Ministra defende aproximação de debate ambiental e agrícola

Publicado em 12/06/2012 07:36 e atualizado em 12/06/2012 08:40 578 exibições
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, defendeu ontem (11), no Rio de Janeiro, o debate em torno de uma nova institucionalidade para a gestão das florestas no Brasil, aproximando a área ambiental de outras agendas também importantes para o país, como a agrícola.

“Nós precisamos avançar no sentido de conter essas barreiras de uma história de polarização, em torno da criação de uma nova história de convergência entre as agendas de desenvolvimento e ambientais que levem exatamente à sustentabilidade desse desenvolvimento”, disse à Agência Brasil, ao final do primeiro dia do ciclo de debates Brasil Sustentável – O Caminho para o Desenvolvimento, evento promovido pelo Ministério do Meio Ambiente que vai até a próxima quinta-feira (14), na capital fluminense.

Para Izabella Teixeira, é necessário ampliar a interlocução entre o setor público com o setor privado e o social. “A transparência nos atos, na informação, no conhecimento científico, tudo isso servirá para dar maior robustez às políticas florestais e, particularmente, ter uma solução para uma participação mais determinante da economia florestal no desenvolvimento do país”, observou.

Os debates do evento giram em torno de temas comuns à agenda ambiental, como economia, reciclagem, consumo e florestas. Os painéis antecedem as discussões da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que começa na quarta-feira (13).

Mais cedo, na abertura do ciclo de debates, quando o tema abordado foi O Contexto das Unidades de Conservação nas Metas Globais de Biodiversidade para 2020, a ministra disse que as discussões sobre ecossistemas marinhos terão papel especial na Rio+20. "Pessoalmente, aposto nos debates sobre oceanos, assunto de grande relevância na agenda ambiental e que precisa ser discutido de forma global, com representantes governamentais e sociais de todo o mundo", disse.

No Brasil, Izabella destacou a necessidade de aperfeiçoar o trabalho realizado nos centros de excelência e pesquisa ligados diretamente ao tema. "Precisamos trabalhar uma visão mais estruturada de pesquisas de médio e longo prazos e, por outro lado, priorizar a gestão dos ecossistemas marinhos e costeiros".


NO ESTADÃO:

Para ministra, incentivo ao consumo não contradiz discussões da Rio+20

Izabella Teixeira criticou discussões sobre indicadores socioambientais que não levam em conta questões de gestão e defendeu medidas para estimular o consumo



A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, criticou nesta segunda-feira, 11, as discussões sobre indicadores socioambientais que não levam em conta questões de governança e gestão, ao defender as medidas do governo para estimular o consumo, como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de carros. “Tem limite para a miopia ambiental”, disse Izabella a uma plateia formada principalmente por ambientalistas. 
Ministra Izabella Teixeira participa de fórum no  Salão Tom Jobim no Jardim Botânico - Fábio Motta/AE
Fábio Motta/AE
Ministra Izabella Teixeira participa de fórum no Salão Tom Jobim no Jardim Botânico

Segundo ela, as medidas de estímulo ao consumo não são incompatíveis com o debate da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que começa amanhã, no Rio, e reunirá mais de cem chefes de Estado.

“Temos de debater como gente grande. Está na hora de debatermos as unidades de conservação, a regularização fundiária, o acesso à informação com conhecimento técnico e científico. Vamos acabar com o achismo ambiental”, disse a ministra durante o seminário Brasil Sustentável – O Caminho para Todos. Izabella repetiu a expressão que usa com frequência para designar as teses radicais de defesa do meio ambiente que não consideram aspectos de governo, administrativos, econômicos e políticos.

Sobre as medidas para estimular que a população consuma, a ministra afirmou, em entrevista, que “medidas de curto prazo não podem ser confundidas com a discussão de médio e longo prazo da Rio+20, em que será feito um debate para os próximos 20 anos sobre o futuro do planeta sem falar em crise, em guerra”.

Izabella justificou: “A questão do IPI é para solução de crise de curtíssimo prazo, temos empregos, a indústria que está em jogo”. Para a ministra, essas medidas emergenciais não impedirão um esforço dos países para “pactuar um novo padrão de consumo, já que é insustentável repetir os modelos atuais”.

Há dois meses, a presidente Dilma Rousseff também foi enfática ao advertir ambientalistas de que o governo não mudaria seu projeto de aumento da oferta de energia e de desenvolvimento, ao defender a construção de hidrelétricas na Amazônia. “Pessoas contrárias (às hidrelétricas) vivem num estado de fantasia”, disse ela em maio, durante reunião com os integrantes do Fórum do Clima.

A posição do governo vai na contramão do que o Brasil precisa fazer para atingir as metas de redução das emissões de gases de efeito estufa – é justamente o crescimento do consumo de gasolina que deverá fazer o governo rever esses números.

Izabella defendeu que após a conferência o País se volte para seus próprios problemas e discuta, por exemplo, o uso dos recursos de fundos de meio ambiente e o papel das instituições. Ela criticou o fato de o Serviço Florestal Brasileiro estar voltado apenas para florestas da Amazônia. “É um equívoco”, declarou.

A ministra minimizou a ausência na Rio+20 de importantes chefes de Estado, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro britânico David Cameron. “A presença dos líderes é importante, mas veja que os Estados Unidos (que foram representados na Rio 92 pelo então presidente George Bush) até hoje não ratificaram a conversão da biodiversidade. Os países mandarão pessoas de alto nível, com poder de decisão. Entendemos o momento que os países estão vivendo, a crise.”

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ABN/ESTADÃO

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