Impacto dos estoques do USDA e ritmo do plantio no Brasil ditam rumos para milho e soja

Em entrevista ao Bom Dia Agronegócio, Matheus Pereira, diretor da Pátria Agronegócios, detalha a reação dos mercados aos dados norte-americanos e as perspectivas para a safra 2026.
Publicado em 01/10/2026 09:22 | Atualizado em 01/10/2026 10:39
CARLA MENDES - NA

Logotipo Notícias Agrícolas

O mercado de commodities agrícolas opera atento à divulgação dos relatórios de estoques trimestrais divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e ao ritmo dos trabalhos de campo na América do Sul. A movimentação recente das cotações na Bolsa de Chicago (CBOT) e os desdobramentos para as praças brasileiras foram os temas centrais analisados por Matheus Pereira, diretor da Pátria Agronegócios, durante entrevista ao programa Bom Dia Agronegócio.

Surpresa nos estoques de milho e pressão em Chicago

O relatório do USDA sobre os estoques trimestrais dos Estados Unidos em 1º de setembro trouxe números inesperados para o setor de cereais. Enquanto os estoques de soja vieram ligeiramente abaixo das projeções médias e o trigo alinhado às previsões, o volume de milho superou até mesmo a estimativa mais alta do mercado financeiro e das consultorias privadas. Esse resultado causou uma queda acentuada de 4% nos preços futuros de milho no pregão anterior, refletindo também em baixas para o trigo e a soja.

Segundo Matheus Pereira, os dados trouxeram choque imediato: "O resultado ontem dos estoques trimestrais do milho foi uma surpresa extremamente negativa. Ela ficou até acima da estimativa mais elevada dentre as principais pesquisas de mercado. Foi uma surpresa generalizada e resultou nessa sangria do mercado de milho em Chicago", destacou o analista. Apesar do recuo expressivo, o milho esboçou recuperação técnica na sequência.

Mercado interno brasileiro e dinâmica regional do cereal

Diferentemente do mercado da oleaginosa, o milho apresenta características mais regionalizadas, já que os maiores países produtores figuram também como os maiores consumidores do grão. No Brasil, o quadro atual é de entressafra e aceleração das exportações no segundo semestre, período que tradicionalmente oferece suporte aos valores locais.

Pereira pontuou que o cenário nacional deve absorver o impacto externo com maior resiliência: "O mercado de milho tem uma característica bem mais regionalizada. No Brasil, devemos ter uma recuperação dessa sangria observada por conta do momento que o país vive: período sazonal onde as altas do milho são mais evidenciadas, sem colheita nova e com a marcha de exportação ganhando celeridade", avaliou o especialista.

Sazonalidade da safra norte-americana e largada recorde no Brasil

No complexo soja, os estoques norte-americanos registraram queda de cerca de 3% na comparação anual, mantendo um viés altista no longo prazo diante da menor sobra de produto. No entanto, o avanço da colheita nos Estados Unidos impõe uma pressão negativa típica desta época do ano sobre Chicago, limitando valorizações imediatas.

Em contrapartida, o plantio da safra no Brasil teve a largada mais acelerada da história, impulsionada pelo encurtamento do vazio sanitário em estados como Paraná, Mato Grosso e Goiás. Embora haja excesso de precipitações no Paraná dificultando a entrada de máquinas em algumas áreas, o padrão pluviométrico no Centro-Oeste desenha um quadro inicial positivo.

Sobre a influência do clima e o alerta de El Niño, Matheus Pereira ressaltou: "A priori são só ameaças. Os mapas climáticos mostram chuvas recorrentes para as principais regiões que já soltaram o plantio ou estão na iminência de colocar a plantadeira no chão. A fotografia inicial está maravilhosa, com plantio acelerado e chuvas recorrentes no Brasil Central, mas a ameaça climática ainda coloca em xeque a expectativa inicial de uma safra de 175 a 180 milhões de toneladas".

Referências de preços no Porto de Paranaguá

Para a comercialização, as cotações no porto de Paranaguá refletem o momento de transição e a sazonalidade. O produto disponível chegou a patamares próximos de R$ 161,00 a saca, com posições futuras para novembro a R$ 164,00 e dezembro a R$ 165,00. Já para a safra nova, com a entrada da colheita no início do ano, os valores recuam para patamares entre R$ 153,00 e R$ 153,50 em fevereiro, R$ 150,00 em março, R$ 151,00 em abril e R$ 153,00 para maio.

O especialista concluiu orientando o produtor rural a buscar planejamento técnico, ferramentas de previsão meteorológica aprofundadas e monitoramento constante das oportunidades de mercado para gerenciar os riscos de preço e produtividade ao longo da temporada.

* Com auxílio de IA

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Receba em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Seguir canal

0 comentário