Açúcar fecha misto nas bolsas, com mercado de olho em importações da Índia e oferta global

Publicado em 24/08/2026 16:15 e atualizado em 24/08/2026 18:47
Nova Iorque encerra em alta, enquanto Londres recua após máximas recentes; expectativa de menor volume de importação pela Índia limita o suporte às cotações, mas déficit global mantém mercado sustentado.

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Os preços do açúcar encerraram a sessão desta segunda-feira (24) em direções opostas nas bolsas internacionais, após as fortes altas registradas na semana passada. Em Nova Iorque, o mercado conseguiu manter o movimento positivo, enquanto Londres recuou, pressionado por novas estimativas de que a Índia poderá importar menos açúcar do que o inicialmente previsto. 

Em Nova Iorque, o contrato de outubro fechou em alta de 4 pontos, a 17,65 cents por libra-peso. Já em Londres, o contrato de outubro caiu 157 pontos, para US$ 535,90 por tonelada.
Índia pode importar menos açúcar

Um dos principais fatores de pressão sobre os preços nesta segunda-feira foi a expectativa de que a Índia importe um volume menor de açúcar do que o inicialmente estimado.

A Greenleaf, empresa indiana de análise do setor açucareiro, afirmou que o país provavelmente não conseguirá importar mais de 500 mil toneladas até 31 de outubro, volume correspondente à metade do limite de 1 milhão de toneladas autorizado pelo governo.

Na última quinta-feira (20), a Diretoria Geral de Comércio Exterior da Índia havia anunciado a autorização para a importação de até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto com isenção de impostos até 31 de outubro.

A medida foi adotada para ampliar a oferta doméstica e conter os preços antes do aumento esperado do consumo durante a temporada de festas. A decisão chamou atenção do mercado porque a Índia é o segundo maior produtor mundial e normalmente ocupa posição de exportadora. O país não realiza compras externas significativas desde a safra 2017/18.

A possibilidade de uma importação efetiva menor que o limite autorizado, portanto, reduz parte do impacto esperado da medida sobre a disponibilidade global.

Setor indiano vê oferta suficiente

Outro fator que pesou sobre as cotações foi a avaliação da Associação Indiana de Fabricantes de Açúcar e Bioenergia (ISMA) de que não há escassez de açúcar no país.

A entidade afirmou que os estoques são suficientes para atender ao aumento da demanda esperado durante a temporada de festivais.

A ISMA também projeta que a produção de açúcar da Índia em outubro alcance 1 milhão de toneladas, acima dos níveis considerados normais para o período, de cerca de 300 mil a 400 mil toneladas.

As informações reduziram as preocupações com uma possível falta imediata do produto no mercado indiano e contribuíram para limitar a valorização das cotações internacionais.

Mercado ainda sustenta prêmio de oferta

Apesar da pressão vinda da Índia, o cenário global continua apontando para uma oferta mais apertada.

Na última quinta-feira, o açúcar em Nova Iorque atingiu a maior cotação em 15 meses, enquanto Londres alcançou a maior marca em 17 meses, diante das perspectivas de menor disponibilidade da commodity.

As projeções de déficit para 2026/27 foram revisadas por diferentes consultorias nas últimas semanas.

A Covrig Analytics passou a estimar um déficit global de 300 mil toneladas, revertendo a previsão anterior de superávit de 100 mil toneladas. A Green Pool Commodity Specialists elevou sua projeção de déficit para 3,3 milhões de toneladas, ante 1,76 milhão de toneladas anteriormente.

Já a StoneX passou a projetar um déficit de 1,7 milhão de toneladas, acima dos 550 mil toneladas estimados em maio. A Czarnikow também alterou sua previsão, de um superávit de 1,4 milhão de toneladas para um déficit de 100 mil toneladas.

Para 2027/28, o cenário também é de aperto. Em 14 de agosto, a Czarnikow estimou um déficit global de 2,9 milhões de toneladas. A consultoria prevê queda de 0,7% na produção mundial, para 177 milhões de toneladas, principalmente devido aos impactos climáticos na Índia, União Europeia e Tailândia e à redução das áreas plantadas com cana e beterraba.
 

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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