Na VEJA: Governo Dilma tenta acobertar risco de racionamento no Brasil

Publicado em 08/01/2013 16:34
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Declarações oficiais não são suficientes para esconder o cenário crítico nos reservatórios - o que também deve elevar o custo da tarifa, por Benedito Sverberi, Gabriel Castro e Naiara Infante Bertão, em veja.com.br

Enquanto o sistema elétrico nacional caminha para uma situação de incerteza que pode levar a um racionamento, o governo se apresenta dividido sobre o cenário real. De um lado, declarações oficiais tentam mostrar que o risco não existe - como garantiram o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o secretário-executivo da pasta, Márcio Zimmermann, nestas segunda e terça-feiras. De outro, as avaliações técnicas apontam para um cenário de insegurança, que agora depende mais das chuvas do que da ação do governo. O tema desencadeou preocupação no Executivo, especialmente no Planalto - fazendo, inclusive, com que a presidente Dilma Rousseff antecipasse o fim de suas férias e voltasse a Brasília para uma reunião de emergência na quarta-feira.

A presidente, que também foi ministra de Minas e Energia no governo Lula, costuma demonstrar irritação quando questionada sobre o risco de apagão. Na sua avaliação, 'apagão' é um racionamento generalizado, como o adotado em 2001 pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Ela não admite que o termo seja aplicado a sua gestão - da mesma forma que não pronuncia a palavra privatização para nomear os inúmeros pacotes que divulgou ao longo do ano, concedendo à iniciativa privada a operação de diversos projetos de infraestrutura. Adriano Pires, sócio e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), acredita que o jogo de palavras não passa de uma forma de maquiar o problema. "Estamos pendurados em variáveis imponderáveis, graças à falta de planejamento do governo", diz o consultor. Segundo Pires, a situação de dependência das chuvas, pleno funcionamento das usinas térmicas, abastecimento constante das usinas e controle do consumo é insustentável. Estamos na antessala do racionamento, resume.

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Níveis críticos - No Sudeste, que responde por 70% da capacidade de armazenamento do país, os reservatórios estão em 29% da capacidade - isso equivale a 72% da média histórica para janeiro. No Nordeste, os reservatórios estão com 33% da capacidade preenchida, o que significa apenas 31% da média histórica, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

O nível dos reservatórios das hidrelétricas está abaixo do patamar de segurança estabelecido pelo governo para evitar o racionamento, todas as térmicas estão acionadas - e, mesmo assim, os níveis dos reservatórios continuam caindo. Com isso, os olhos se voltam agora para duas soluções: as chuvas ou a diminuição do consumo.

Do lado das chuvas, as estimativas tampouco são otimistas, conforme mostram dados do próprio ONS no índice ENA (Energia Natural Afluente), que mede a expectativa de chuvas a caírem nas cabeceiras dos reservatórios, com base na média histórica. No relatório desta semana, o ENA esperado para o Sudeste em janeiro está em 72% da média (ou seja, abaixo da média histórica, que seria 100%); para o Nordeste, está em 31%; para o Norte, 57%; e para o Sul (127%). A previsão no Sul é a melhor, mas ele só contribui com 7% da capacidade de armazenamento do sistema hidrelétrico nacional. Chegamos a isso mesmo tendo um crescimento da economia muito pequeno comparado às previsões oficiais, comentou Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil. 

Férias frustradas - A situação alarmante fez a presidente Dilma, que está no litoral da Bahia, planejar sua volta a Brasília para esta terça-feira, quando o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) se reunirá para tratar do assunto. Nos últimos meses, os encontros do CMSE já apontavam para o nível alarmante dos reservatórios das hidrelétricas. Como o cenário não se alterou, a expectativa é de que o encontro desta quarta resulte em medidas mais concretas.

O governo agora depende do imponderável, na avaliação de Adriano Pires: "A situação é preocupante, com certeza. O nível dos reservatórios hoje está muito baixo e, se não chover suficientemente em janeiro e em fevereiro, e no lugar certo (as cabeceiras dos rios), pode piorar ainda mais", diz ele.

Governo evita comparações - Nesta terça-feira, Márcio Zimmermann disse que há um "equilíbrio natural" nos reservatórios e descartou comparações com a situação de 2001, quando o governo Fernando Henrique Cardoso recorreu ao racionamento de energia. Para Zimmermann, os problemas da época eram "conjunturais", o que não ocorreria hoje.

