Copersucar prevê que 100% de suas usinas produzam biometano e vê demanda crescente

Publicado em 13/05/2026 17:57

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Por Roberto Samora

SANTOS, 13 Mai (Reuters) - A Copersucar, líder global na comercialização de açúcar e etanol, projeta que todas as suas 42 usinas associadas estarão produzindo biometano em até dez anos, na medida em que espera um mercado enorme para o produto, que é mais barato e muito menos poluente do que os combustíveis fósseis, disse o presidente-executivo da Copersucar, Tomás Manzano, nesta quarta-feira.

Embora o interesse por biocombustíveis tenha crescido recentemente com a guerra no Irã, que fez os preços do petróleo e de seus derivados dispararem, a produção de energia renovável está na essência das empresas acionistas da Copersucar, que também produzem etanol e cogeram bioeletricidade. O biometano, feito a partir de resíduos das usinas de cana, é uma aposta mais recente da empresa.

A Copersucar apresentou nesta quarta-feira, em seu terminal em Santos, o BioRota, projeto logístico que já utiliza o biometano em parte dos caminhões contratados pela empresa para transportar açúcar até o porto, o principal polo exportador do Brasil, que domina o comércio internacional com mais de 50% dos embarques da commodity.

Nesse processo, no qual o biocombustível substitui o diesel nos caminhões, a economia de custos é de 20% a 30%, disse Manzano, destacando que isso é relevante, considerando que 40% do açúcar transportado até Santos ainda chega por estradas --e o restante por ferrovias. Do total no modal rodoviário, 14% dos caminhões já utilizam o combustível renovável, garantindo menores custos para transportar produto.

Além de reduzir custos, o biometano diminui as emissões de gases de efeito estufa em até 90% em relação ao diesel, antes consumido por todos os caminhões contratados pela Copersucar.

"O nosso plano estratégico é num horizonte dos próximos dez anos ter produção de biometano em todas as usinas do ecossistema Copersucar... Temos mais alguns projetos em fase de concepção pelas usinas... Devemos ter ao longo do tempo seis a sete projetos por ano até completar todas", afirmou Manzano à Reuters, durante o evento.

A empresa, que conta hoje com produção do gás renovável em apenas duas usinas, "agora mergulhou no mundo do biometano", disse o executivo.

Mas o conglomerado projeta que esse crescimento na implantação das fábricas de biometano, que exigem investimentos de R$200 milhões a R$300 milhões por unidade, está relacionado também com as diversas aplicações do biometano, que vão além do uso no transporte rodoviário, podendo ser utilizado em caminhões nas lavouras, nas indústrias e na geração de energia.

"Nosso projeto não é só a aplicação na frota da Copersucar. A ideia é fornecer biometano para qualquer um que queira movimentar o seu produto", disse o CEO, lembrando que 65% das cargas do Brasil são transportadas por caminhões, que utilizam diesel. "Então tem um potencial enorme." 

A Copersucar, que vendeu 15,6 milhões de toneladas de açúcar e de 19,1 bilhões de litros de etanol na safra 2024/25, citou estudo que aponta que a produção nacional de biometano deve mais do que triplicar até 2027, passando dos atuais 656 mil m³/dia para 2,3 milhões de m³/dia. Em dez anos, a empresa vê potencial de sua produção saltando para até 4 milhões de m³/dia, disse o executivo.

GARGALOS E INCENTIVOS

Mas o CEO da Copersucar destacou que o potencial é muito maior no futuro, sendo importante para ajudar o país a reduzir a sua dependência de importações de diesel --mais de 20% desse combustível fóssil consumido no Brasil é importado.

Enquanto isso, o biometano é um combustível gasoso produzido a partir da purificação do biogás gerado por resíduos da cana-de-açúcar, como a vinhaça, no caso do projeto da empresa. Há outras origens também do biocombustível, como aterros sanitários.

O presidente da Copersucar citou ainda que, a despeito das vantagens de custos e ambientais, o avanço da produção de biometano deverá ser incentivado pelos mandatos obrigatórios previstos na lei do Combustível do Futuro, que começaram com 0,5% de mistura no gás natural de origem fóssil.

"O grande motor dos investimentos é o mandato do biometano", afirmou Manzano a jornalistas, após o evento.

Com isso, o combustível renovável poderá vencer alguns gargalos, como a escassez de pontos de abastecimento, à medida que os investimentos sejam realizados, disse o executivo.

Hoje, os caminhões utilizam o biometano produzido em duas usinas da Cocal, uma das acionistas da Copersucar, situadas no interior de São Paulo. Os veículos têm autonomia de cerca de 600 km para levar o produto até o porto de Santos.

Com o BioRota, que já conta com mais de 70 caminhões a biometano, a Copersucar afirmou ter realizado entre abril de 2024 e março de 2026 mais de 13 mil viagens com caminhões utilizando biometano, percorrendo 11 milhões de km, transportando cerca de 600 mil toneladas de açúcar até o porto de Santos.

No período, a iniciativa evitou a emissão de mais de 8 mil toneladas de CO₂ ao substituir cerca de 5 milhões de litros de diesel por biometano -- equivalente ao carbono capturado por 380 mil árvores em um ano, segundo a empresa. 

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima e Marta Nogueira)

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Fonte:
Reuters

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