Estoques de grãos estão baixos e inflação pressiona cesta básica

Publicado em 06/02/2013 16:57 e atualizado em 06/02/2013 17:31
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A inflação dos alimentos desafia o governo e os ministros já se mobilizam para conseguir efetivar uma política mais forte de abastecimento. Nos últimos cinco anos, o aumento anual médio dos preços. A ministra-chefe da Casa Civil, Gleise Hoffman, chegou até mesmo a fazer uma reunião com representantes da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para que os estoques públicos de grãos fossem vendidos, tentando, dessa forma, conter a inflação. 

Porém, como noticiou o Valor Econômico, o os estoques públicos da companhia são baixos apesar do contínuo crescimento da produção nacional de grãos. Praticamente não há milho e feijão disponíveis, e as reservas de arroz são suficientes para apenas um mês de consumo e estão em cerca de 756 mil toneladas. 

Diante da tentativa frustrada da venda de estoques públicos, o governo anunciou que irá aumentar o crédito rural e promoverá a desoneração dos produtos da cesta básica. "Se gastarem o dinheiro, terá mais. O que gastarem, nós cobrimos", disse a presidente Dilma Rousseff em um discurso feito a produtores rurais durante o Show Rural Coopavel, uma das maiores feiras do agronegócio brasileiro realizada em Cascavel, no Paraná. 

No ano passado, em janeiro, os estoques de feijão da Conab eram de 69 mil toneladas, porém, terminou 2012 com apenas 6 mil toneladas. O consumo brasileiro é de 280 mil toneladas por mês. "Eles não vêm dando importância ao mercado do feijão já faz tempo. Dizer que houve estoque em algum momento é ridículo simplesmente", diz o analista de mercado da Correpar Marcelo Lüders. 

O analista explica ainda é de a atual produção brasileira de feijão está agora na responsabilidade dos médios e grandes produtores, e não mais dos pequenos. O necessário nesse momento, portanto, é uma política que incentive a cultura entre os médios e grandes, segundo Lüders. "Caso isso não seja feito, essa situação continuará", afirma. Em 2012, o feijão carioca aumentou 31,53%, e o preto, 44,2%. 

Em plena safra, o Brasil tem importado  feijão da China e deve continuar com essas compras, não só dos chineses, mas também da produção argentina. Em algumas localidades, a saca do feijão carioca foi negociada a R$ 250,00 no estado de São Paulo. "O povo come 280 mil toneladas de feijão por mês e vai tirar de onde? Então, os preços continuarão bastante pressionados, forçando a inflação até meados de abril", completou o analista. 

Outro produto que está em falta é a farinha de mandioca, também essencial para a cesta básica. Em Condeúba, na Bahia, região de Vitória da Conquista, os produtores de mandioca sofrem uma das piores secas dos últimos 30 anos e se deparam com uma severa escassez da matéria-prima. O mercado na região está sendo abastecido com produto do Paraná. 

"A cada ano, o pessoal aqui está mais desanimado. Planta, perde, toma prejuízo e isso só vem prejudicando os produtores, principalmente os pequenos", afirma o produtor rural José Alves Pereira. "O homem do campo é quem coloca o alimento na mesa do homem da cidade. Mas haverá um momento em que ele vai colocar o dinheiro e não vai mais receber o alimento", completa. 

Diante desse cenário, o governo anunciou ainda que aumentará o preço mínimo tanto da farinha de mandioca quanto do feijão como forma de incentivo ao plantio. Além disso, o Ministério da Agricultura, segundo uma avaliação da Presidência, não atuou no momento certo para aquisição de estoques, contribuindo para o preocupante momento atual. 

Clique nos links abaixo e confira as entrevista de Marcelo Lüders e José Alves Pereira:


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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

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