Açúcar sobe forte nas bolsas com temor de déficit global na safra 2026/27
As cotações do açúcar seguem em alta nas bolsas internacionais nesta quarta-feira (13), sustentadas pelas preocupações com a oferta global da commodity e pelas expectativas de maior direcionamento da cana-de-açúcar para a produção de etanol no Brasil.
Em Nova York, por volta das 11h (horário de Brasília), o contrato julho do açúcar bruto avançava 150 pontos, negociado a 15,16 cents de dólar por libra-peso. Já o vencimento outubro subia 130 pontos, cotado a 15,65 cents por libra-peso.
Na bolsa de Londres, os contratos também registravam forte valorização. O contrato agosto avançava 770 pontos, negociado a US$ 449,40 por tonelada. O vencimento outubro subia 740 pontos, cotado a US$ 447,60 por tonelada.
Mercado reage à perspectiva de déficit global
O mercado continua repercutindo as novas projeções da StoneX, que passou a estimar déficit global de 550 mil toneladas de açúcar na safra 2026/27.
A revisão marca uma mudança importante em relação ao ciclo 2025/26, quando o mercado operava com expectativa de superávit global de 2,3 milhões de toneladas.
As preocupações com a oferta também ganharam força após o Citigroup reduzir sua estimativa para a produção brasileira de açúcar em 2026/27 para 39,5 milhões de toneladas. O número ficou abaixo da projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), que prevê produção de 43,95 milhões de toneladas.
Segundo o banco, a diferença está relacionada à estratégia das usinas brasileiras de ampliar a produção de etanol diante dos preços mais elevados da gasolina, reduzindo o volume de cana destinado ao açúcar.
El Niño segue no radar
Outro fator que mantém suporte às cotações é o monitoramento das condições climáticas globais.
O Citigroup alertou que um possível fortalecimento do fenômeno El Niño ao longo deste ano pode impactar a produção de açúcar em importantes origens asiáticas, como Índia e Tailândia, nos próximos seis a 12 meses.
O mercado acompanha com atenção os riscos climáticos justamente em um momento de maior sensibilidade da oferta mundial.
Centro-Sul deve registrar safra robusta
Apesar do viés altista ligado à oferta global, a produção brasileira segue com perspectiva positiva para a safra 2026/27.
Segundo a StoneX, a região Centro-Sul, principal polo produtor de cana-de-açúcar do país, deverá registrar a segunda maior safra da história, com moagem estimada em 632,2 milhões de toneladas.
O volume é superior à previsão divulgada pela consultoria em março, de 620,5 milhões de toneladas, e também acima das 621,9 milhões de toneladas registradas na safra 2025/26.
De acordo com a empresa, as condições climáticas favoráveis seguem sustentando a recuperação da produtividade agrícola na região.
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