Ibovespa recua com investidores de olho em balanços, sem tirar Oriente Médio do radar
![]()
SÃO PAULO, 12 Mai (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta terça-feira, com uma bateria de resultados sob os holofotes, incluindo os números da Petrobras, enquanto investidores também analisam dados de inflação no Brasil e continuam acompanhando a situação no Oriente Médio.
Por volta de 11h25, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, cedia 0,72%, a 180.604,28 pontos. O volume financeiro somava R$6,45 bilhões.
As esperanças de um acordo de paz com o Irã diminuíram nesta terça-feira, depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na véspera que um cessar-fogo com o Irã "respira por aparelhos", enquanto Teerã rejeitou uma proposta dos EUA para encerrar o conflito e manteve uma lista de exigências que o presidente dos EUA descreveu como "lixo". O barril do petróleo sob o contrato Brent era negociado em alta de 3,35%, a US$107,70.
De acordo com o analista de investimentos Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, o mercado global começou a terça-feira novamente sob o peso do risco geopolítico, com o petróleo como principal vetor de precificação dos ativos globais. "O pano de fundo segue marcado por incerteza no Estreito de Ormuz, bloqueios parciais à navegação e aumento dos custos logísticos e de seguro marítimo", afirmou.
Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, caía 0,49%, tendo ainda no radar números de inflação ao consumidor dos EUA.
No Brasil, o IPCA desacelerou para 0,67% em abril, apesar dos impactos dos reajustes de medicamentos e de alimentos e combustíveis em meio à guerra no Oriente Médio, mas subiu ainda mais no acumulado em 12 meses, agora em 4,39%.
Na visão da equipe da EQI, o resultado continua indicando pressões inflacionárias mais disseminadas e uma composição ainda persistentemente menos benigna. "Seguimos avaliando que o processo de convergência da inflação à meta tendea ser mais gradual, exigindo um juro terminal elevado."
DESTAQUES
• PETROBRAS PN caía 1,42%, após a estatal reportar uma queda de 7,2% no lucro líquido do primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2025, resultado que ainda não refletiu a recente disparada dos preços globais do petróleo. O lucro de R$32,7 bilhões entre janeiro e março ficou abaixo das estimativas de analistas consultados pela LSEG, que apontavam R$34,4 bilhões. A empresa também anunciou a aprovação de pagamento de remuneração aos acionistas de R$9 bilhões.
• BRASKEM PNA saltava 18,15%, tocando uma máxima intradia desde o final de março no melhor momento, quando chegou a R$11,10 (+20,65%). Analistas do JPMorgan elevaram a recomendação das ações para "overweight", bem como o preço-alvo de R$10,50 para R$15, citando melhora dos fundamentos de mercado, oferta mais apertada e fortalecimento da governança após a reestruturação.
• HAPVIDA ON disparava 13,2% após a operadora de planos de saúde e odontológicos divulgar Ebitda ajustado de R$803 milhões, queda de 20% na base anual, mas acima de previsões de analistas. Analistas do Safra destacaram que a sinistralidade caixa de 72,2% veio melhor do que o esperado, o que ajudou o Ebitda a ficar acima das expectativas.
• DIRECIONAL ON avançava 1,79%, tendo como pano de fundo alta de 30% no lucro líquido do primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado, para R$213 milhões. A companhia também reportou consumo de caixa contábil no período de R$76 milhões, maior que os R$14,9 milhões de um ano antes.
• AZZAS 2154 ON recuava 5,18%, em meio a uma disputa judicial interna. A companhia afirmou nesta terça-feira que foi surpreendida pela existência de pedido judicial do acionista Roberto Jatahy referente à gestão da unidade de moda masculina da companhia e disse que tomará as medidas aplicáveis. Mais cedo, o colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo, afirmou que Jatahy ingressou com uma ação cautelar para impedir a desintegração da Reserva da unidade de negócios sob seu comando.
• NATURA cedia 3,62%, na esteira da divulgação de um prejuízo líquido de R$445 milhões no primeiro trimestre, acima do resultado negativo de R$152 milhões sofrido no mesmo período do ano passado. Em teleconferência com analistas nesta terça-feira, o presidente-executivo disse que mantém a expectativa de recuperação gradual de receita, mas destacou que uma migração no sistema de gestão empresarial em junho pode causar "turbulência" nas operações.
• MRV&CO ON perdia 2,18%, com o balanço do primeiro trimestre também no radar, com prejuízo líquido ajustado de R$14 milhões. A MRV Incorporação teve lucro líquido ajustado de R$133 milhões, com a margem bruta no período alcançando 31%. A Resia, subsidiária norte-americana da MRV&Co, teve prejuízo de US$15,8 milhões.
• VALE ON caía 0,68%, acompanhando o declínio dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado em Dalian caiu 0,98%. A mineradora também estimou nesta terça-feira um incremento de aproximadamente US$1,5 bilhão no fluxo de caixa livre em 2026 para o segmento de soluções de minério de ferro, considerando as novas condições de mercado decorrentes do conflito no Oriente Médio.
• ITAÚ UNIBANCO PN cedia 0,92%, BRADESCO PN recuava 0,22% e SANTANDER BRASIL UNIT tinha variação negativa de 0,4%, enquanto BANCO DO BRASIL ON, que divulga balanço no final da quarta-feira, avançava 0,42%.
• GRUPO TOKY ON desabava 34,48%, após a holding que controla a Tok&Stok e a Mobly divulgar que entrou com pedido de recuperação judicial, citando um ambiente macroeconômico desafiador, especialmente para o setor de varejo de móveis e decoração, caracterizado por fatores como taxas de juros ainda elevadas e maior nível de endividamento das famílias.
0 comentário
Tria, do Patria, entra no mercado global de trading de açúcar
Analisando sua Comercialização, com Victor Cazzo
Ibovespa recua com investidores de olho em balanços, sem tirar Oriente Médio do radar
Wall St cai com dados de inflação e tensões no Irã
China prevê menores importações de soja em 2026/27; eleva estimativa para 2025/26
Chocolate terá novo padrão no Brasil: lei define percentual mínimo de cacau e muda regras de rotulagem