Reação recente da arroba está relacionada a oferta restrita de animais e nova rodada de alta virá com confirmação das demandas

Intensidade de compras da China e do consumo interno devem motivar novas altas para arroba a partir de novembro
Publicado em 29/10/2026 13:54 | Atualizado em 29/10/2026 14:48
Gabriel Gonsalves - Sócio e Co-Fundador da Pecuarizze
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Reação recente da arroba está relacionada a oferta restrita de animais e nova rodada de alta virá com confirmação das demandas

O mercado do boi gordo segue demonstrando força e a sustentação das cotações reflete um quadro consistente de oferta enxuta, impulsionado pelo ciclo pecuário de retenção de fêmeas, somado às expectativas de aquecimento no consumo interno e retorno das compras pela China.

Segundo Gabriel Gonçalves, analista da Pecuarizze, o movimento de valorização já era aguardado pelo mercado diante da consolidação do ciclo pecuário. A diminuição na oferta de animais para abate tem sido o principal suporte para a alta nos preços físicos e futuros.

"A gente já acompanhava e esperava que isso fosse acontecer, uma vez que o ciclo já vinha se desenhando com o aumento de retenção de fêmeas. Tudo isso corrobora para que a gente pudesse ter preços mais elevados", explicou Gabriel. Ele destacou que a escassez de animais prontos não é um fenômeno exclusivo do Brasil, sendo verificada também em outros grandes países produtores da pecuária global. 

Do lado da demanda, o mercado monitora a movimentação dos frigoríficos para atender tanto as festas de final de ano no mercado doméstico quanto as escalas de exportação, especialmente para o mercado chinês, principal destino da carne bovina brasileira.

Gabriel Gonçalves pontua que, na comparação internacional, a carne brasileira ainda se mostra competitiva para a China, o que estimula a retomada de compras. "A expectativa que a gente tem é positiva em relação à pressão de consumo do mercado chinês. O volume menor fortalece uma demanda que é existente", avaliou. No entanto, para o mercado interno, o analista alerta para variáveis macroeconômicas que podem limitar o consumo, como o endividamento da população e a perda de poder de compra.

A tendência de firmeza deve se estender para o início de 2027. Com as cotas de exportação sendo renovadas e o tempo logístico de cerca de 60 dias para o envio aos portos chineses, o primeiro trimestre do próximo ano tende a manter preços firmes na arroba.

Apesar do otimismo com os valores de venda, o sinal de alerta recai sobre o mercado de reposição. As cotações dos bezerros também subiram de maneira expressiva, com o ágio superando os 50% a 55% em praças como São Paulo, comprimindo a margem do invernista e do confinador.

"Essa conta é uma conta que pesa no bolso do produtor e, obviamente, impacta na margem", ressaltou Gabriel, reforçando a importância de planejamento e controle rígido dos custos de produção. "A compra é o custo mais caro que a gente tem. Fazer uma boa compra, não somente no sentido de preço, mas também olhando para a qualidade do animal, é extremamente fundamental para gerar margem no final da operação."

Com um cenário climático que favorece a recuperação de pastagens em várias regiões, mas com um volume total de animais estruturalmente menor devido ao ciclo pecuário, o pecuarista precisará aliar eficiência produtiva à disciplina financeira para capturar as oportunidades deste novo patamar de preços.

* Com auxílio de IA

 

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