El Niño aperta o cerco sobre o Nordeste e agrava seca em áreas agrícolas do Matopiba

Publicado em 12/06/2026 10:41
Sem previsão de chuva significativa, produtores enfrentam calor de até 38°C e cenário de escassez hídrica que tende a se intensificar nas próximas semanas

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O avanço do período seco sobre a Região Norte acende um sinal de alerta para produtores rurais. A previsão indica redução significativa das chuvas nos próximos dias, especialmente em Tocantins, sul do Pará, Rondônia e Acre, enquanto o calor ganha intensidade e pode agravar os impactos da estiagem sobre lavouras e pastagens.

Segundo a meteorologista Estael Sias, a tendência é de que a chuva fique cada vez mais irregular e mal distribuída, cenário típico do inverno climático na região, mas que deve ser intensificado pela atuação do El Niño.

"A mensagem é de pouca chuva. Me arrisco a dizer que esse é o cenário que vai predominar nas próximas semanas e talvez meses na região", afirmou.

Os volumes previstos são baixos, em muitos casos entre apenas 2 e 8 milímetros, insuficientes para reverter o déficit hídrico. A especialista destaca que o momento exige planejamento por parte do setor agropecuário, principalmente nas áreas onde a atividade agrícola e pecuária é mais intensa.

"É hora de armazenar, na medida do possível, a água disponível, porque a partir de agora realmente começa um período mais seco. Sob influência do El Niño, essa característica será ainda mais forte", alertou.

Além da escassez de chuva, o calor deve aumentar nos próximos dias. Tocantins aparece como a área mais crítica, com temperaturas entre 34°C e 38°C. O calor também se intensifica na metade sul do Pará e em Rondônia, onde diversas localidades devem registrar máximas acima dos 35°C.

De acordo com Estael, a combinação de temperaturas elevadas e falta de precipitação deve marcar presença por um longo período. "O calor está escalado, não tem reserva. Vai jogar até a exaustão nas próximas semanas nessa região do Norte do Brasil", destacou.

O cenário preocupa especialmente produtores de grãos, pecuaristas e gestores de recursos hídricos, já que a redução das chuvas pode afetar a disponibilidade de água para abastecimento animal, irrigação e manutenção dos reservatórios ao longo da estação seca.

O Nordeste brasileiro enfrenta um cenário cada vez mais preocupante para o agronegócio. A combinação entre a influência do El Niño, a ausência de chuvas significativas e o avanço do calor intenso deve manter as áreas produtoras em alerta nos próximos dias e semanas.

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Nordeste: ausência de chuvas significativas e o avanço do calor intenso 

Segundo a meteorologista Estael Sias, os efeitos do fenômeno climático já são sentidos de forma mais evidente na região. "O El Niño fica lá no Pacífico, mas as consequências que a gente sente por aqui estão mais aceleradas", destacou.

Os mapas meteorológicos indicam praticamente ausência de chuva nas principais áreas agrícolas do Matopiba — região que engloba partes do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. As poucas precipitações previstas ficam restritas a pontos isolados do litoral, sem capacidade de aliviar a seca no interior nordestino.

"Uma chuva significativa não aparece no Nordeste. É um período que vai ficando cada vez mais crítico na medida em que persiste este quadro de escassez de chuva", afirmou Estael.

Além da falta de precipitação, o calor deve continuar intenso. As temperaturas permanecem entre 34°C e 38°C em áreas do Maranhão, Piauí e oeste da Bahia, incluindo importantes polos agrícolas como Balsas, Imperatriz, Barreiras e Santa Maria da Vitória.

Enquanto o Sul do país se prepara para uma nova onda de frio e geadas, o Nordeste seguirá sob domínio de uma massa de ar quente e seca.

"O que a gente espera para o Nordeste? Nada de mudança. Segue esse calor forte com temperaturas entre 34°C e 36°C", ressaltou a meteorologista.

A persistência desse padrão aumenta a preocupação com a disponibilidade de água para a agropecuária e pode ampliar os impactos sobre lavouras e pastagens, especialmente se o El Niño continuar ganhando força ao longo dos próximos meses.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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