Um dia antes, em entrevista ao Jornal Nacional, da Rede Globo, o ministro Edison Lobão também afirmou que o racionamento não é necessário - mas reconheceu que o custo de acionamento das termelétricas será repassado ao consumidor: "Há um acréscimo de algo em torno de 400 milhões de reais durante os meses em que as térmicas a diesel e a óleo estão sendo despachadas. Essa pequena diferença será repassada ao consumidor. Não chega a ser 1%", afirmou ele.

Preço - Ainda que o governo afirme incansavelmente que os problemas no setor elétrico não afetarão o preço da energia, o discurso não é compartilhado pelo setor privado. "Enquanto a energia das hidrelétricas custa cerca de 100 reais por MWh (MegaWatt-hora), o custo da energia gerada por usinas térmicas que queimam óleo diesel pode chegar a 800 reais por MWh", afirma Nelson Leite, da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). Segundo ele, o aumento do preço será inevitável.

A discussão sobre o impacto da falta de chuvas sobre o custo da energia se dá em meio a um cenário de atrito entre o governo e as companhias do setor elétrico. A comunicação entre as elétricas e o governo enfrenta dificuldades desde que o pacote do setor elétrico foi anunciado, prevendo reduções importantes no preço da energia para as concessionárias que renovarem seus contratos com o governo, cujo vencimento está previsto para 2015. As elétricas estão pressionando o governo por meio desse alerta de apagão. E a presidente quer resolver principalmente essa crise de comunicação com as elétricas - mais até do que qualquer risco de racionamento, afirma uma fonte do setor elétrico próxima do governo. 

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Politização  A advogada e economista Elena Landau, especialista no setor elétrico, disse ainda ao site de VEJA que a negação do governo sobre o risco de racionamento se fundamenta em medo político. Para ela, a confiança apenas nas térmicas e na meteorologia está indo além do necessário. Estamos vivendo um dos piores cenários, com alta do consumo, ligamento das térmicas que geram muitos poluentes, falta de chuvas e falta de uma política ampla e direta de diminuição do consumo. Isso tudo para evitar o uso da palavra racionamento, que o próprio governo petista politizou para usar nas campanhas de 2002, disse. Elena comandou as privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso durante o período em que foi diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre 1994 e 1996.

A economista acredita que o racionamento é uma questão puramente técnica - e que, se for necessário para preservar nosso sistema energético, o governo precisa fazer. O governo anunciou a diminuição da conta de energia, a custo da sobrevivência do sistema Eletrobras, não pediu que não aumentássemos o consumo e ainda nos passa a impressão que não estamos com problemas, afirma. 

usina hidrelétrica de Ilha Solteira

Reservatórios de usinas hidrelétricas estão em níveis menores do que em 2001 (CESP/Divulgação/EXAME)

Na coluna Brasil, do blog de Lauro jardim:

Em queda

Reservatório no Sudeste: mais vazio

Notícia ruim: os niveis dos reservatórios dos subsistemas do Sudeste, Centro-Oeste, Nordeste e Norte continuam caindo. De acordo com dados oficiais, ontem estavam mais baixos do que na sexta-feira.

Notícia boa: somente os reservatórios do subsistema Sul estão tendo um pequeno acréscimo.

Agora, o brasileiro precisa acompanhar, queira ou não, os níveis dos reservatórios.

