Produtores de suínos pressionam governo por respostas diante de incertezas na Irlanda do Norte

Publicado em 17/06/2026 13:17
Entidade agrícola pede reunião urgente e cobra transparência sobre contratos e futuro da cadeia produtiva.

A União dos Agricultores do Ulster (UFU) solicitou uma reunião urgente com o ministro da Agricultura, Meio Ambiente e Assuntos Rurais da Irlanda do Norte, Andrew Muir, para discutir a situação de incerteza que atinge produtores independentes de suínos na região.

O pedido ocorre após encontro entre a entidade e a empresa Sofina Foods, no qual foram cobrados esclarecimentos sobre o futuro das propriedades familiares que fornecem para a unidade da companhia em Cookstown. A preocupação envolve contratos, prazos e a continuidade da participação dos produtores na cadeia de abastecimento.

O vice-presidente da UFU, Clement Lynch, afirmou que o tema exige respostas rápidas. “Não podemos deixar essa questão se arrastar. As granjas familiares de suínos estão enfrentando sérias incertezas e precisam de respostas claras sobre contratos, prazos de aviso prévio, futuros acordos de fornecimento e qual será o papel dos produtores independentes da Irlanda do Norte na cadeia de suprimentos daqui para frente.”

ynch também destacou a necessidade de diálogo com o setor. “Reconhecemos que as empresas de processamento estão operando em um mercado difícil, mas isso não elimina a necessidade de comunicação clara, justiça e diálogo adequado com as famílias de agricultores afetadas.”

Economia

Segundo a UFU, o problema vai além de contratos individuais e pode impactar o bem-estar animal, as comunidades rurais e a estrutura do setor. “A produção de suínos não pode simplesmente ser ligada e desligada. Os agricultores estão tomando decisões agora sobre reprodução, alimentação, instalações, mão de obra e investimento. Se os produtores ficarem sem um destino seguro para os suínos, isso poderá rapidamente se tornar um problema mais amplo de bem-estar animal e da cadeia de suprimentos”, afirmou Lynch.

O dirigente também defendeu maior atuação do governo. “É por isso que o DAERA precisa estar totalmente envolvido. Trata-se de proteger as fazendas familiares, manter a produção local e garantir que a Irlanda do Norte não perca os produtores independentes de suínos que têm sustentado a cadeia de suprimentos por anos.”

A entidade busca ainda informações detalhadas da Sofina sobre o número de propriedades afetadas, volume de animais, condições contratuais e estratégias futuras. “Nossos membros não buscam simpatia. Eles buscam fatos, justiça e um futuro”, acrescentou.

Em resposta, o diretor de agricultura do grupo Sofina, Graham Wilkinson, confirmou mudanças nos contratos. “A Sofina confirma que um pequeno número de contratos de fornecimento de suínos na Irlanda do Norte não será renovado no final deste ano, refletindo a contínua pressão de baixa no mercado.”

Segundo ele, o cenário é influenciado por fatores externos. “Essa pressão está sendo sentida em todo o setor, impulsionada em parte pelo aumento da concorrência da oferta europeia após o impacto da peste suína africana e mudanças nos fluxos comerciais.”

Wilkinson também ressaltou o impacto das decisões. “Decisões dessa natureza nunca são tomadas de forma leviana e reconhecemos o impacto que elas têm em nossa cadeia de suprimentos. Nos reunimos com a UFU para ouvir suas preocupações e reconhecemos a necessidade de uma comunicação clara e oportuna.”

O executivo afirmou ainda que a empresa pretende manter o compromisso com o setor. “Como um dos principais fabricantes de alimentos, permanecemos firmemente comprometidos com o setor suíno britânico e norte-irlandês e, por meio da colaboração e inovação, continuaremos a trabalhar com nossos fornecedores, clientes e com o setor em geral.”

Ele citou iniciativas recentes da companhia. “Foi exatamente por isso que lançamos recentemente o Sofina Connect, um programa desenvolvido especificamente para abordar esses tipos de desafios do setor, reunindo agricultores e clientes para responder às pressões do mercado, compartilhar riscos, melhorar a resiliência nas fazendas e apoiar um futuro mais sustentável e de longo prazo para o setor.”

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Por:
Pig-world, com edição Agrimídia
Fonte:
Pig-world, com edição Agrimídia

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