Azeite da Mantiqueira chega à final do Prêmio CNA Brasil Artesanal

Publicado em 19/06/2026 11:08
Conquista reflete a evolução da produção de azeites em Minas Gerais que deverá alcançar aproximadamente 300 mil litros em 2026

Um azeite produzido no Sul de Minas está entre os finalistas do Prêmio CNA Brasil Artesanal 2026 – Azeite de Oliva, voltado à valorização da produção artesanal brasileira. O Azeite Alto das Oliveiras, de Delfim Moreira, conquistou uma vaga entre os cinco melhores da categoria Monovarietal, destinada a azeites elaborados a partir de uma única variedade de azeitona.

Produzido com a variedade italiana Grapollo, o azeite foi selecionado entre diversas amostras de todo o país. A avaliação foi realizada por especialistas do setor, que analisaram critérios como aroma, amargor, picância, complexidade e identidade regional dos produtos inscritos.

A conquista reflete o trabalho desenvolvido por produtores atendidos pelo programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Olivicultura. O primeiro grupo voltado para a atividade em Minas Gerais foi criado em janeiro de 2025 e reúne cerca de 30 produtores da Serra da Mantiqueira. Entre eles está José Martins, responsável pelo azeite finalista.

Em uma propriedade de 3 hectares, José Martins colhe cerca de 1.500 quilos de azeitonas por ano, volume que resulta em aproximadamente 150 litros de azeite. Certificado como produtor orgânico e biodinâmico, ele decidiu se inscrever no prêmio por incentivo do técnico de campo do ATeG.

“O Prêmio CNA, mais do que dar visibilidade ao meu produto, representa visibilidade para os azeites brasileiros, que hoje apresentam altíssima qualidade. O consumidor está aprendendo a reconhecer e valorizar azeites de excelência”, afirma.

Segundo o técnico de campo Daniel F. Miranda, que atua há 13 anos na olivicultura, o acompanhamento técnico tem contribuído para a adoção de práticas mais eficientes de manejo, incluindo o controle de pragas e doenças, a melhoria da fertilidade do solo e a adequação das técnicas de cultivo.

“Nosso trabalho foi mostrar a importância do manejo adequado para a cultura. Mas, na olivicultura, o clima continua sendo um fator decisivo para o sucesso da safra”, explica. De acordo com o técnico, as oliveiras necessitam de pelo menos 400 horas de frio, com temperaturas abaixo de 12°C e baixa amplitude térmica, para garantir um bom desenvolvimento e produtividade.

Produção em crescimento

Os resultados obtidos pelo grupo atendido pelo ATeG evidenciam a evolução da atividade. Na safra de 2026, os produtores colheram mais de 74 toneladas de azeitonas em uma área de 46 hectares. O desempenho representa uma recuperação expressiva em relação à safra de 2025, quando as condições climáticas desfavoráveis limitaram a produção a apenas 2 toneladas em 16 hectares.

Em Minas Gerais, segundo estimativas da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), a produção de azeite deverá alcançar aproximadamente 300 mil litros em 2026, estabelecendo um novo recorde. O volume representa uma forte recuperação em relação aos 50 mil litros produzidos em 2025 e o dobro do recorde anterior, registrado em 2024, quando a produção chegou a 150 mil litros.

Promovido pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Prêmio CNA Brasil Artesanal reconhece produtores que se destacam pela excelência, autenticidade e qualidade de seus produtos. Além da avaliação técnica e sensorial por júri popular, a premiação considera a história de produção e a identidade dos azeites, valorizando o terroir e o trabalho desenvolvido no campo.

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Fonte:
FAEMG

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