Mercado de açúcar: HORA DE TOMAR FÔLEGO

Publicado em 27/12/2011 12:01 260 exibições
por Arnaldo Luis Correa, da Archer Consulting


O mercado de açúcar em NY fechou a semana com alta de 51 pontos no vencimento março que encerrou a 23,59 centavos de dólar por libra-peso. Os demais meses de vencimento também transitaram por território positivo e encerraram o pregão de sexta com ganhos entre 4 e 9 dólares por tonelada. De qualquer maneira, o mercado está sonolento não apenas pela falta de novidade, pela quietude do mercado físico e pelo período de festas de Natal e Ano Novo, mas também, e principalmente, vai assim permanecer enquanto a crise europeia não tiver um final, pois o apetite para o risco vai continuar a ser pequeno com as habituais trepidações que situações como essas ocasionam às commodities. 

No entanto, não temos como escapar de continuar a ter um mercado que seja conduzido pelos humores advindos da Europa que podem neutralizar aspectos altistas que eventualmente surjam no cenário fundamentalista do açúcar. 

O efeito disso é óbvio demais: a correlação entre o dólar/real e NY nos últimos quatro meses foi de -0,82, ou seja, 82% da queda de NY é explicada pela alta do dólar que por sua vez reflete o humor do mercado em relação às recentes crises no Velho Continente.

A expectativa é que o ingrediente “safra de cana do Centro Sul” vai fazer a diferença nos dois primeiros meses do próximo ano. Diferentes expectativas vão elevar a volatilidade do mercado, que está ridiculamente baixa nas opções. Não acredito que as águas calmas que temos visto nas últimas semanas, com baixo volume e falta de entusiasmo e estamina vá permanecer por muito tempo. Hora de tomar fôlego.

Um sinal amarelo para os traders: a posição em aberto das calls (opções de compra) de março, entre os preços de exercícios de 24 e 26 centavos de dólar por libra-peso é de 37.000 lotes (1,9 milhão de toneladas); já a posição em aberto das puts (opções de venda) para o mesmo vencimento, usando os preços de exercícios entre 22 e 24 centavos de dólar por libra-peso é de 52.000 lotes (2,6 milhões de toneladas). Na baixa a volatilidade será maior e mais estressante, se algo no cenário macro justificar uma queda para os níveis de 22 centavos de dólar por libra-peso. Esse é o calcanhar de Aquiles.

Mudando de assunto, o Comitê de Açúcar da Bolsa de NY havia sugerido a extensão de apenas meia hora no horário atual possibilitando que houvesse uma janela para a arbitragem com a bolsa chinesa. A direção da bolsa de NY, no entanto, decidiu por estender mais duas horas com o argumento de que fazendo assim possibilitaria que Índia, Tailândia e Austrália tivessem horários mais convenientes para suas operações na bolsa. A ICE está preocupada com a queda acentuada do volume registrada ao longo desse ano. 

Para se ter uma ideia do problema, o maior nível que posição em aberto no contrato de açúcar alcançou este ano foi de 686.000 lotes, 25% inferior ao nível máximo do ano anterior. 

O acumulado de exportação de açúcar pelo Brasil neste ano, até novembro, é de 23,5 milhões de toneladas de açúcar e 1,607 bilhão de litros de etanol. Em doze meses, o acumulado é de 25,483 milhões de toneladas e 1,847 bilhão de litros.

O Modelo desenvolvido pela Archer Consulting que estima as fixações de preço contra NY para a safra 2012/2013 aponta um volume entre 8,58 e 9,69 milhões de toneladas fixadas (menos de 40%) ao preço médio de 24,83 centavos de dólar por libra-peso. 

Arnaldo Luiz Corrêa 

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Archer Consulting

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