Biológicos no manejo da palhada avançam como estratégia de produtividade no campo

Publicado em 03/06/2026 08:54

(*) Por Erich Duarte

Ao longo das últimas décadas, a agricultura brasileira consolidou ganhos expressivos de produtividade a partir da adoção de técnicas de manejo de pragas e doenças basicamente calcadas no uso de defensivos químicos. No entanto, a crescente pressão por eficiência econômica, associada aos desafios climáticos e à necessidade de sistemas mais resilientes, tem ampliado o espaço para soluções biológicas integradas ao processo tradicional.

Nesse contexto, um estudo conduzido ao longo de cinco anos - abrangendo dez safras de soja e milho - pela Universidade Kroton UNOPAR (Campus Bandeirantes - PR), sob a minha coordenação, e com a participação da equipe do Bio Centro de Pesquisa, buscou avaliar o impacto do uso de microrganismos no manejo da palhada em diferentes regiões produtoras do nosso País.

A estratégia adotada partiu de um princípio agronômico simples, mas ainda subexplorado em escala: a assepsia biológica da palhada antes do plantio. Foram utilizados microrganismos dos gêneros Trichoderma spp. e Bacillus spp., reconhecidos por sua capacidade de atuar na decomposição de resíduos vegetais, na supressão de patógenos e na promoção indireta do desenvolvimento das culturas.

Em algumas áreas, especialmente aquelas com maior pressão de doenças ou histórico de sistemas intensivos, a aplicação também foi estendida ao período outonal, ampliando a janela de atuação dos agentes biológicos e potencializando seus efeitos sobre o sistema produtivo.

Os resultados observados ao longo do estudo indicam ganhos consistentes de produtividade. Na soja, os incrementos variaram entre 3,8 e 7 sacas por hectare, enquanto no milho os aumentos oscilaram entre 4,2 e 7,8 sacas por hectare. Embora os números possam variar conforme condições edafoclimáticas e histórico de manejo, o padrão de resposta reforça o papel dos biológicos como ferramenta relevante dentro de uma estratégia integrada.

É importante destacar que, em nenhum momento, a abordagem proposta teve como objetivo substituir práticas consolidadas de manejo fitossanitário. Ao contrário, os resultados mais expressivos foram obtidos justamente onde houve integração entre tecnologias, o chamado empilhamento de soluções. A associação entre manejo químico, boas práticas agronômicas e o uso de microrganismos mostrou-se capaz de ampliar a eficiência do sistema como um todo.

Do ponto de vista microbiológico, o que se observa é uma reorganização do ambiente da palhada, com redução da carga de patógenos e estímulo à atividade biológica benéfica. Esse processo contribui não apenas para a sanidade inicial da lavoura, mas também para a dinâmica de nutrientes e para a estruturação do solo ao longo do tempo.

Os dados acumulados ao longo dessas dez safras indicam que o uso de biológicos no manejo da palhada deixa de ser uma prática pontual para assumir um papel estratégico. Em um cenário de custos crescentes, maior variabilidade climática e demanda por sustentabilidade, tecnologias que aumentam a eficiência sem substituir, mas sim complementar o manejo existente, tende a ganhar protagonismo.

A experiência de campo reforça uma tendência clara: o futuro da produtividade agrícola passa menos pela substituição de ferramentas e mais pela capacidade de integrá-las de forma inteligente e adaptada à realidade de cada sistema produtivo.

(*)Sobre o autor:

Erich Duarte, doutor em microbiologia agrícola e parceiro da Vitalforce, referência em bioinsumos para o agronegócio, no projeto Rally do Conhecimento. 

Sobre a Vitalforce:

A Vitalforce, empresa do Grupo Lwart, atua há mais de 18 anos no mercado e é referência em bioinsumos para o agronegócio. Seu portfólio reúne biofungicidas, bionematicidas, bioinseticidas, fertilizantes, óleos e adjuvantes que promovem uma agricultura mais sustentável e produtiva. Sediada em Barretos (SP), conta com uma planta industrial de 15.000 m² e presença comercial em diversos estados do Brasil, além de Paraguai e Uruguai. A empresa integra pesquisa e desenvolvimento, qualidade industrial e suporte técnico de campo, oferecendo recomendações personalizadas por cultura e região. Assim, contribui para preservar a vida do solo, otimizar o uso de insumos e entregar resultados consistentes, tanto no curto quanto no longo prazo. Para saber mais, acesse nosso site

 

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Por:
Por Erich Duarte
Fonte:
Assessoria Vital Force

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