Mercado de café: Preços de 2009 com risco de buscar 2008

Publicado em 26/05/2013 20:13 e atualizado em 06/06/2013 16:17 469 exibições
por Rodrigo Corrêa da Costa, escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

A semana começou com a agência de risco Moody’s alertando para um possível corte na nota dos títulos americanos caso não haja um acordo orçamentário em breve. Nada de novo.

Na sequência o presidente do FED (banco central americano) sinalizou que pode reduzir compras de títulos se dados econômicos derem lastro a isto, e ainda que falasse que uma interrupção prematura do programa de compra de títulos pode colocar a recuperação da economia em risco, os mercados deram atenção apenas a primeira parte do discurso e com isto as bolsas, commodities e bonds cederam.

Indicadores de manufaturados na China vieram mais baixo do que o esperado e ajudaram a dar um tom ainda mais negativo para as commodities, que caíram lideradas pelo algodão, café e o grupo de energia.

O contrato de arábica negociado na ICE acumulou perdas de US$ 12.77 por saca em cinco dias, encerrando a pregão de sexta-feira no menor patamar desde setembro de 2009. O robusta caiu US$ 5.10 a saca, trazendo a arbitragem entre as duas bolsas para US$ 38.71 centavos por libra.

A falta de suporte do “C” se deve aos fundos estarem remontando sua posição vendida, e da indústria ter menos pressa para comprar o “flat-price” (contratos futuros). A percepção de grande parte do mercado é não apenas dos estoques estarem em patamares confortáveis, mas também do prognóstico de safras grandes de Brasil e Vietnã. Falando nisto uma respeitada trading internacional estima que ambos terão safras recordes no ciclo 2013/2014!

O fato dos estoques mundiais terem aumentado nos últimos dois anos não aponta necessariamente para folga na oferta de robusta e de cafés mais finos, enquanto que para os cafés brasileiros não custa lembrar que os estoques estão em grande maioria no próprio Brasil. Se de fato houver programas para ajudar receitas aos produtores, como recomendou o Ministério da Agricultura nesta semana, e estes retirem café do mercado, talvez então os altistas possam voltar a se animar. Caso contrário tudo indica que Nova Iorque caminha para testar os US$ 110.00, e não podemos ignorar a possibilidade de então buscar os US$ 100.00 centavos (que vimos pela última vez em 2008).

A preocupação com fungos e ferrugem nos cafezais da América Central, embora triste para os produtores da região que sofram com as perdas, são minimizadas com as expectativas de produção grande nas duas maiores origens do mundo. 

O USDA estima que a safra Vietnamita em 13/14 seja de 22.9 milhões de sacas, menos do que os 25 milhões que muitos trabalham, e ainda menor do que os 30 milhões mencionados recentemente por um grande player. O órgão indica que a safra da India será de 5.2 milhões de sacas, relativamente em linha com os 5.5 e 5.7 milhões de sacas que outros trabalham.

A movimentação no mercado físico minguou com o movimento negativo das bolsas, provocando encarecimentos dos diferenciais em praticamente todas as origens, ainda que Brasil, Vietnã, Colômbia tenham se beneficiado da firmeza do dólar (ou do enfraquecimento de suas moedas).

O dólar americano firmando tira suporte das commodities como um todo, por encarecê-las, e assusta caso um participante robusto resolva desmontar parte de suas posições, os fundos de índice. Estes entraram nas commodities buscando proteção contra inflação e enfraquecimento do dólar. Como o risco que todos tentam evitar é de deflação, que cada vez mais preocupa com a queda das commodities, recessão e crescimento baixo em várias economias, e agora a moeda americana ensaia fortalecer, com a prematura expectativa de que o governo pare de imprimir dinheiro, será que eles não podem rever suas posições?! Assustador imaginar isto!

Os baixistas voltam a controlar o mercado de café, e tem muitos argumentos para (por ora) continuar a vender os contratos futuros. Os preços do robusta continuam ser os mais vantajosos, um dos motivos que estimulam a renovação do parque no Vietnã entre outras coisas. Apesar do equilíbrio da oferta e procura pelo produto, o arábica pode atuar como vilão, portanto reforço minha opinião de que os produtores desta variedade devem aproveitar a oportunidade para venderem seus cafés.

Uma ótima semana e muito bons negócios a todos.

Rodrigo Costa* 
 

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Fonte:
Archer Consulting

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