Plantio do milho verão chega a 17,6% e segue acima da média histórica, mas clima limita avanço no Sul

Geadas causaram danos em lavouras do RS, enquanto excesso de umidade dificulta semeadura e emergência em áreas de SC e PR
Publicado em 15/09/2026 11:02 | Atualizado em 15/09/2026 13:16

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O plantio da primeira safra de milho 2026/27 avançou para 17,6% da área prevista no Brasil, mantendo ritmo superior tanto ao registrado no mesmo período do ano passado quanto à média das últimas cinco safras, segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Na semana anterior, 11% da área havia sido semeada. No mesmo período de 2025, os trabalhos alcançavam 14,7%, enquanto a média histórica para esta época é de 14,4%.

Apesar do avanço nacional, as condições climáticas têm imposto dificuldades à implantação e ao estabelecimento das lavouras em partes da região Sul.

No Rio Grande do Sul, a semeadura já ultrapassou metade da área prevista e o estabelecimento das primeiras lavouras é considerado satisfatório pela Conab. As geadas registradas nos dias 6 e 7 de setembro, porém, atingiram áreas em desenvolvimento vegetativo, com danos observados.

A situação já vinha sendo acompanhada pelo Notícias Agrícolas. Na semana passada, produtores gaúchos relataram folhas queimadas pela geada em áreas de milho, embora o impacto final sobre o potencial produtivo ainda dependa do estágio de desenvolvimento das plantas.

Levantamento da Emater/RS aponta 54% da área estadual implantada, de uma projeção total de 896,4 mil hectares. O órgão também alertou que o frio intenso pode atrasar germinação e emergência e prejudicar a uniformidade do estande nas áreas semeadas mais recentemente.

Além das baixas temperaturas, o monitoramento fitossanitário no estado segue atento à cigarrinha-do-milho e aos percevejos.

Em Santa Catarina, o plantio avança principalmente no Oeste e Extremo Oeste, mas a elevada umidade do solo vem limitando o ritmo dos trabalhos. A maior parte das lavouras está em emergência e desenvolvimento vegetativo, com estabelecimento considerado satisfatório, embora áreas implantadas em solos excessivamente úmidos apresentem maior risco de falhas de emergência.

No Paraná, as chuvas também interromperam a semeadura em algumas regiões. As lavouras implantadas encontram-se, em sua maioria, em emergência e desenvolvimento vegetativo, com atenção para ataques de cigarrinha-do-milho.

A situação é mais evidente em Pato Branco, no Sudoeste paranaense. Segundo levantamento do Realidades da Safra, o milho verão deveria estar praticamente 100% semeado neste momento, mas os trabalhos estão próximos de 80%.

As primeiras áreas implantadas no fim de agosto foram beneficiadas pelas precipitações após um período de menor disponibilidade de água. Na sequência, porém, o aumento dos volumes de chuva e temperaturas entre 5°C e 6°C passaram a prejudicar principalmente a emergência das plantas.

O cenário mostra, portanto, duas velocidades neste início de safra. Nacionalmente, a semeadura segue acima do ritmo de 2025 e da média histórica, mas excesso de umidade, baixas temperaturas e episódios de geada trazem dificuldades localizadas para a implantação e o estabelecimento das lavouras no Sul.

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