Açúcar amplia perdas nas bolsas, mas oferta global ainda mantém mercado em alerta

Publicado em 10/07/2026 12:15 e atualizado em 10/07/2026 13:18
Mercado acompanha recuperação das monções no segundo maior produtor mundial, mas perspectivas de déficit global e riscos climáticos seguem limitando perdas da commodity.

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As cotações do açúcar operam em queda nas bolsas internacionais nesta sexta-feira (10), em um movimento de ajuste após a forte valorização registrada nas últimas semanas. Os investidores acompanham a melhora das chuvas na Índia, que reduz parte das preocupações com a oferta global, embora fatores estruturais ainda sustentem o mercado.

Por volta das 12h (horário de Brasília), em Nova Iorque, o contrato outubro era negociado a 14,84 cents por libra-peso, com queda de 24 pontos. O vencimento março/27 recuava 29 pontos, cotado a 15,80 cents por libra-peso.

Em Londres, o contrato agosto era negociado a US$ 466,60 por tonelada, baixa de 120 pontos. Já o contrato outubro caía 870 pontos, para US$ 462,90 por tonelada.

Na sessão anterior, o fortalecimento do real frente ao dólar ajudou a sustentar as cotações em Nova Iorque. Com a moeda brasileira atingindo o maior valor em cerca de três semanas, diminui o incentivo para que os produtores brasileiros ampliem as vendas externas, reduzindo a oferta da commodity no mercado internacional.

Nesta sexta-feira, porém, o mercado volta suas atenções para a evolução do clima na Índia. O déficit de chuvas durante a temporada de monções caiu para 15% abaixo da média histórica até 8 de julho, uma melhora significativa em relação aos 42% registrados no fim de junho, reduzindo parte da pressão altista sobre os preços.

Apesar dessa recuperação, as preocupações não foram completamente dissipadas. O Ministério de Ciências da Terra da Índia mantém o alerta de que a temporada de monções poderá ser a mais fraca dos últimos 11 anos. Como as chuvas entre junho e setembro são decisivas para o desenvolvimento da cana-de-açúcar, o mercado segue atento aos possíveis impactos sobre a produção do segundo maior produtor mundial.

Nas últimas duas semanas, as cotações acumularam forte valorização. Na quarta-feira, o açúcar em Nova Iorque atingiu o maior patamar em cerca de dois meses, enquanto os contratos em Londres alcançaram os maiores níveis em aproximadamente dez meses, refletindo os temores de uma oferta global mais restrita.

Déficit global continua dando suporte ao mercado

Outro fator que segue oferecendo sustentação às cotações é a revisão das perspectivas para a safra mundial de açúcar. A consultoria Czarnikow passou a projetar um déficit global de 600 mil toneladas na temporada 2026/27, principalmente em razão da redução da produção na União Europeia.

Segundo a consultoria, a intensa onda de calor que atinge a Europa comprometeu o desenvolvimento da beterraba sacarina e reduziu a área plantada. Com isso, a estimativa para a produção de açúcar da UE-27 foi revisada para 13,9 milhões de toneladas.

Embora o excedente da safra anterior reduza o risco de uma escassez imediata, a Czarnikow avalia que o mercado terá menos margem para absorver eventuais perdas de produção em outros grandes países produtores ao longo da temporada.

Além disso, os investidores seguem monitorando a evolução do El Niño. Na semana passada, a agência meteorológica das Nações Unidas elevou sua previsão para a categoria forte e não descartou a possibilidade de que o fenômeno evolua para um episódio muito forte nos próximos meses.

O El Niño costuma provocar seca e calor em importantes produtores de açúcar, como Índia e Tailândia, ao mesmo tempo em que pode favorecer chuvas excessivas durante a colheita no Brasil, fatores que continuam sendo acompanhados de perto pelo mercado devido aos possíveis impactos sobre a oferta mundial da commodity.

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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