Ferrugem do café se espalha na Colômbia, arruina a safra e aumenta preços

Publicado em 22/12/2011 08:10 e atualizado em 22/12/2011 12:25 461 exibições
Publicado pelo Wall Street Journal, e divulgado pela agencia Dow Jones e por O Estado de S. Paulo.
Os preços internacionais do café podem ficar mais elevados nos próximos meses diante da infestação do fungo conhecido como roya, “ferrugem do café”, nas lavouras da Colômbia. O fungo espalhou-se em meio às constantes chuvas em áreas produtivas do país.

O desenvolvimento do roya, que cresce nas folhas e tira os nutrientes das cerejas do café, já força muitos produtores a substituir o seu cultivo por variedades mais resistentes. Até 10% da produção de café da região, cerca de 121,4 mil hectares, já foram replantados neste ano, numa tentativa de combate à ferrugem.

O produtor Juan Maria Canar, na região de Narino, sudoeste da Colômbia, afirmou que teve de replantar a maior parte de sua lavoura. Ele geralmente produz 1,5 mil kg de café. "Nesta temporada, terei metade disso", afirmou.

Desta forma, o segundo maior produtor mundial da variedade arábica deve ter a safra arruinada e os preços devem disparar, já que as novas plantas geralmente levam três anos para produzir cerejas. Mesmo diante desse cenário, investidores seguem cautelosos diante da crise econômica. As bolsas de café vêm caindo como outras commodities, em meio aos problemas na economia européia, porém, as quedas são mais modestas. Os preços internacionais do café caíram 7,4% neste ano, enquanto o algodão recuou 40% e o cacau cedeu 28%

As informações sobre a projeção da safra colombiana ainda não foram divulgadas pela Federação Nacional de Produtores de Café da Colômbia (Fedecafé), que disse ser difícil estimar a produção diante da grande quantidade de chuva que caiu no inverno. Em um bom ano, a Colômbia costuma produzir 11 milhões de sacas.

Segundo estimativas da Organização Mundial do Café (OIC), a produção global de café arábica deve encolher 4,3%, ficando em 79,6 milhões de sacas de 60 kg neste ano safra. Enquanto isso, a demanda está crescendo. A OIC afirmou que o consumo global de café cresceu em média 2,5% ao ano durante a última década, com destaque para os países emergentes.

Com informações da Dow Jones e O Estado de São Paulo.

No Brasil o clima não foi ideal em algumas regiões entre agosto e outubro

As chuvas de agosto e setembro foram insuficientes para a abertura da primeira florada dos cafezais da próxima safra 2012 no norte de São Paulo e no sul e no cerrado de Minas, que só ocorreu a partir de outubro. Os veranicos dos meses anteriores, associado aos efeitos das geadas de junho, também prejudicaram a fase vegetativa de algumas lavouras. A avaliação é da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu quarto levantamento sobre a safra 2011, divulgado hoje.
 
Os técnicos da Conab informam, ainda, que ocorreram chuvas com granizo no norte do Espírito Santo em novembro, que derrubaram frutos em formação.
 
De acordo com a Conab, a previsão meteorológica para o próximo trimestre (janeiro a março) indica comportamento climatológico com igual probabilidade de chuvas para as três categorias (abaixo, normal e acima da normal) em todas as regiões produtoras. No entanto, não se afastam condições de excesso de chuva em áreas das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, que poderão causar algum prejuízo aos cafezais.
 
Estoque – O estoque de café depositado nas propriedades, cooperativas e armazéns do Estado de São Paulo este mês foi estimado em 924 mil sacas de 60 kg, com desaparecimento de mais de 530 mil sacas em comparação com dados de agosto, demonstrando que o fluxo de comercialização por parte dos cafeicultores segue normalmente. Segundo a Conab, esse volume estocado é insuficiente para fazer frente às necessidades de São Paulo, maior mercado consumidor da bebida, demandando maiores importações de outros Estados para manter dentro da normalidade o suprimento do mercado paulista.

