Mercado de acucar: BOM DEMAIS PARA SER VERDADE

Publicado em 23/11/2013 09:49 545 exibições
por Arnaldo Luiz Corrêa

O ministro Mantega adiou por uma semana a reunião que ocorreria, nesta última sexta-feira, do conselho da Petrobras – presidido por ele - que iria discutir a nova metodologia de ajuste de preços dos combustíveis alinhando-os com os preços praticados no mercado internacional. A atual, se é que existe alguma, é usar os preços dos combustíveis ao consumidor como instrumento de controle da inflação, numa prática tão anacrônica quanto os pensamentos de sua excelência. Mantega resiste com todas as forças para dar o braço à torcer nessa situação insustentável para a Petrobras. Era muito bom para ser verdade. 

Por essa sua atitude pusilânime, em contraste com a arrogância dele e da sua chefe, perdem a estatal do petróleo, que importa gasolina num preço maior do que vende às distribuidoras; perdem os contribuintes, que financiam esse subsidio dado à gasolina, sejam eles proprietários ou não de veículos e perde o setor sucroalcooleiro, que não consegue planejar o futuro da indústria enquanto houver subsídios aos combustíveis. Segundo estimativas de alguns analistas, o aumento dos combustíveis (gasolina e diesel) reforçaria o caixa da estatal do petróleo em R$ 50 bilhões, demasiadamente necessários para quem planeja investimentos da ordem de US$ 240 bilhões até 2017. 

O mercado futuro de açúcar em NY, como não poderia deixar de ser, acaba refletindo não apenas a ducha de água fria mencionada acima, mas também a apatia do mercado de exportação. Mesmo o fato da Agência de Proteção Ambiental Americana, a EPA, ter anunciado redução na utilização de biocombustíveis para 2014, o que significa menor espaço para a exportação de etanol brasileiro para aquele país, não teria tanto impacto como se supõe. O mercado interno tem muito espaço para absorver totalmente a produção de etanol do Brasil para a próxima safra, especialmente se a tal metodologia discutida acima for introduzida. 

Pelos cálculos da Archer Consulting, mesmo limitando as exportações de etanol para o ano que vem em 1,25 bilhão de litros, assumindo que o percentual de automóveis flex que utilizam o hidratado permaneça inalterado, bem como a participação do Brasil no mercado internacional de açúcar e o consumo interno também inalterados, vamos precisar moer em 2014/2015 aproximadamente 617 milhões de toneladas no Centro-Sul, muito próximo da capacidade de moagem que deve estar entre 624-630 milhões de toneladas. Existem “previsões” otimistas para a próxima safra que vão até 630 milhões de toneladas.

NY fechou a semana cotado em 17,39 centavos de dólar por libra-peso, uma baixa de 16 pontos (3,53 dólares por tonelada) no vencimento março/2014, enquanto os demais meses negociados, com exceção do vencimento maio/2014 que fechou praticamente inalterado, os demais fecharam ligeiramente em alta entre 6 e 18 pontos (de 1,30 a 4 dólares por tonelada). 

O custo de produção de açúcar apurado pelo modelo da Archer Consulting é de R$ 34,4840 por saca posto usina. O custo de produção do anidro é de R$ 1,1242 por litro e do hidratado R$ 1,0792 por litro, ambos posto usina. As margens de contribuição estão boas, não fosse o alto custo financeiro para a maioria das usinas. Para as empresas capitalizadas, a estimativa de ganho operacional (mercado menos custo de produção, sem custo financeiro) está em torno de US$ 6,57 por tonelada de cana moída. Grosso modo, o ganho operação do setor é de R$ 8,5 bilhões enquanto os custos financeiros, segundo uma instituição financeira, atingem R$ 8,8 bilhões ao ano. 

A volatilidade histórica anualizada do mercado nos últimos 50 dias é de 21,34%. A média de 100 dias está em 18,33% e a de 200 dias é de 18,75%. Está havendo uma pequena alteração no curto prazo com mais participantes preocupados com uma possível elevação de preços em função de fatores altistas que estão incubados ainda, mas que podem eclodir a qualquer momento. Só para ilustrar: a oscilação do mercado nos últimos 50 pregões foi de 343 pontos. A de 100 dias teve oscilação de 423 pontos, a mesma de 200 dias. Isso é mesmo um mercado enfadonho. O recorde de oscilação em 200 dias foi de 5.440 pontos entre 21/11/1974 e 11/09/1975 (de 11,60 para 66,00 centavos de dólar por libra-peso) !!!

O número de contratos em abertos no mercado futuro de etanol hidratado na BM&F Bovespa está hoje em torno de 3.30 lotes, o que é muito pouco para o potencial de hedge que esse mercado pode demandar. É provável que – caso o conselho da Petrobrás aprove a nova metodologia para ajuste de preços para os combustíveis – tenhamos um crescimento substancial na negociação do etanol na bolsa. Os provedores de operações de balcão poderão, quem sabe num futuro não muito distante, desenhar operações de derivativos que levem em consideração o WTI em NY, o etanol na BM&F Bovespa e o dólar. Acredito que esse mercado vai se sofisticar ainda mais nos próximos anos demandando profissionais que entendam como funcionam os mecanismos de proteção disponíveis no mercado. Um mercado livre, sem interferência do governo, propiciará produtos que poderão atender até mesmo a um hedge do próprio mix de produção. Temos muito a crescer ainda.

Apenas para registro, o preço da gasolina no Brasil caso seguisse a paridade internacional, seria de R$ 3,157 por litro na bomba, uma defasagem de pelo menos 10%. Esse é o motivo da paúra do Sr. Mantega.

Um bom final de semana para todos

Arnaldo Luiz Corrêa

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Fonte:
Archer Consulting

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