Déficit hídrico ameaça lavouras no Centro-Norte e acende alerta para o produtor

Publicado em 24/08/2026 11:26
Baixa umidade do solo e déficit hídrico que pode superar 50 milímetros em algumas áreas aumentam o estresse sobre lavouras; Sul concentra as melhores condições de armazenamento de água

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O balanço hídrico do solo é um dos indicadores que ajudam o produtor rural a entender quanto de água está disponível para as plantas e se a lavoura está entrando em uma condição de estresse. A conta considera a água que entra no sistema, principalmente por meio das chuvas e da irrigação, e as perdas provocadas pela evaporação, pelo consumo das plantas e pela drenagem.

No cenário atual, o mapa de umidade do solo mostra uma situação bastante desigual no Brasil. Enquanto áreas do Sul apresentam armazenamento elevado de água após as chuvas recentes, grande parte das regiões centrais e do Centro-Norte permanece com o solo mais seco.

De acordo com a meteorologista Amanda Balbino, da Ampere Consultoria, as regiões centrais, sudoeste e áreas de mata apresentam atualmente baixo armazenamento de água no solo. “Nas regiões centrais, sudoeste, regiões de mata, nós temos um armazenamento muito baixo, ou seja, solo mais seco mesmo nessas áreas”, afirma.

Segundo a especialista, o cenário é consequência também do período de inverno mais quente observado nessas áreas. Onde a umidade é um pouco maior, o armazenamento chega a cerca de 65% da capacidade máxima.

Sul concentra maior armazenamento de água

A situação é diferente no Sul do país. As chuvas recentes elevaram o armazenamento de água no solo no oeste do Paraná, em Santa Catarina e principalmente no Rio Grande do Sul.

“Por causa das chuvas que aconteceram na região, o armazenamento do solo tá alto. Em algumas áreas, até mesmo já com sua capacidade máxima”, explica Amanda.

A tendência para o fim da semana é de manutenção da umidade mais elevada no Rio Grande do Sul. Santa Catarina também deve apresentar condições razoáveis em algumas áreas, especialmente no leste do Estado.

No Paraná, entretanto, a perspectiva é menos favorável. A previsão indica pouca recuperação da umidade do solo, principalmente nas áreas mais ao norte e no Centro-Oeste.

Centro-Oeste e Cerrado entram no radar

A condição mais preocupante aparece em partes do Centro-Oeste, onde a combinação entre temperaturas elevadas, pouca chuva e elevada demanda de água pela atmosfera favorece a perda de umidade do solo.

A especialista destaca que, ao final da semana, algumas áreas poderão apresentar níveis de umidade próximos de 30% da capacidade de armazenamento. Mato Grosso do Sul também aparece entre as regiões com condição mais seca.

No Sudeste, a previsão de chuva deve favorecer principalmente áreas do Rio de Janeiro e do Vale, onde a umidade do solo pode superar 50% a 60%. Já em Minas Gerais, os efeitos são mais limitados, e algumas áreas devem permanecer com umidade abaixo de 30%.

“Grande parte do país, a gente tem um cenário do solo mais seco”, resume a meteorologista.

deficit hidrico
Mapa mostra a previsão de déficit hídrico no Brasil com destaque para áreas do Centro-Norte. Fonte: Ampere Consultoria.

Déficit hídrico pode superar 50 milímetros

Além da umidade atual, o balanço hídrico projetado para os próximos dias reforça a preocupação em áreas do Centro-Norte. O déficit hídrico acumulado até o fim da semana pode superar 50 milímetros em algumas regiões.

O cenário chama atenção especialmente para áreas do Matopiba, região que reúne Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. No oeste da Bahia, por exemplo, o déficit projetado pode alcançar entre 56 e 57 milímetros.
Maranhão, Tocantins e partes de Mato Grosso também aparecem com níveis elevados de déficit hídrico.

Na prática, quanto maior o déficit, maior é a diferença entre a água disponível no solo e a quantidade necessária para atender à demanda das plantas e da atmosfera. Em lavouras sem irrigação, a condição pode aumentar o risco de estresse hídrico, principalmente quando o período seco se prolonga.

Culturas de inverno exigem atenção

O cenário merece atenção especial para as culturas de inverno cultivadas no Cerrado, principalmente para as lavouras de trigo que estão em fases mais tardias do ciclo. A combinação entre solo seco e temperaturas elevadas aumenta a demanda hídrica das plantas e pode acelerar a perda de água, justamente em um momento importante para o desenvolvimento e o enchimento dos grãos.

Segundo Amanda Balbino, da Ampere Consultoria, a condição representa um alerta para o produtor e pode comprometer o potencial produtivo das lavouras. “Para essas lavouras de trigo de inverno, isso realmente é um alerta bastante importante para o produtor. Cortar esse processo acaba comprometendo, trazendo uma redução no final desse grão e pode comprometer a produtividade.”

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Por:
Andréia Marques
Fonte:
Notícias Agrícolas

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