Para técnicos do governo a tendencia é de manutenção de preços firmes

A tendência de manutenção de preços do café para 2012 é que seja sustentada nos patamares deste ano. O secretário substituto de Cana-de-açúcar e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Gerardo Fontelles, avaliou a expectativa da situação da cafeicultura brasileira durante o anúncio do 4º levantamento da produção nacional de café de 2011, nesta quarta-feira, 21 de dezembro, em Brasília. “Os fatores climáticos e de mercado assegurarão para o próximo ano preços favoráveis para o setor”, afirmou.
 
Na opinião do diretor de Política Agrícola e Informações da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sílvio Porto, os preços têm assegurado aos cafeicultores investimentos em manejo e tratos culturais, como adubação e podas da lavoura, inclusive na recuperação de cafezais antigos. Outro fator que refletiu na produtividade superior dos últimos cinco anos foi o adensamento do plantio.
 
Para Edilson Alcântara, diretor do Departamento do Café do Ministério da Agricultura, o uso de tecnologia colabora também para o aumento da produtividade da lavoura. Dependendo da região e da qualidade do café, esses itens podem afetar o preço final do cafeicultor. “Quando o produtor se preocupa em melhorar a qualidade do produto resultará na melhoria da sua remuneração”, disse.
 
Bienalidade recorde – A produção de café apresentou recorde histórico de bienalidade negativa - o cafezal alterna ano de safra pequena com ano de safra maior – de 43,48 milhões de sacas beneficiadas de 60 kg. O desempenho da produção é expressivo, apesar da estiagem ocorrida entre os meses de novembro 2010 e fevereiro 2011, que prejudicou as lavouras em fase de enchimento de grãos.
 
A Organização Internacional do Café (OIC) estima que, na próxima temporada, vai ocorrer uma redução na produção mundial do grão, principalmente, por motivos climáticos na América Central e Indonésia. A produção deve recuar 4,4% e será de 127,4 milhões de sacas segundo dados da OIC. O primero anúncio da safra de café 2012/2013 será no dia 10 de janeiro.
País deve produzir 43,48 milhões de sacas de café, aponta Conab

A produção nacional de café da safra 2011 está estimada em 43,48 milhões de sacas beneficiadas. O melhor desempenho da produção se deve principalmente às condições climáticas favoráveis na maioria das regiões produtoras, em resposta aos tratos culturais realizados pelos produtores em 2009, que refletiram na safra atual, e aos bons preços do café, que possibilitaram ao produtor investir mais na lavoura. Apesar da estiagem ocorrida entre os meses de novembro 2010 e fevereiro 2011, que prejudicou as lavouras que se encontravam na fase de enchimento de grãos, a produção estimada é a maior dos anos de baixa bienalidade.
 
A safra estimada para 2011 é mais otimista do que aquela divulgada no levantamento anterior (setembro/2011), tendo em vista o melhor rendimento do café colhido no final da safra em Minas Gerais (503 mil sacas), Bahia (23 mil sacas) e Paraná (17 mil sacas).
 
A área em renovação (esqueletamento, recepa , podas, dentre outras), estimada na safra 2011 em 221.681 ha é superior em 4,3% em relação à safra anterior de 212.568 ha.
 
Na produção nacional a espécie arábica representa 74% (32,19 milhões de sacas) e o maior produtor é o estado de Minas Gerais com 68% (21,88 milhões de sacas) de café beneficiado. Já o conilon (robusta) participa com 26% do total produzido e o Espírito Santo é o destaque, com 75,2% do volume produzido (8,49 milhões de sacas).
 
O 4º levantamento da produção nacional de café de 2011, divulgado nesta quarta-feira (21) pela Conab, aponta para uma estimativa de produção em 2011, 9,6% (4,61 milhões de sacas), menor que o volume de 48,09 milhões de sacas colhidas na safra anterior. A explicação se prende ao ano de baixa bienalidade.
 
As informações disponibilizadas referem-se aos trabalhos realizados no período entre 15 de novembro e 15 de dezembro, quando foram visitados os municípios dos principais estados produtores (Minas Gerais, Espírito Santo, São Paulo, Bahia, Paraná e Rondônia), que correspondem a 98% da produção nacional.


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Notícias Agrícolas/Mapa/Conab

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