Manifestantes voltam às ruas da Venezuela neste sábado

Publicado em 16/02/2014 13:12 e atualizado em 16/02/2014 15:11 355 exibições
no G1.com.br

Manifestantes opositores e partidários do governo se reuniram neste sábado em distintas praças de Caracas e outras cidades venezuelanas no 12º dia de protestos que deixaram três mortos em distúrbios registrados na quarta-feira (12).

Vestidos de branco em sua maioria e com bandeiras da Venezuela, cerca de 3 mil opositores em sua maioria estudantes protestaram em Mercedes, uma zona comercial de luxo do leste de Caracas, lotando uma praça e as avenidas próximas.

"Antes não saíamos às ruas por causa da insegurança, agora saímos para protestar e nos matam. Os jovens não têm fé nem esperança, não podemos conseguir um trabalho e se temos um, não dá para ter uma vida digna", comentou à AFP Issac Castillo, de 27 anos, da Universidade Andrés Bello.

No centro de Caracas, milhares de simpatizantes do governo, em sua maioria vestidos de vermelho, ganharam várias praças ao ritmo de tambores enquanto alguns dançavam e outros faziam exercícios aeróbicos.

O protesto governista, com enormes bandeiras nacionais e imagens do herói nacional Simón Bolívar e do presidente Hugo Chávez, foi convocado 'pela paz e contra o fascismo'.

O presidente Nicolás Maduro denunciou que os protestos opositores constituem um 'golpe de Estado em desenvolvimento' contra seu governo e alertou que usou a força policial para impedir manifestações que não estejam autorizadas e bloqueios das ruas.

Desde o começo de fevereiro, Caracas e outras cidades da Venezuela são cenário de protestos de estudantes e opositores do governo para denunciar a insegurança, a inflação e a escassez de produtos.

Na quarta-feira, Dia da Juventude, aconteceram as maiores mobilizações, mas após os protestos, se desencadearam confrontos de rua que deixaram três mortos, mais de 60 feridos e uma centena de detidos.

Na noite de quinta-feira, manifestantes foram dispersados por guardas nacionais com gases lacrimogêneos e jatos de água depois de bloquearem duas movimentadas avenidas.

Oposição critica 'apagão informativo' na Venezuela

Opositores reclamam de cobertura da mídia tradicional que, segundo eles, está alinhada com o governo.

Manifestante ferido a bala é levado para carro da polícia durante confrontos nesta quarta-feira (12) em Caracas, capital da Venezuela (Foto: AP)Manifestante ferido a bala é levado para carro da polícia durante confrontos na quarta-feira (12) em Caracas, capital da Venezuela (Foto: AP)

Opositores  a Maduro acusam o governo de estar por trás de uma "censura" nas redes sociais, meio encontrado por milhares de venezuelanos para reclamar dos meios de comunicação e divulgar o que, segundo eles, não é veiculado por rádios e TVs.

Recentes problemas técnicos no Twitter acentuaram o volume de críticas. Usuários relataram ter tido dificuldades de subir fotos e vídeos após uma marcha estudantil na capital Caracas que terminou com três mortos, dezenas de feridos e manifestantes presos.

A empresa americana confirmou que teve problemas na Venezuela e creditou a pane à Compañía Anónima Nacional Teléfonos de Venezuela (CANTV), a estatal que também oferece serviços de Internet.

"Confirmamos que imagens vêm sendo bloqueadas no Twitter na Venezuela. Acreditamos que o governo esteja por trás disso", afirmou Un Wexler, porta-voz da companhia, em email enviado à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC.

Os usuários afetados alegam que o problema ocorre apenas em conexões estabelecidas por meio do serviço de internet da CANTV, mas a estatal negou que esteja envolvida na falha.

Sem alternativas
Opositores venezuelanos relatam preocupação sobre a possibilidade de que, sem as redes sociais, não consigam ter acesso a informações que não são veiculadas pela mídia tradicional.

"Durante esse tempo todo, estive grudada no Twitter e no Facebook, porque a TV não mostra nada", afirmou à BBC Mundo uma venezuelana que não pôde participar do protesto da última quarta-feira e queria buscar mais detalhes sobre a mobilização.

