Confinamento com 10 milhões de cabeças em 2026; maior que no ano passado, mas inferior às projeções iniciais

Confina Brasil, da Scot Consultoria, também aponta para margens melhores e alongamento na permanência dos animais no cocho.
Publicado em 12/10/2026 11:49 | Atualizado em 12/10/2026 15:14
Diego Rossin

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A pecuária intensiva brasileira segue em transformação, adaptando-se às oscilações de mercado e modernizando processos operacionais. Dados e tendências apurados pela expedição Confina Brasil, projeto conduzido pela Scot Consultoria, apontam que o volume de gado confinado no país deve alcançar a marca de aproximadamente 10 milhões de cabeças, refletindo um crescimento moderado e focado em eficiência econômica.

Ajuste de estratégia e dias de cocho mais longos

Durante a edição do programa Pecuária & Mercado, Diego Rossin, analista da Scot Consultoria, destacou que o confinador brasileiro precisou ajustar o manejo nutricional e o tempo de permanência dos animais no cocho. Com o ágio elevado na reposição no início do período e custos mais baixos dos insumos alimentares, como o milho e coprodutos, a alternativa encontrada foi estender o confinamento para diluir o custo da compra do animal magro.

De acordo com Rossin, o tempo médio de cocho, que historicamente ficava em torno de 105 dias, subiu para um intervalo entre 112 e 113 dias nas propriedades avaliadas pela expedição. "O confinador alongou um pouquinho os dias de cocho médio. A originação veio um pouco mais pesada, o custo de insumos mais barato fez uma arroba produzida interessante, fazendo esse animal diluir um pouco mais o ágio dentro do confinamento", explicou o analista.

Confinamento de fêmeas e integração com a agricultura

Outro comportamento destacado foi a expressiva presença de fêmeas nas instalações de engorda intensiva. A estratégia permitiu aos pecuaristas driblar o encarecimento da reposição tradicional, aproveitando o menor desembolso inicial com fêmeas e buscando bonificações na comercialização.

Além disso, a integração entre lavoura e pecuária consolidou-se como modelo predominante. Rossin revelou que o perfil dos confinadores atendidos pela expedição mudou significativamente: "No primeiro benchmark do Confina Brasil, 55% dos produtores que a gente visitava tinham agricultura. Hoje esse número já está passando de 70%". O confinamento viabiliza a liberação de pastagens para a entrada da safra de grãos e aproveita a produção local de silagem e grãos na dieta animal.

Oferta concentrada versus demanda aquecida

Em relação às expectativas de oferta para a reta final do ano, Rossin avaliou que o mercado não deve enfrentar uma pressão baixista desordenada decorrente da saída de animais do cocho. Segundo a análise, o cenário global de oferta restrita e a robustez da demanda externa sustentam as cotações.

"A gente é balizado por oferta e demanda. Eu sinto que a oferta não vai ser muito firme como foi no final do ano anterior, sendo que a demanda vai ser, inclusive pelo que o mercado futuro projeta", afirmou Rossin, citando a recuperação das compras da China, o apetite recorde dos Estados Unidos pela carne bovina brasileira e a tradicional elevação de consumo doméstico no quarto trimestre.

Avanço tecnológico para superar a escassez de mão de obra

A pesquisa de campo da Scot Consultoria revelou também que mais de 95% dos pecuaristas apontam a mão de obra como o principal desafio dentro da porteira. Como resposta, o confinamento nacional acelera a adoção de tecnologias de precisão, incluindo trato automatizado, ferramentas de inteligência artificial, softwares de Business Intelligence (BI) e uso de drones para contagem de rebanho e leitura de cocho.

Essas inovações buscam padronizar operações, reduzir falhas operacionais e aprimorar a gestão dos confinamentos, garantindo maior previsibilidade financeira ao produtor diante de ciclos de mercado desafiadores.

* Com auxílio de IA

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