Agropecuária de MT foi destaque nos debates sobre segurança alimentar na Rio+20

Publicado em 20/06/2012 12:24 549 exibições
Cases de desenvolvimento de municípios, como Lucas do Rio Verde, comprovam modelo de produção de alimentos com preservação.
Os avanços do Brasil na adoção de um modelo de desenvolvimento sustentável nortearam as palestras e debates do evento “Segurança Alimentar e Sustentabilidade no Agronegócio”, realizado no espaço Humanidade 2012, durante a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), nesta terça (19), no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro.

Mato Grosso foi destaque com o ‘case’ do município de Lucas do Rio Verde, apresentado durante o painel pelo presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja Mato Grosso) e vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), Carlos Fávaro.

Fávaro mostrou como Mato Grosso vem conseguindo aliar produção agrícola com desenvolvimento socioeconômico. De um assentamento de reforma agrária, instalado na década de 70, com cerca de 250 famílias, Lucas do Rio Verde alcançou um dos maiores Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado e, em 2009, pelo índice Firjan, ocupou o oitavo lugar entre as cidades brasileiras com melhor IDH, superando mais de cinco mil municípios brasileiros.
Entre vários fatores que proporcionaram este desenvolvimento, o cultivo da soja foi um deles. Para se ter uma ideia, há dez anos, Lucas tinha um IDH de 0,67 e em 2009 o índice chegou a 0,90, que equivale a um alto desenvolvimento.

Além da introdução da soja, o cultivo de uma segunda safra de grãos no mesmo ano agrícola, no caso o milho, possibilitou também a revolução social e econômica no município. “Aliado a tudo isto temos ainda o sistema de integração com a pecuária, ou seja, três safras na mesma área, produzindo alimentos e poupando recursos naturais. Esse modelo de desenvolvimento trouxe a pujança e dinamismo econômico que observamos atualmente em Lucas e em várias outras cidades mato-grossenses, pois para cada emprego gerado no campo, outros 12 são gerados na cidade. É esta a agricultura que temos promovido no Brasil e é isto que queremos mostrar ao mundo”, destacou Fávaro.

O município de Lucas tem cerca de 57 mil habitantes, com uma produção de grãos (soja e milho) de 1,6 milhões de toneladas na última safra, além de ser destaque no processamento de biodiesel, alcançando a marca de 600 mil litros, por dia, e possui um parque industrial para o processamento de carnes, com capacidade para abater 375 mil frangos por dia e cinco mil suínos.

A relevância de Mato Grosso também foi abordada pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Mendes Ribeiro Filho, que prestigiou o painel. Segundo ele, em seis anos o estado reduziu em 74% o desmatamento, e a tendência é ampliar esse percentual tornando-se modelo de preservação. “Mato Grosso é o principal estado brasileiro na produção de grãos e mostra claramente o que buscamos na agropecuária nacional: conciliar sustentabilidade e produção, contribuindo de fato com a erradicação da pobreza”, afirmou o ministro.

O diretor geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Ícone) e integrante do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, André Nassar, também foi um dos palestrantes do Humanidade 2012, com o tema “O Agro brasileiro em 2030”, e ressaltou que há uma percepção na sociedade de que a agricultura é um dos setores que mais gera impactos ambientais, pois utiliza recursos naturais na produção de alimentos.
“Nosso modelo de produção agrícola é o mais eficiente das últimas duas décadas, comparado a qualquer outro país. É o que mais cresceu em relação a produtividade, utilizando poucas áreas e aumentando a produção. Até 2030, dois terços do crescimento da produção agrícola virá do incremento de produtividade com a utilização de novas tecnologias. O desafio de agricultura é conciliar tudo isto com redução de impactos. Devemos adotar esse discurso e mostrar como isso é possível”, ressaltou Nassar.

Sobre a redução do desmatamento, Nassar afirmou que o Governo cumpriu seu papel com a eficiência das políticas públicas e a agricultura exerceu papel importante com a redução de demanda por novas áreas de plantio. “A agricultura tem o menor custo de incorporação da economia verde e é preciso debater a situação de forma séria. Quem defende o desmatamento zero como única solução para a preservação não quer de fato encarar a realidade e enxergar que ocorrerá um impacto grande na produção agrícola e isto não auxiliará na redução da pobreza”, afirmou o diretor do Ícone.

O presidente da Aprosoja Brasil e diretor da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Glauber Silveira, apontou que a inclusão do agronegócio na pauta da Rio+20 representa um avanço significativo para o setor produtivo brasileiro. “Os caminhos nós conhecemos, agora é preciso definir as atribuições e colocar em prática tudo o que tem sido discutido, pois o produtor entende seu papel e sabe que não pode arcar com esse desenvolvimento sozinho”, afirmou.
SUSTENTABILIDADE NO AGRONEGÓCIO - O painel “Segurança Alimentar e Sustentabilidade no Agronegócio” contou ainda com palestras da Embrapa e com outros ‘cases’ da agricultura, um de integração lavoura-pecuária-floresta e um de biotecnologia na agricultura, este último apresentado por um produtor argentino. Também foram apresentados os ‘cases’ das carnes de frango, suíno e bovino. Ao término foram realizados debates com a participação do público por meio de perguntas aos palestrantes.

Prestigiaram o evento a presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária (CNA), senadora Kátia Abreu, o ex-ministro da Agricultura e atual embaixador especial da FAO para o cooperativismo mundial, Roberto Rodrigues, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, deputado federal Homero Pereira, o presidente do Sistema Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), Rui Prado, o diretor titular do Departamento de Agronegócios da Fiesp, Benedito Ferreira, o vice-presidente da Firjan, Geraldo Coutinho, o presidente da Organização das Cooperativas Brasileira (OCB), Márcio Lopes de Freitas, além de diversos produtores e ONGs.

O espaço de exposições do Humanidade 2012 é aberto ao público e a agenda completa de eventos pode ser consultada no site www.humanidade2012.net.
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Aprosoja

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