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Itaú BBA aponta para safra 2026/27 mais desafiadora diante de El Niño, custos elevados e pressão sobre preços

Publicado em 03/07/2026 12:37
Dados estão disponíveis no Visão Agro, relatório divulgado pela Consultoria Agro do banco

O Itaú BBA divulgou nesta quinta-feira (2) a 7ª edição do Visão Agro, relatório anual elaborado pela Consultoria Agro do banco que reúne as perspectivas para o agronegócio brasileiro no ciclo 2026/27. O estudo indica que a nova safra será marcada por um ambiente mais desafiador para os produtores, diante da combinação de riscos climáticos, custos elevados de produção, preços pressionados das commodities e incertezas no cenário internacional.

De acordo com o relatório, após quatro anos de margens comprimidas e oferta abundante de produtos agrícolas, o setor inicia um novo ciclo sob a influência de um forte fenômeno El Niño, que pode afetar a produtividade de forma diferente entre as regiões do país.

O estudo também destaca que o ambiente geopolítico continua sendo um fator de preocupação, especialmente pela dependência brasileira de fertilizantes importados. A volatilidade dos nitrogenados e os preços elevados dos fosfatados, aliados à fragilidade financeira de parte dos produtores, devem reduzir os investimentos em tecnologia na próxima safra, tornando o uso eficiente dos insumos e a qualidade da assistência agronômica fatores decisivos para a rentabilidade.

Segundo o Visão Agro, as commodities agrícolas iniciam o ciclo 2026/27 com preços pressionados. Uma recuperação mais consistente dependerá de ajustes na oferta global. Caso as condições climáticas favoreçam o desenvolvimento das safras, a expectativa é de manutenção desse cenário de preços mais baixos.

No mercado de grãos, o relatório aponta cenários distintos para soja e milho. Na soja, o mercado mundial inicia o ciclo 2026/27 com estoques mais ajustados, após a produção praticamente igualar o consumo na safra 2025/26, tornando os preços mais sensíveis a eventuais perdas de produtividade provocadas pelo clima. Já no milho, a boa safrinha de 2025/26 garante um balanço doméstico confortável para o segundo semestre de 2026 e o início de 2027. Apesar disso, a demanda segue aquecida, impulsionada principalmente pelos setores de proteínas animais e de etanol, enquanto os riscos climáticos associados ao El Niño permanecem no radar.

No algodão, a redução da produção entre importantes exportadores, como Estados Unidos e China, combinada ao crescimento moderado da demanda, reduz os estoques globais e favorece um viés positivo para os preços. O Brasil deve manter sua posição como principal exportador mundial da pluma.

O cenário permanece desafiador para arroz e trigo. No arroz, o excesso de oferta ainda pressiona as cotações, tornando necessária uma nova redução da área plantada para permitir a recuperação dos preços. No trigo, margens pouco atrativas devem limitar investimentos e reduzir a área cultivada, cenário que pode ser agravado pelos efeitos do El Niño.

No setor sucroenergético, a queda dos preços do açúcar e do etanol, associada aos elevados custos de fertilizantes e diesel, leva os produtores a adotarem maior cautela nos investimentos nos canaviais. Apesar disso, a expectativa é de uma safra volumosa, com maior direcionamento da produção para o etanol. O principal risco está na execução da colheita, caso ocorram limitações operacionais ou eventos climáticos adversos.

Para o café, a projeção é de uma safra recorde em 2026/27, impulsionada pela recuperação da produção de arábica. O aumento da oferta deve aliviar o balanço global e favorecer uma acomodação dos preços, embora eles permaneçam em níveis historicamente elevados, garantindo boas margens aos produtores mais eficientes.

Na citricultura, mesmo com uma safra considerada baixa em termos históricos, a pressão sobre os preços da fruta continua elevada. Segundo o relatório, os melhores resultados tendem a ser obtidos pelos produtores com maior produtividade e contratos mais vantajosos com a indústria.

No segmento de proteínas animais, o custo da ração segue relativamente favorável. No entanto, aves e suínos enfrentam pressão sobre os preços das carnes devido ao aumento da oferta, com destaque para a piora das margens na suinocultura. Para o boi gordo, o segundo semestre inspira cautela diante da expectativa de redução das exportações para a China, embora o banco projete uma recuperação gradual do mercado no início de 2027, acompanhando a transição do ciclo pecuário.

"Diante desse pano de fundo, a preservação da liquidez e a disciplina na tomada de decisão passam a exercer um papel central. Assim, mais do que buscar ganhos de produtividade, torna-se fundamental proteger margens, equilibrar o fluxo de caixa e garantir flexibilidade financeira para atravessar períodos de maior estresse", finaliza Cesar de Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA.

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Fonte:
Itaú BBA

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