Suíno vivo segue pressionado no Brasil, enquanto APCS aponta estabilidade em SP
O mercado de suínos entrou em junho ainda pressionado no Brasil e em São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações do suíno vivo e da carne suína recuaram em maio pelo terceiro mês consecutivo, influenciadas pela baixa demanda interna e externa.
Para o suinocultor, o cenário exige atenção às margens, aos custos e ao ritmo de comercialização. Na praça SP-5, a média do animal vivo em maio foi a menor, em termos reais, desde julho de 2012, considerando a série histórica do Cepea. Já a Bolsa de Suínos da Associação Paulista de Criadores de Suínos (APCS) indicou estabilidade nos primeiros dias de junho, com o suíno vivo cotado a R$ 5,65/kg.
Cepea aponta queda pelo terceiro mês seguido
De acordo com pesquisadores do Cepea, a demanda chegou a melhorar perto do Dia das Mães, celebrado em 10 de maio. A data costuma elevar a procura por carnes e, em alguns momentos, também contribui para aquecer a demanda pelo animal vivo.
No entanto, o movimento positivo não se sustentou nas semanas seguintes. Com a procura mais fraca, os preços voltaram a registrar quedas consecutivas, pressionando o mercado do suíno vivo em diferentes regiões acompanhadas pelo centro de pesquisas.
A demanda externa também teve retração no período. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), considerados pelo Cepea, mostram queda de 15% na média diária dos embarques de maio, nos primeiros 15 dias úteis, em relação à média de abril. Segundo pesquisadores do centro, o setor suinícola nacional tem priorizado as vendas externas neste ano como forma de escoar a oferta de carne e tentar estimular reação nas cotações internas.
Indicadores mostram pressão nos estados produtores
Os dados do Cepea referentes a 5 de junho mostram que o suíno vivo seguia pressionado em importantes estados produtores. Em São Paulo, o indicador ficou em R$ 5,26/kg, com queda diária de 0,38% e recuo mensal de 0,75%.
Em Minas Gerais, o suíno vivo foi cotado a R$ 5,58/kg, com queda de 0,18% no dia e baixa de 0,71% no mês. No Paraná, o valor ficou em R$ 4,61/kg, com retração diária de 0,65% e queda mensal de 2,33%. No Rio Grande do Sul, o indicador foi de R$ 4,93/kg, estável no dia, mas com recuo de 3,71% no mês. Em Santa Catarina, a cotação ficou em R$ 4,73/kg, também estável no dia e com baixa mensal de 3,27%.
No atacado, a carcaça suína especial apresentou comportamento mais estável no começo de junho. Segundo o Cepea, o preço médio ficou em R$ 8,71/kg em 5 de junho, sem variação diária e com alta de 0,93% no mês. O movimento indica que a pressão foi mais intensa sobre o animal vivo do que sobre a carne no atacado.
APCS mostra estabilidade em São Paulo
No mercado paulista, a Bolsa de Suínos da APCS mostrou estabilidade para o suíno vivo nos primeiros dias de junho. Nos dias 1º, 2 e 3 de junho, o indicador permaneceu em R$ 5,65/kg.
A carcaça resfriada também manteve referências próximas no período. Em 1º e 2 de junho, os valores ficaram entre R$ 8,40/kg e R$ 9,60/kg. No dia 3, a referência passou para R$ 8,60/kg a R$ 9,60/kg.
O levantamento da APCS também mostra recuo no milho, importante insumo da alimentação animal. A saca de 60 kg passou de R$ 64,91 em 1º de junho para R$ 64,54 em 3 de junho. No mesmo intervalo, o boi gordo avançou de R$ 349,70/@ para R$ 352,30/@.
Margens seguem no radar do produtor
A combinação entre suíno vivo pressionado, carne em queda no acumulado de maio e demanda enfraquecida mantém o setor em alerta. Para o produtor paulista, a estabilidade apontada pela APCS no início de junho não elimina o cenário de cautela, já que os indicadores do Cepea ainda mostram retração mensal em diferentes praças.
O comportamento das próximas semanas deve depender da reação do consumo interno, do ritmo das exportações e dos custos de produção, especialmente milho e farelo de soja. Nesse cenário, acompanhar os dados do Cepea e da APCS ajuda o suinocultor a avaliar decisões de venda, retenção e planejamento da granja.
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