Soja - Do outro lado do mercado

Publicado em 03/04/2012 19:17 e atualizado em 04/04/2012 10:18 2150 exibições
Por Liones Severo
Muitos não imaginavam a dimensão dos compromissos antecipados das vendas de soja para a exportação. As empresas originadoras e/ou exportadoras venderam antecipadamente uma safra recorde brasileira, como normalmente acontece nas vendas para destinos finais, principalmente para a China.
A magnitude das vendas e a consequente dimensão das compras chinesas já indicavam há 2 meses atrás que o mercado poderia ter um desempenho altista para os preços, resultado de um cenário de escassez de oferta para atender os compromissos assumidos antecipadamente e ainda, com as frequentes notícias de perdas das safras sulamericanas.
A demora nos embarques de soja nos portos brasileiros estão entre 20 e 30 dias de espera para carregar navios, devido ao congestionamento de logística, também prejudicado pela quebra da primeira soja do Parana e do Rio Grande do Sul. Este fato levou muitos compradores finais a cobrir necessidades mais imediatas nos portos do pacifico americano, de onde a navegação para a China leva apenas 3 semanas, comparado às 5 semanas de navegação entre Brasil/Argentina para a China.
O agravamento do fluxo do produto soja resultaria num acúmulo de demanda reduzindo, o até então, confortável estoque de soja disponível nos Estados Unidos. Seria razoável imaginar que esta situação despertaria o interesse de fundos investidores para voltar a derivar seu fluxo de capital para o complexo de produtos agrícolas, o que realmente aconteceu.
Muitos haverão de lembrar que a maioria dos analistas afirmavam, há 3 meses atrás, que não havia problemas de oferta de soja no mundo, que havia um bom volume de estoque nos Estados Unidos e que o mercado dificilmente teria uma corrida nos preços e ainda, muitos afirmavam a volta
dos preços para os usd 11.00 p/bu.
Minha experiencia e conhecedor da história do mercado, levou-me a afirmar no dia 25 de janeiro passado, que os preços das soja na CBOT alcançariam o preço de usd 13,40 p/bu (na época o preço estava ao redor de usd 12,00 pbu). Posteriormente, no dia 14 de fevereiro passado, afirmei que os preços das commodities agrícolas iriam decolar para preços elevados e duradouras.
Assim aconteceu.
O elo perdido que tornou esse cenário inimaginável, veio com o relatório do USDA (Departamento de Agricultura Americano) divulgado dia 30 de março passado, com área de plantio  ainda mais reduzida do que se haviam estimado anteriormente. 
Estamos agora em um outro cenário; os fundos estão completamente sobre-comprados e os destinos finais estão razoávelmente cobertos e,com navios nos portos brasileiros para carregar mais de 6 mlnt de tons de soja para a China e praticamente a mesma quantidade entre os
portos americanos e argentinos.
A percepção mais razoável é que esta etapa foi vencida e que um novo cenário terá que ser muito bem avaliado. A história sugere que este mês de abril o mercado deverá descontar uma boa parte da alta adquirida nestes 2 últimos meses.
Atenciosamente,
Liones Severo
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Liones Severo

3 comentários

  • Liones Severo Porto Alegre - RS

    Prezado Carlos Fernando Santos, obrigado pela deferência e pelo seu competente comentário. Sua manifestação é de grande importância para o meu desafio em comprovar que os preços são previsíveis, pelo menos, tranquilizando nossos produtores do terrorismo mercadológico. Busco fortalecer uma cultura genuinamente brasileira que nos levará a ser o grande país agrícola do futuro. Grande abraço.

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  • Claudio Luiz Noro Cascavel - PR

    Positivo tudo o que sobe tem que descer, a soja não pode acumular toda essa alta de uma só vez, pois as multinacionais estão de olho nesse preço, p/ reajustarem o fertilizante tbm, ai o custo pode ficar fora do normal e causar uma queda de renda ao produtor brasileiro

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  • Carlos Fernando Santos Florianópolis - SC

    Os comentários do Liones são sempre em linguagem simples e de fácil entendimento pelo produtor. Mas não é tudo, sua experiência lhe dá a tranquilidade para fazer previsões acertadas, até de anos secos, baseadas em estatísticas de ocorrências. Venho acompanhando suas previsões e testemunhado seus acertos. Neste comentário cita que afirmou

    no dia 25 de janeiro passado, que os preços da soja na CBOT alcançariam

    o preço de usd 13,40 p/bu. Digo mais, em 05/10/2011, baseado em fatores fundamentais e eventuais, oferta e demanda, afirmou que os preços da soja deveriam voltar a praticar o intervalo de 12,50 a 14,50 dlrs/bu. E os preços ficaram no intervalo, confirmando a previsão. Parabéns pelos comentários, que, para mim, tem sido de grande valia para determinar o momento de venda.

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