Mercado do boi esfria, B3 e indicadores recuam, mas retomada das altas é questão de tempo

Mercado precisa trocar expectativa por fatos concretos seja nas exportações para China , seja na demanda interna
Publicado em 21/10/2026 14:14 | Atualizado em 21/10/2026 16:19
Raul Bertho - Head de Pecuária da Agrifatto
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Mercado do boi esfria, B3 e indicadores recuam, mas retomada das altas é questão de tempo

 

Após semanas de valorização, o mercado do boi gordo passa por um período de consolidação dos preços. Na avaliação de Raul Bertho, analista da Agrifato, os recuos pontuais dos indicadores refletem uma acomodação depois das altas e, por enquanto, não caracterizam uma mudança na tendência do mercado.

Em entrevista ao programa Pecuária e Mercado, do Notícias Agrícolas, o especialista destacou que a menor disponibilidade de animais continua sustentando a arroba. Para que os preços voltem a avançar com mais intensidade, entretanto, será importante uma participação mais forte da demanda, especialmente das exportações.

Segundo Bertho, os embarques de outubro ainda não apresentaram a força esperada para impulsionar novos recordes da arroba no curto prazo. A demanda externa permanece como uma das principais apostas do setor, mas a expectativa precisa se traduzir em compras efetivas.

O analista aponta novembro e dezembro como meses importantes para acompanhar o planejamento das indústrias e o abastecimento dos compradores internacionais para o início de 2027. Nesse movimento, as aquisições relacionadas ao Ano Novo Chinês poderão contribuir para dar mais tração aos negócios.

Para o pecuarista, isso significa observar como o fluxo de exportação se transforma em necessidade de compra de animais pelos frigoríficos. Uma demanda externa mais ativa pode ampliar a disputa pelas boiadas, sobretudo em um ambiente de oferta limitada.

Dificuldade de reposição reforça atenção à oferta

A escassez de animais é o principal fundamento para a perspectiva de valorização apresentada por Bertho. O especialista destaca tanto a dificuldade de encontrar boi magro quanto a menor disponibilidade de fêmeas para abate.

São fatores que atuam em etapas diferentes da atividade. A oferta mais curta de fêmeas limita as alternativas de compra da indústria, enquanto a dificuldade de reposição exige atenção de quem precisa adquirir animais para os próximos ciclos de engorda.

Nesse contexto, uma arroba mais valorizada deve ser analisada junto ao custo de recompor o rebanho. Para quem vende e volta ao mercado para comprar, o resultado depende também da relação entre o valor recebido pelo animal terminado e o desembolso pela reposição.

Frango pode aumentar a disputa pelo consumidor

Outro ponto levantado na entrevista é o possível efeito das restrições à carne de frango brasileira após o caso de Newcastle mencionado pelo analista.

Na avaliação de Bertho, caso essas limitações direcionem mais produto ao mercado interno e provoquem uma queda expressiva no preço do frango, a carne bovina poderá enfrentar maior concorrência no balcão.

Trata-se de um efeito condicionado à duração e à abrangência das restrições, além da resposta dos preços. Para a pecuária, o ponto de atenção é a capacidade de o consumo doméstico absorver a carne bovina diante de uma eventual oferta de proteína concorrente mais barata.

Câmbio também pode mudar o ritmo dos negócios

Bertho também chama atenção para a volatilidade do dólar no ambiente eleitoral. Uma moeda americana mais baixa reduz a receita em reais de uma venda externa de mesmo valor em dólares e pode diminuir a competitividade da carne brasileira.

Esse movimento pode influenciar a disposição de compra dos frigoríficos exportadores e as expectativas negociadas no mercado futuro. Por isso, mesmo com oferta restrita de animais, o câmbio segue como uma variável importante para a formação dos preços.

R$ 400 por arroba segue como expectativa

Para o primeiro trimestre de 2027, Bertho mantém uma perspectiva de valorização, apoiada na oferta restrita e na possibilidade de fortalecimento das compras internacionais.

A expectativa do chamado “boi de R$ 400” permanece no horizonte, mas depende da combinação desses fundamentos. A dificuldade de encontrar animais oferece sustentação; o ritmo da demanda ajudará a definir até onde a arroba poderá avançar.

Na decisão de venda, o pecuarista precisa colocar essa expectativa ao lado das condições da própria operação: custo de manter o gado, disponibilidade de alimento, necessidade de caixa e preço da reposição. A possibilidade de novas altas é relevante, mas a margem efetivamente assegurada continua sendo a referência para o negócio.

 

* Com auxílio de IA

 

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