Por Lauro Jardim

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Fonte: veja.com.br

3 comentários

  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Foi só vir à tona um artigo do Estadão sobre a estatal do petróleo e em "seguidinha" sairam 2 matérias, uma no jornal "O Vale" em 09/01 dizendo que estatal refi nou 2,111 milhões de barris, "recorde", "em 1º de abril", isto é em 1º de janeiro/13 !!!Muito extranho !!! E uma descoberta na área sul de Tupi localizada na área "do pré-sal" de Santos (detalhe "NA AREA"). Localizado a 302 kms da costa do Rio (internacional ???)??? Ao sul do campo de Lula a uma prof. de 2.188 metros (não é pré-sal que começa a partir de 5.000 metros !!) !!!
    Conf. avaliações preliminares da estatal, existe uma ligação entre os 2 reservatórios (??)onde encontraram petróleo de densidade média (porcaria ???) Gozado é que a estatal já perfurou 5.220 metros do poço e achou petróleo em 2.188 metros !!! Não se fura um poço em 1 dia !! Quando foi achada essa jazida afinal ??? E está faltando 400 metros para o final da perfuração, p/ se avaliar a produtividade dos reservatórios (??? Um só poço, quando se precisa de mais de 100 para avaliar uma jazida de verdade ??)
    Será feito um teste de "formação" (????) p/ avaliar a produtividade. Notem bem, (mais uma promessa !!!) a fase exploratória tem término previsto lá para set/2014 !!! (Similar ao Maracanã ????)
    A 2ª noticia, foi uma declaração do prefeito de Ilhabela no Ilhabela Pag A-4 sobre o inicio da produção do campo de Sapinhoá, coincidentemente na Bacia de Santos. "Os atrasos" do cronograma ADIARAM o inicio da operação e "ESPERAMOS" que em 2013 e 2014 resulte em uma grde. produção (??? Novas promessas !!!) O Sr. Toninho Collucci, que deve ser petista, é da Amprogas. Segundo a estatal o campo é um dos maiores campos do país (mais megalomania petista ???) c/, volume recuperável total "ESTIMAVEL" (??? Só isso ??) de barris de óleo equivalente. O 1º poço interligado à Plat. Cidade de São Paulo o 1-SPS-55 tem potencial de produção de 25 mil barris/dia, mas por enqto terá produção de 15 mil/barris (???). O petróleo tem densidade de 30 API e será escoado por navios aliviadores (Quais e quantos temos ou ainda estão em construção ???) . A estatal estima que o pico de produção de 120 mil/barris dia (De onde saiu esse número ???) será atingido no primeiro semestre de 2014 (Em que mês ?? É ano eleitoral !!!) Outros 10 poços serão interligados (outra promessa) à plataforma ao "longo dos próximos meses" (vago, muito vago). O Plano de desenvolvimento do campo prevê uma 2ª plataforma, o FPSO "Cidade de Ilhabela" cujo casco (????) está sendo convertido p/ capacidade 150 mil barris/dia (outra promessa)e 6 milhões de m3 de gás/ dia (em 5 dias cobriremos a meta de 30 mihões que importamos ????). Previsão é que entre em funcionamento no 2º semestre de 2014 (ago. ou dez. de 2014, ano eleitoral ??? Outra promessa !!!) A Petrobras detem 45% de párticipa ção em parceria com a BG c/ 30% e a Repsol/Sinopec (chinesa???) dona dos 25% restantes !!! É tudo assim !! Fazemos descobertas e mais descobertas na "area do pré-sal" mas não em profundidades a mais de 5.000 onde está o "verdadeiro" petróleo do pré-sal.
    A lá de cima é a 2.188 metros !!! E tudo lá pra frente !! Nada a curto nem médio prazo !!! Quero saber onde é lá pra frente de verdade !!! E a hora que chegar o "lá pra frente" o que esses safados mentirosos vão alegar.
    "Precisamos" de 300 anos para cumprir as promessas (miragens) ??? Na minha avaliação são "mentiras plantadas" na midia para mostrar serviço e conquistas irreais; usando a pobre da Petrobras e suas verbas de propaganda, como portavoz desse desgoverno que aí está, hoje um grande cabidão de empregos de politicos e sindicalistas, comedouro de empreiteiras (haja vista os os enormes crescimentos de custos e serviços nas construções de refinarias e outros achegos relatados no Estadão) !!!
    Quem quiser saber mais detalhes a respeito é só consultar os sites www.caraguatatuba.sp.gov.br e www.youtube.com/jornalismocaragua ou entrar em contato com a Assessoria de Comunicação Social de Caraguá pelo tel. (12) 3897-5650. Estão usando desbragadamente as
    bases da Petrobras em S. Sebastião, Caraguatatuba, Ilhabela, e cidades do Vale para mpotivar os paulistas a voterem nêles nas próximas eleições. Só não contaram que enterraram um tatuzão de 143 metros no gasoduto Caragua-S.José, no valor de 51 milhões, pagos com nossa grana, pela incompetencia da Schahain da qual nem cobraram multas, que tem expertise em construções civis (SIC)e se meteu a perfurar o tunel !!! Quanto foi a comissão paga aos "consultores" ou a doação ao partido ?? Para não atrasar o funcionamento !!!!

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  • Vilson Ambrozi Chapadinha - MA

    Demorou,mas o trabalho dos ambientalistas alimentados por dinheiro público mostra resultados.Belo Monte é projeto concebido e estudado pelos governos militares,como tudo o que foi realizado por eles foi demonizado ,legal era ser contra,quem sabe agora não poderemos assistir os capitulos das novelas da Pitanga por falta de energia.

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  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    em 2001 a petralhada gritou aos quatro cantos
    RACIONAMENTO NUNCA MAIS E AGORA VÃO DIZER QUE SÃO PEDRO NÃO COLABOROU MAS EM 2001 ELE TAMBEM NÃO COLABOROU IPÓCRITAS

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