Dólar cai ante real após EUA e Irã chegarem a acordo
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 15 Jun (Reuters) - O dólar iniciou a segunda-feira em baixa ante o real, após Estados Unidos e Irã terem chegado a um acordo para encerrar a guerra e reabrir o Estreito de Ormuz, enquanto no exterior a moeda norte-americana também cai ante as demais divisas.
Às 9h38, o dólar à vista cedia 0,35%, aos R$5,0432 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para julho -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- recuava 0,35%, aos R$5,0665.
Autoridades norte-americanas e iranianas afirmaram ter chegado a um acordo para pôr fim ao conflito e reabrir o Estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo. O memorando de entendimento deve ser assinado oficialmente na sexta-feira na Suíça.
Com isso, o petróleo Brent voltou a ceder nesta manhã, para a faixa dos US$83 o barril, enquanto os rendimentos dos Treasuries recuavam, com investidores reagindo positivamente às notícias sobre o acordo.
O dólar opera em queda ante quase todas as demais divisas globais, incluindo as de países emergentes como o real, o peso chileno e o peso mexicano.
"Não é surpresa que a solução para Ormuz traga uma onda de otimismo: o Fomc (Comitê de Mercado Abrerto do Federal Reserve) terá menos argumentos para subir os juros e o DXY (índice do dólar) tende a se enfraquecer, fatos que beneficiam os ativos de risco", disse nesta manhã o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em análise enviada a clientes.
No Brasil, o boletim Focus divulgado nesta manhã pelo Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas do mercado reportadas até a semana passada para o dólar no fim de 2026 foi de R$5,15 para R$5,20. Já a inflação projetada para este ano saltou de 5,11% para 5,30% e para o próximo ano foi de 4,03% para 4,10%.
Também houve nova elevação da projeção de inflação para 2028, de 3,65% para 3,68%, com o Focus traduzindo uma deterioração das expectativas já percebida nos preços dos ativos nas últimas semanas. Com isso, a taxa básica Selic esperada para o fim de 2026 foi de 13,50% para 13,75% e para o encerramento de 2027 passou de 11,50% para 12,00%.
Atualmente a Selic está em 14,50% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e outros países -- como EUA e Japão, cujas taxas estão em níveis bem menores -- vinha sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, o que conduziu as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.
Na sexta-feira, a moeda norte-americana à vista fechou com baixa de 0,76%, aos R$5,0610.
Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 60.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 1º de julho.
(Edição de Isabel Versiani)
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