Como ela, naquele dia, muitos opositores perceberam que no restante da Venezuela poucos sabiam o que estava acontecendo nas ruas de Caracas por parte da mídia tradicional.

O cenário das comunicações no país parece ter se invertido nos últimos anos. Mesmo depois da chegada do ex-presidente Hugo Chávez (1954-2013) ao poder, o governo acusou por diversas vezes a imprensa de estar a serviço de partidos políticos.

Agora, os opositores se queixam de que não têm espaço na mídia tradicional.

A crítica à cobertura da imprensa, entretanto, divide opiniões na sociedade venezuelana. Enquanto uns defendem que a mídia vem sendo mais responsável em relação à publicação das notícias, outros dizem se tratar de censura.

Primeiro "apagão"
Não é a primeira vez que os meios de comunicação venezuelanos são acusados de "esconder" informações.

Entre os dias 11 e 13 de abril de 2002, quando uma tentativa de golpe tirou o ex-presidente Hugo Chávez do poder, os principais canais de televisão, estações de rádio e jornais foram criticados por não cobrir protestos chavistas exigindo a reintegração governo.

Mas o cenário da mídia venezuelana mudou muito. Em 2008, a Radio Caracas Televisión (RCTV), até então o principal canal do país, cessou as transmissões depois que Chávez anunciou que não iria renovar sua licença, acusando os seus líderes de ter instigado o golpe. A emissora estava no ar havia 50 anos.

Em 2009, 30 emissoras comerciais também fecharam, incluindo várias consideradas de oposição ao governo. As freqüências foram ocupadas por emissoras 'neutras' ou alinhadas com o governo.

Temendo represálias, dois outros canais de televisão do país, a Venevisión e Televen, assumiram posições 'neutras', reduzindo de suas programações o tempo dedicado ao jornalismo e demitindo jornalistas que criticavam o governo.

Mas o maior golpe aos opositores veio em 2013, quando o controle do canal Globovisión mudou de mãos e sua política editorial tornou-se menos virulenta.

Novas formas de censura
Os críticos consideram que a imprensa venezuelana vem praticando o que chamam de "autocensura" por causa dos termos da lei de Responsabilidade Social em Rádio, Televisão e Oriente Eletrônica ou "Lei da Primavera", como é conhecida popularmente.

Após duas semanas de manifestações estudantis e na véspera do protesto de 12 de Fevereiro, a Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel), a Anatel venezuelana, pediu aos meios de comunicação que cumprissem à risca o artigo 27 da lei, que proíbe a apologia ao ódio e à violência.

"A cobertura midiática que os atos de violência perpetrados em algumas partes do país estão recebendo poderia ser considerada uma violação do disposto no artigo 27 da lei", declarou William Castillo, presidente da Conatel.

Para os críticos, no entanto, o problema é a forma como a lei está redigida. Eles argumentam que o conceito de apologia ao ódio e à violência é muito amplo e sua interpretação fica a critério dos órgãos oficiais.

Desinformação
O escritório da ONG Transparência Internacional na Venezuela questionou a relevância do "alerta" feito pela Conatel e afirmou, por meio de um comunicado, que considerava o aviso uma violação do direito à informação consagrado na Constituição da Venezuela e nos tratados internacionais.

"Enquanto as redes sociais informavam sem nenhuma veracidade o que acontecia (nos protestos) à pequena parcela da população venezuelana que tem acesso à Internet, a mídia tradicional transmitia a comemoração do Dia da Juventude", afirmou o comunicado.

Manifestantes desafiam proibição na Venezuela

 

Familiares carregam caixão de Juan 'Juancho' Montoya, morto durante os protestos em Caracas. (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)Familiares carregam caixão de Juan 'Juancho' Montoya, morto durante os protestos em Caracas. (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)

O governo do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, manteve na prisão nesta sexta-feira (14) dezenas de manifestantes enquanto os protestos de estudantes ainda prosseguiam em várias partes daVenezuela, depois que a violência desta semana em manifestações políticas resultou na morte de três pessoas.

