Análise Semanal do Mercado de Trigo

Publicado em 10/06/2012 19:49 697 exibições
Prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹ Emerson Juliano Lucca²

Análise Semanal do Mercado de Trigo

Prof. Dr. Argemiro Luís Brum¹
Emerson Juliano Lucca²

As cotações do trigo em Chicago recuaram durante quase toda a semana, porém, se recuperaram no dia 07/06 ao fecharem em US$ 6,41/bushel para o primeiro mês, após 6,43/bushel uma semana antes e US$ 6,12 no dia 01/06.

O clima quente e seco em partes das regiões de produção dos EUA e da Rússia, somado a um enfraquecimento do dólar, deu mais fôlego às cotações no final de semana.

As condições das lavouras dos EUA, por enquanto, continuam muito boas para o trigo de primavera, com 78% entre boas a excelentes, 20% regulares e apenas 2% entre ruins e muito ruins. Já o trigo de inverno está mais prejudicado, com 52% entre boas a excelentes condições, 30% regulares e 18% entre ruins e muito ruins.

Por sua vez, as vendas líquidas estadunidenses de trigo, para o ano 2011/12, iniciado em junho/11, na semana encerrada em 24/05, ficaram em 6.400 toneladas negativas, pois houve cancelamento de 150.000 toneladas. Já as vendas relativas ao ano 21012/13 somaram 325.600 toneladas, na mesma semana, contra 754.600 toneladas da semana anterior. Paralelamente, as inspeções de exportação dos EUA chegaram a 587.257 toneladas na semana encerrada em 31/05. No acumulado do ano comercial iniciado em 1º de junho de 2011, o volume chega a 28,2 milhões de toneladas em 2011/12, contra 34,6 milhões em 2010/11. Portanto, houve 18,5% a menos de inspeções de exportação nesse ano comercial que acaba de se encerrar.

A produção de trigo da Rússia, em 2012/13, deve chegar a 54 milhões de toneladas. O dado fica abaixo dos 56,23 milhões de toneladas produzidos na safra 2011/12, confirmando as perdas com mais uma seca. Assim, em 2012/13 estão previstas 16 milhões de toneladas para a exportação, contra 21 milhões de toneladas do ano anterior. O consumo deve se manter praticamente estável em 38,4 milhões de toneladas. Os estoques finais são estimados em 10,02 milhões de toneladas, contra os 10,2 milhões de toneladas do ano anterior. (cf. Safras & Mercado)

Quanto à futura safra dos EUA, onde a colheita do trigo de inverno já se desenvolve, o mercado espera o relatório do USDA deste próximo dia 12/06 para construir uma ideia melhor sobre os volumes finais.

Paralelamente, as cotações no Mercosul estabilizaram nesta semana. Na Argentina, o Up River indicou, para junho/julho, compra a US$ 256,00/tonelada, o que representa uma variação positiva mensal de 8,0%. Em Bahia Blanca a referência de compra está em US$ 265,00/tonelada, com alta de 6,9% em relação ao mês anterior. Na região portuária de Necochea a indicação está em US$ 252,00/tonelada, com queda de 8,2% em comparação com o mesmo período do mês passado. No Uruguai a referência de compra ficou em US$ 245,00/tonelada, com retração mensal de 0,8%. Já no Paraguai, a indicação de compra ficou em US$ 230,00/tonelada. (cf. Safras & Mercado)

No mercado brasileiro, os preços pouco variaram, embora o produto de qualidade superior continue sendo muito procurado diante das altas dos preços na importação, devido ao câmbio, e também da escassez existente na oferta nacional para esse tipo de produto. Assim, a média gaúcha, no balcão, fechou a semana em R$ 23,75/saco, enquanto os lotes giraram entre R$ 462,50 e R$ 467,50/tonelada. No Paraná, os lotes giraram entre R$ 515,00 e R$ 517,50/tonelada. O produto paranaense geralmente contempla as exigências qualitativas do mercado, porém, neste ano sua produção sofreu uma importante quebra de safra, fato que eleva ainda mais os preços da tonelada do produto superior.

Quanto à safra nova, dados da Emater gaúcha indicam um incremento de 6,5% na área a ser semeada com trigo no Rio Grande do Sul, a qual está em ritmo atrasado, embora as últimas chuvas possibilitem uma rápida aceleração do plantio. A expectativa final é que a área aumente ainda mais, podendo chegar a um incremento entre 10% e 15%, embora a seca que atingiu o Estado até meados de maio particularmente, possa ter modificado tal quadro de expectativas. Em o clima ajudando até o final, projeta-se uma produção gaúcha de 2,5 milhões de toneladas ou até um pouco mais, contra 2,7 milhões na safra anterior.

Já no Paraná, fortes chuvas atingiram o Estado nesses primeiros dias de junho, podendo ter prejudicado as lavouras de trigo. Além disso, embora seja cedo, as fortes geadas do final de semana do feriado podem ter causado algum estrago localizado.

Em termos gerais do país, a Conab apontou, em seu último boletim, uma safra total de trigo no Brasil, em 2012/13, de 5,1 milhões de toneladas, o que seria 11,8% inferior à registrada no ano anterior. Para tanto, o clima no Rio Grande do Sul particularmente, terá que ser perfeito até a colheita, situação que está longe de ser garantida a julgar pelas projeções meteorológicas para a primavera gaúcha.

Por outro lado, a Conab realizou três leilões de venda de trigo, no dia 06/06, o que ajudou a segurar os preços do cereal no mercado nacional, num momento em que os moinhos e varejistas anunciam um aumento no pão e demais produtos finais ao consumidor de até 15%. Isso devido ao aumento dos custos de importação, em função do câmbio, especialmente da farinha procedente da Argentina. No total, foram negociadas 23.685 toneladas de trigo, de um total ofertado de 77.000 toneladas. 

Não foi negociado nenhum lote para o Estado de Mato Grosso, sendo que do total negociado 60% foi vendido em São Paulo e o restante no Paraná. Como o esperado, houve uma grande procura por trigo pão e melhorador no Paraná, que há semanas já vem sofrendo com a falta de produto de boa qualidade devido ao período de entressafra. (cf. Safras & Mercado)

Daqui em diante, em se mantendo o atual câmbio, as compras externas devem permanecer travadas devido a desvalorização do Real, fato que elevará o interesse pelo produto nacional ofertado pelo governo. Afinal, o cálculo da paridade de importação segue indicando o cereal do Mercosul bem acima do nacional (cf. Safras & Mercado).

¹ Professor do DACEC/UNIJUI, doutor em economia internacional pela EHESS de Paris-França, coordenador, pesquisador e analista de mercado da CEEMA.
² Economista, Analista e responsável técnico pelo Laboratório de Economia Aplicada e CEEMA vinculado ao DACEC/UNIJUÍ. 

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Fonte:
Sind.Prod.Cascavel (PR)

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