Real fraco e produção robusta derrubam preços do açúcar nas bolsas
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Os preços do açúcar encerraram a segunda-feira (8) em baixa nas principais bolsas internacionais, devolvendo os ganhos observados no início do pregão. O mercado voltou a ser pressionado pela desvalorização do real frente ao dólar e pelas perspectivas de ampla oferta global da commodity.
Na bolsa de Nova York, o contrato julho fechou com recuo de 2 pontos, negociado a 14,12 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco encerrou o dia cotado a US$ 445,10 por tonelada, queda de 180 pontos.
Após iniciar a sessão em alta, o mercado perdeu força ao longo do dia diante da fraqueza da moeda brasileira. O real atingiu o menor patamar em cerca de dois meses frente ao dólar, movimento que tende a estimular as exportações do açúcar brasileiro, aumentando a competitividade do produto no mercado internacional.
Oferta abundante
Além do fator cambial, os fundamentos de oferta seguem limitando avanços mais consistentes dos preços.
Dados divulgados pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA) mostraram que a produção de açúcar do Centro-Sul do Brasil alcançou 2,475 milhões de toneladas em abril da safra 2026/27, volume 55,3% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior.
O resultado foi favorecido pelo aumento da qualidade da matéria-prima. O teor de sacarose atingiu 112,58 quilos por tonelada de cana, alta de 5,4% na comparação anual.
Outro fator baixista continua sendo o desempenho das exportações da Tailândia. Entre janeiro e abril de 2026, o país embarcou 1,6 milhão de toneladas de açúcar, crescimento de 29% em relação ao mesmo período do ano passado. Como segundo maior exportador mundial da commodity, a Tailândia contribui para o cenário de abastecimento confortável no mercado global.
El Niño sustenta preocupações para a próxima safra
Apesar da pressão exercida pela oferta, os investidores seguem atentos aos riscos climáticos para a temporada 2026/27.
O mercado monitora os possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre Brasil, Índia e Tailândia, três dos principais produtores mundiais de açúcar. A expectativa é que o fenômeno reduza os volumes de chuva em importantes regiões produtoras, o que pode afetar a produtividade das lavouras e limitar a oferta futura.
Essa preocupação já aparece nas projeções para o próximo ciclo. Em maio, a Organização Internacional do Açúcar (OIA) elevou sua estimativa de superávit global para a safra 2025/26, prevendo produção recorde de 182 milhões de toneladas e excedente de 2,2 milhões de toneladas.
Para 2026/27, porém, o cenário muda. A entidade projeta queda de 1,15% na produção mundial, para cerca de 180 milhões de toneladas, e um déficit global de 262 mil toneladas, citando justamente os potenciais impactos do El Niño sobre as safras da Índia e da Tailândia.
Outras consultorias também acompanham de perto o balanço global. A StoneX projeta déficit de 550 mil toneladas para a próxima temporada, enquanto a Covrig Analytics estima superávit de 800 mil toneladas e a Czarnikow prevê excedente de 1,1 milhão de toneladas.
Com isso, o mercado segue dividido entre a ampla disponibilidade de açúcar no curto prazo e as incertezas climáticas que podem alterar o equilíbrio global da commodity nos próximos meses.
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