Manifestantes começaram a se reunir novamente em várias cidades depois de bloquearem ruas e queimarem pneus durante a noite em um protesto contra a repressão às manifestações, bem como por uma longa lista de queixas contra Maduro, da criminalidade à escassez de produtos.

Apesar da proibição presidencial de protestos, cerca de 500 pessoas se reuniram nesta sexta-feira na Praça Altamira, em Caracas, um ponto de encontro de protestos da oposição.

"Vamos continuar nas ruas pelos mesmos motivos de ontem e do dia anterior: inflação, insegurança e um Estado repressivo que se recusa a libertar nossos colegas", disse à Reuters o estudante Marcos Matta, 22.

Maduro, 51, ex-ativista sindical e motorista de ônibus, acusa seus inimigos de tentarem dar um golpe de Estado contra ele semelhante àquele que removeu do poder por breve período sem antecessor, Hugo Chávez, em 2002.

No entanto, não há nenhum sinal de que as manifestações de rua ameacem derrubá-lo nem que os militares -- cujo papel foi crucial em garantir a recondução de Chávez ao poder 36 horas depois do golpe -- vão se voltar contra Maduro.

Num discurso na noite de quinta-feira, o presidente pediu a seus seguidores que saiam às ruas no sábado, mas insistiu que não serão autorizadas mais manifestações de protesto.

Ativistas da oposição dizem que cerca de 150 manifestantes foram presos nas últimas duas semanas, a maioria deles após a violência de quarta-feira, e que por volta de 90 ainda estavam atrás das grades na sexta-feira.

O governo calcula o número de prisões em cerca de 70.

Estadão: Venezuela tem terceira noite de protestos

Cerca de 500 manifestantes bloquaram o trânsito e forças de segurança usaram gás lacrimongênio e canhões de água

15 de fevereiro de 2014 | 11h 33

Forças de segurança na Venezuela usaram canhões de água e gás lacrimogêneo para dispersar estudantes em protestos na principal avenida de Caracas na terceira noite consecutiva de manifestações contra o governo. Cerca de 500 manifestantes bloquearam o trânsito durante várias horas para pedir justiça pelos dois estudantes mortos na quarta-feira em meio aos embates com a polícia e milícias armadas pró-governo.

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Manifestantes fazem homenagem aos dois estudantes mortos na quarta-feira. - Leonardo Idoria/EFE
Leonardo Idoria/EFE
Manifestantes fazem homenagem aos dois estudantes mortos na quarta-feira.

Quando a polícia dispersou a multidão na noite de sexta, os estudantes se reagruparam em uma praça próxima, onde queimaram lixo e jogaram pedras nos policiais. O presidente venezuelano, Nicolas Maduro, repreendeu os estudantes num pronunciamento na televisão dizendo que não tolerará mais interrupções nas estradas do país. Não houve relatos de ferimentos graves.

Os protestos se seguiram ao enterro dos dois estudantes naquele dia. Também foi enterrada uma terceira vítima, um membro da milícia pró-governo que foi assassinado na quarta-feira. Ao mesmo tempo, autoridades começaram a soltar dúzias de manifestantes que haviam sido presos nos últimos dias.

Derrik Redman contou que ele e seu filho, Robert, foram a um protesto pacífico com mais de 10 mil manifestantes e Robert não voltou para casa. Naquela noite, ele recebeu uma ligação dizendo que o filho havia morrido com um tiro após enfrentamento com a polícia. "Enquanto os protestos continuarem, eu continuarei participando", declarou. 

Do outro lado da cidade, na favela 23 de Janeiro, local onde o corpo do ex-presidente Hugo Chávez foi enterrado, cerca de cem pessoas, muitas com faces cobertas e segurando pistoras, prestaram homenagens a Juan Montoya. Ele foi morto quando um grupo pró-governo que ele liderava chegou ao local de um enfrentamento entre manifestantes e a polícia. Tiros foram disparados e ele e o estudante Bassil D''Acosta morreram. Fonte: Associated Press. 

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g1.com.br + Estadão

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