Açúcar fecha em baixa com dólar forte e maior oferta global no radar

Publicado em 03/06/2026 16:03 e atualizado em 03/06/2026 16:52
Mercado devolveu os ganhos do início da sessão e voltou a reagir ao avanço da produção brasileira e das exportações da Tailândia, apesar das preocupações com o El Niño

Os preços do açúcar encerraram a quarta-feira (3) em queda nas principais bolsas internacionais. Após iniciarem o dia sustentadas pelas preocupações com os impactos do El Niño sobre a produção global, as cotações perderam força ao longo do pregão diante da valorização do dólar e da perspectiva de ampla oferta da commodity no mercado internacional.

Na Bolsa de Nova York, o contrato julho fechou cotado a 14,24 cents por libra-peso, com recuo de 14 pontos. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou negociado a US$ 444,80 por tonelada, queda de 100 pontos.

Os contratos chegaram a operar em alta durante a sessão, mas inverteram o sinal após o fortalecimento do índice do dólar, que atingiu o maior nível em cerca de um mês e meio. A valorização da moeda norte-americana estimula movimentos de realização de lucros e reduz a atratividade das commodities negociadas em dólar para compradores de outras moedas.

Além do fator cambial, o mercado continua pressionado pelo aumento da oferta global de açúcar. A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) informou que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.

O avanço da produção brasileira foi impulsionado pelo maior rendimento agrícola. O teor de sacarose atingiu 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual, reforçando a percepção de maior disponibilidade da commodity nos próximos meses.

Outro fator de pressão vem da Tailândia. As exportações do segundo maior exportador mundial de açúcar somaram 1,6 milhão de toneladas entre janeiro e abril deste ano, crescimento de 29% em relação ao mesmo período de 2025.

Apesar do viés baixista, os investidores seguem atentos aos riscos climáticos associados ao El Niño. O fenômeno pode reduzir o volume de chuvas em importantes regiões produtoras, como Brasil, Índia e Tailândia, afetando o potencial produtivo da próxima safra.

Recentemente, o serviço meteorológico da Índia reduziu sua previsão de chuvas para a temporada de monções de junho a setembro, de 92% para 90% da média histórica. O ajuste aumentou as preocupações sobre a produção do segundo maior produtor mundial de açúcar.


 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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