Arroba de R$400 e bezerro de R$4000 são os novos alvos de preços para os próximos meses na pecuária
Arroba de R$400 e bezerro de R$4000 são os novos alvos de preços para os próximos meses na pecuária
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O mercado do boi gordo iniciou o mês de outubro sob forte otimismo e com expectativa de novos patamares de preços. O movimento de alta, que ganhou tração nas últimas semanas de setembro, vem sendo impulsionado pela combinação de oferta enxuta de animais terminados, recomposição de compras no mercado internacional e aquecimento sazonal da demanda doméstica. No programa Pecuária e Mercado, analistas e produtores avaliaram o cenário para a arroba e os impactos do encarecimento da reposição.
Demanda chinesa e baixa oferta impulsionam mercado futuro
Segundo Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a virada nos preços observada na segunda quinzena de setembro abriu espaço para um outubro de cotações mais firmes, com contratos na B3 operando próximos de R$ 385 a R$ 390 por arroba.
"O mercado precifica o boi gordo com tendência de alta, refletindo tanto a dinâmica de baixa oferta de gado de cocho quanto a demanda externa aquecida, especialmente com o retorno das negociações chinesas", apontou Thiago. Ele ressaltou que as indústrias e compradores internacionais antecipam movimentos: "Mesmo com o feriado da Golden Week na China no início de outubro, as escalas e compras já vinham sendo montadas em setembro devido aos estoques reduzidos de carne no país asiático".
Além da China, outros destinos têm mantido compras ativas, somando-se à demanda interna que costuma se intensificar no último trimestre do ano e ao fluxo de exportação de gado em pé, que deve superar 1,2 milhão de cabeças em 2026.
Bezerro atinge recorde e sinaliza margens apertadas
Um dos pontos centrais da discussão foi o comportamento da reposição. O Indicador do Bezerro Cepea/Esalq atingiu patamares recordes, superando R$ 3.400 por cabeça em Mato Grosso do Sul, com negócios de animais de qualidade alcançando entre R$ 17,00 e R$ 17,50 por quilo.
Thiago Bernardino destacou que, historicamente, as maiores altas sazonais do bezerro ocorrem entre outubro e março. Para ele, o ciclo de retenção de matrizes e a menor oferta de bezerros sustentam os preços do boi gordo, mas trazem um alerta importante para a gestão: "O período à frente, olhando para 2027 e 2028, pode ser de margens reduzidas. Teremos preços fortes para o boi e para o bezerro, mas a relação de troca será mais justa, exigindo cálculo rigoroso dos custos de terminação e recria".
Visão do produtor: foco em investimento e eficiência
O pecuarista Carlito Guimarães também destacou o cenário promissor para o setor. Conhecido por projetar o "boi de US$ 70" quando as cotações estavam deprimidas, Carlito afirmou que o mercado já começa a "cheirar aos US$ 80 por arroba", principalmente se o dólar recuar frente ao real e as cotações físicas avançarem em direção aos R$ 400.
"Se a China voltar a comprar firme e os Estados Unidos mantiverem o ritmo, o boi chega a 80 dólares rápido", avaliou Carlito. No entanto, o pecuarista recomendou cautela na expansão do rebanho e foco em melhorias estruturais: "A hora que o boi está caro não é para querer aumentar rebanho de qualquer jeito; é o momento de reformar pastagem, adubar, trocar trator e melhorar as condições da fazenda com o troco que sobra. O produtor precisa aproveitar a renda para se estruturar".
Perspectivas para a cadeia produtiva
A recuperação das cotações da arroba traz alívio financeiro aos pecuaristas após períodos de preços deprimidos, mas impõe desafios operacionais a invernistas e confinadores que dependem da compra de gado magro. A tendência é de manutenção da firmeza nos preços até meados de 2027 e 2028, exigindo planejamento financeiro e monitoramento constante da relação de troca para assegurar a rentabilidade da atividade.
* Com auxílio de IA
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