Açúcar fecha em alta com ajuste técnico e atenção voltada ao clima na Índia
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Os preços do açúcar encerraram a sessão desta terça-feira (23) em alta nas bolsas internacionais, em um movimento de recuperação técnica após as fortes perdas registradas nos últimos dias. O mercado encontrou suporte na cobertura de posições vendidas e em fatores relacionados à oferta global, embora os ganhos tenham sido limitados pela queda dos preços do petróleo.
Em Nova York, o contrato julho fechou com avanço de 7 pontos, cotado a 13,42 cents por libra-peso. Em Londres, o contrato agosto do açúcar branco registrou alta de 700 pontos, encerrando o pregão a US$ 441,10 por tonelada.
A recuperação ocorre após o mercado nova-iorquino atingir, na segunda-feira, o menor nível em dois meses. Na ocasião, as cotações foram pressionadas pela reabertura do Estreito de Ormuz, que reduziu as preocupações com interrupções no comércio global. A normalização da rota marítima tende a diminuir os custos de frete, seguros e combustíveis, reduzindo também os custos de importação do açúcar.
Apesar da alta nesta terça-feira, o mercado continuou encontrando resistência na fraqueza do petróleo. O WTI chegou aos menores níveis dos últimos três meses e meio, pressionando os preços do etanol. Com margens menos atrativas para o biocombustível, cresce a expectativa de que usinas ao redor do mundo ampliem a produção de açúcar, aumentando a oferta da commodity no mercado internacional.
Do lado dos fundamentos, o açúcar recebeu suporte dos números divulgados pela Unica. A entidade informou que a produção de açúcar do Centro-Sul na safra 2026/27 somou 6,84 milhões de toneladas até o fim de maio, volume 2% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
Os dados também mostram uma mudança importante no mix de produção das usinas brasileiras. A parcela da cana destinada à fabricação de açúcar caiu para 41,42%, contra 50,09% no ano passado. Em contrapartida, a participação do etanol avançou para 58,58%, refletindo a maior atratividade do biocombustível no mercado interno.
Outro fator de sustentação veio da consultoria Czarnikow, que revisou recentemente sua projeção para o balanço global de açúcar na safra 2026/27. A estimativa passou de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas, refletindo a expectativa de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras.
As atenções também seguem voltadas para a Índia. Dados do Departamento Meteorológico do país mostram que o acumulado de chuvas da temporada de monções estava 43% abaixo da média até 22 de junho. Como o período de monções, que vai de junho a setembro, é fundamental para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o mercado acompanha de perto qualquer sinal de impacto sobre a produção do segundo maior produtor mundial da commodity.
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