Royal Rural: Chicago e Dólar aliviam o movimento, mesmo com anúncio de acordo entre EUA e Irã
Por Ronaldo Fernandes
O esperado era que, quando fosse anunciado esse acordo, o mercado reagisse forte, com Chicago e dólar para baixo. Isso aconteceu, mas por um breve momento. Logo a queda do dólar reduziu, voltando para o zero a zero, e Chicago virou para cima, tanto soja quanto milho. Acontece uma série de fatores. O primeiro ponto é a realização de lucro comum nesses movimentos. Quem estava vendido compra para colocar lucro no bolso. Não são novas posições, são compras de saída.
Outro ponto é que, mesmo sendo um anúncio positivo para o fim do conflito, com o petróleo caindo quase 5%, ainda não é o fim real e não veio no dia que o mercado esperava. A expectativa era de já ser assinado no domingo, dia 14. O que veio foi o anúncio de que será, sim, assinado, mas só na sexta, dia 19. A pergunta que fica é: está garantido mesmo? Até lá, um dos lados não pode fazer alguma besteira? O petróleo, sim, está colocando na conta o fim do conflito, mas o resto precisa ver para crer. Afinal, foram pelo menos 39 vezes que Trump anunciou que o conflito estava no fim, e não estava.
Outro ponto é a espera da Super Quarta. A inflação dos EUA saiu de 3,8% para 4,2%. É a inflação medida em maio, com o petróleo operando acima de US$ 100,00 por barril. Essa inflação deve cair na medição de junho, mas, mesmo assim, já está alta, bem acima da meta de 2%. Corte de juros, esquece. A dúvida agora é se mantém ou sobe. Quarta vai ser a primeira reunião presidida pelo novo Chair, Kevin Warsh. O que ele vai sinalizar: manter ou subir? Nesta quarta, o mercado já sabe que não faz nada, mantém os juros em 3,75%, mas o que importa é o sinal que vai vir para as próximas reuniões.
Nessa mistura de ingredientes, o mercado prefere esperar. Esperar o acordo, de fato, sair do papel. Esperar até quarta pelo sinal do futuro dos juros dos EUA. Pelo menos isso pesa mais para o dólar, já deixando óbvio o movimento que o dólar quer fazer: voltar para os R$ 5,00. Já em Chicago, o fator de espera é mais curto, porque a qualidade das lavouras também vai pesar antes de todos esses eventos.
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