Milho cai em Chicago com avanço da safra dos EUA, enquanto B3 resiste à pressão externa

Entrada da produção americana e queda generalizada das commodities pesam em Chicago nesta 5ª (17)
Publicado em 17/09/2026 17:44

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Os preços do milho encerraram esta quinta-feira (17) em baixa na Bolsa de Chicago, pressionados pelo avanço da safra norte-americana e pelo movimento negativo observado entre as commodities agrícolas de maneira generalizada ao longo do dia. Na B3, porém, os futuros conseguiram resistir melhor à pressão externa e terminaram a sessão muito próximos da estabilidade, mas em campo positivo. Em Chicago, o dezembro/26 perdeu 3,75 e fechou a US$ 5,30 por bushel, enquanto o março/27 recuou 4,25 pontos para US$ 5,44. 

A entrada da safra dos Estados Unidos amplia sazonalmente a disponibilidade do cereal e exerce pressão sobre as cotações nesta quinta-feira. 
E segundo análise da Agrinvest Commodities, as vendas semanais norte-americanas somaram 1,026 milhão de toneladas, volume dentro das expectativas do mercado, mas sem força suficiente para alterar o movimento baixista.

O milho ainda sentiu o ambiente negativo observado em boa parte das commodities, em uma sessão marcada também por perdas do petróleo, soja e trigo.

Apesar da pressão de curto prazo, a Agrinvest destaca que um balanço mundial mais apertado restringe espaço para quedas mais prolongadas. Nesta quinta, o IGC (Conselho Internacional de Grãos) elevou sua estimativa para a produção mundial de grãos em 4 milhões de toneladas, para 2,420 bilhões, com o aumento projetado para o trigo compensando um corte na estimativa para o milho. Os estoques finais foram estimados em 608 milhões de toneladas, 4% abaixo do ano anterior.


B3 RESISTE E JANEIRO PERMANECE ACIMA DOS R$ 80

Na B3, o comportamento foi bem mais contido. O janeiro/27 terminou a R$ 80,30 por saca, alta de 0,19%, enquanto março avançou 0,06%, para R$ 81,90. Maio ganhou apenas 0,01%, a R$ 80,40, e julho subiu 0,13%, para R$ 79,04. Setembro destoou, com baixa de 0,19%, cotado a R$ 78,99 por saca.

Ainda de acordo com o time de análises da Agrinvest, os vencimentos mais próximos encontraram maior suporte no mercado doméstico, enquanto a pressão de Chicago apareceu principalmente nas posições mais longas ao longo do pregão.

No físico, a percepção da consultoria é de que as negociações estão mais concentradas na soja do que no milho. O produtor busca aproveitar preços mais sustentados da oleaginosa, enquanto o cereal ainda encontra algum suporte nos valores da safrinha.

POUCA MOVIMENTAÇÃO NO FÍSICO

No mercado físico brasileiro, a quinta-feira também foi marcada por poucas alterações nas principais praças acompanhadas pelo Notícias Agrícolas, reforçando o cenário de estabilidade observado nos contratos mais próximos da B3.

Entre as praças com movimentação, Castro (PR) avançou 1,54%, para R$ 66,00 por saca, enquanto Sorriso (MT) recuou 1,00%, para R$ 49,50. Nas demais referências apresentadas no levantamento, predominou a estabilidade.

No Paraná, por exemplo, Marechal Cândido Rondon ficou em R$ 58,00, Pato Branco em R$ 62,00 e Cândido Mota (SP) em R$ 59,00. Em Mato Grosso do Sul, Maracaju permaneceu em R$ 56,00 e Campo Grande em R$ 55,00 por saca.

A pouca movimentação reforça a leitura da Agrinvest de um mercado doméstico no qual as negociações estão mais concentradas na soja, enquanto o milho encontra suporte nos preços ainda sustentados da safrinha.

O mercado interno do milho, segundo explicou o diretor da Pátria Agronegócios, Cristiano Palavro, passa por um intervalo de menor liquidez e ritmo mais lento, com os produtores concentrando esforços no plantio da safra de verão e indústrias relativamente abastecidas.

Contudo, Palavro enfatizou que a calmaria no mercado do cereal deve ser passageira: "No curto prazo o mercado está mais frio, mas vejo fundamentos muito bons para o milho no médio e longo prazo. A oferta brasileira e mundial não é pequena, mas está em queda frente a uma demanda global que permanece superior à capacidade produtiva".

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