Ibovespa recua com exterior desfavorável e pesquisa eleitoral no radar

Publicado em 19/05/2026 16:55

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(Corrige no 3o parágrafo o saldo de capital estrangeiro negativo para R$9,6 bilhões (não R$6,4 bilhões)

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 19 Mai (Reuters) - O sinal negativo prevalecia na bolsa paulista nesta terça-feira, com o Ibovespa chegando a trabalhar em níveis de janeiro, em meio a um ambiente externo desfavorável para o mercado brasileiro e com nova pesquisa eleitoral também no radar.

Por volta de 11h25, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 1,05%, a 175.122,46 pontos, mas chegou a 173.543,76 no pior momento, mínima intradia desde 22 de janeiro. O volume financeiro somava R$6,27 bilhões. 

Em abril, o Ibovespa superou pela primeira vez os 199 mil pontos durante o pregão do dia 14, alimentando expectativas de que romperia a marca inédita dos 200 mil pontos. Mas o fôlego arrefeceu, minado principalmente pela saída de estrangeiros da bolsa.

De acordo com dados da B3, até o dia 15, o saldo de capital externo estava negativo em R$9,6 bilhões, excluindo ofertas de ações (follow-ons e IPOs). Abril ainda fechou com saldo positivo de quase R$3,2 bilhões - mas até o dia 15 eram R$14,6 bilhões. No ano, a bolsa ainda registra uma entrada líquida de R$46,9 bilhões.

O Ibovespa, que chegou a acumular uma valorização de mais de 23% até meados de abril (considerando dados de fechamento), agora soma uma alta de menos de 9%.

Embora uma parte da correção ditada pelo fluxo estrangeiro reflita uma rotação para ações de tecnologia no exterior, em movimento alinhado com outros emergentes, estrategistas também têm citado efeito da perspectiva de um ciclo de corte de juros mais lento do que anteriormente esperado no mercado.

O diretor de Política Monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta terça-feira que a autoridade monetária pretende manter os juros básicos em nível restritivo até que esteja convencida de que a inflação no país caminha em direção à meta de 3%.

Os preços do petróleo recuavam nesta sessão, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ter suspendido um ataque contra o Irã para permitir negociações para pôr fim à guerra no Oriente Médio. Mas o novo patamar das cotações da commodity tem alimentado preocupações com a inflação no mundo, incluindo o Brasil, mesmo com medidas recentes do governo para amenizar o impacto.

O cenário eleitoral no país também é acompanhado e nesta sessão destacava a pesquisa Atlas/Bloomberg mostrando que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu terreno na disputa presidencial, enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu vantagem. A maior parte do período da pesquisa, de 13 a 18 de maio, ocorreu após a publicação de reportagem sobre relações de Flávio com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Na visão do responsável pela área de renda variável da Criteria, Thiago Pedroso, o mercado hoje acredita que Lula não tratará com a seriedade necessária o tema fiscal, que exigirá em 2027 um ajuste mais abrangente.

Nos últimos anos, acrescentou, o atual governo acelerou os gastos, em parte para tentar melhorar a popularidade, o que cria uma "melhora artificial" no crescimento econômico, que não é acompanhada por aumento de produtividade. A consequência, destacou, é o Brasil ter atualmente um dos maiores juros reais do mundo, que mantém forte pressão sobre o endividamento público. "Embora Flávio não seja o candidato dos sonhos, o mercado o via como uma alternativa", citou. 

Pedroso ressaltou que a eleição ainda está longe e muita coisa pode acontecer. Mas, ponderou, o mercado muitas vezes reage a alguns eventos muito mais com o "fígado".

Em Wall Street, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, perdia 0,75%, em sessão também marcada pelo avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

DESTAQUES

• VALE ON recuava 1,83%, conforme os futuros do minério de ferro na China ampliaram a queda em meio a um plano chinês de controle mais rígido da sua capacidade siderúrgica. O contrato mais negociado em Dalian encerrou as negociações do dia com baixa de 0,87%. No setor, USIMINAS PNA destoava do viés negativo do setor com alta de 0,66%.

• ITAÚ UNIBANCO PN cedia 0,83% e BRADESCO PN perdia 0,85%, afastando-se das mínimas da sessão registradas mais cedo, enquanto BANCO DO BRASIL ON e SANTANDER BRASIL UNIT perdiam 0,49% e 0,26%, respectivamente.

• PETROBRAS PN caía 0,82% e PETROBRAS ON recuava 0,73%, acompanhando o declínio dos preços do petróleo no exterior, onde o barril sob o contrato Brent cedia 1,22%, a US$110,73.

• B3 ON era negociada em baixa de 4,49%, tendo de pano de fundo a eleição de Christian Egan como novo presidente-executivo da companhia. Egan substituirá Gilson Finkelsztain, que anunciou em março a sua saída. A B3 informou que a data da posse será informada oportunamente.

• XP, que tem suas ações listadas em Nova York, recuava 4,15% após reportar na noite da véspera lucro líquido ajustado de primeiro trimestre ligeiramente abaixo das expectativas no mercado. O grupo financeiro também anunciou troca de CFO, bem como dividendos de cerca de R$500 milhões e programa de recompra de ações de até R$1 bilhão.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)

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Fonte:
Reuters

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