas.
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