Venezuela registra 4.a morte em protestos. Tensão cresce em todo o País

Publicado em 18/02/2014 07:43 e atualizado em 18/02/2014 11:38 661 exibições
Estudante morre no hospital enquanto oposição prepara ato em Caracas

CARACAS - Em meio aos preparativos para as marchas que a oposição venezuelana convocou para esta terça-feira, 18, um estudante de 17 anos que havia sido ferido em protestos morreu no hospital, segundo ativistas e a família do jovem. Com a morte de hoje, chega a quarto o número de vítimas em manifestações nos últimos cinco dias na Venezuela.  O jovem, cuja identidade não foi revelada, havia sido atropelado na segunda-feira enquanto marchava na cidade de Carupano, no Estado de Sucre.

O líder opositor Leopoldo López promete liderar uma grande marcha hoje, em Caracas, antes de se entregar às autoridades. Ex-prefeito da cidade de Chacao e um dos mais duros críticos do governo de Nicolás Maduro, López teve a prisão decretada acusado pela morte de três manifestantes durante protesto antigoverno que ele organizou na quarta-feira.

Ontem, líderes do seu partido, Vontade Popular, exibiram um vídeo em que supostos agentes do aparato de segurança venezuelano aparecem invadindo o QG do grupo opositor. As imagens mostram homens uniformizados e com capacetes apontando suas pistolas para os opositores, que são obrigados a abrir a porta de vidro da recepção sob a mira das armas de fogo.

Pouco depois, um dos agentes tenta arrombar uma porta a pontapés. Após 40 segundos, a porta é derrubada e os agentes entram. Depois, pedem documentos aos cinco militantes do Vontade Popular que aparecem no vídeo.

De acordo com o prefeito de El Hatillo, David Smolanski, que pertence ao partido opositor, a ação ocorreu às 15h20 e foi posta em prática pela Direção de Contrainteligência Militar, na sede do partido em Altamira – no distrito caraquenho de Chacao, reduto eleitoral de López. Segundo Smolanski, os agentes buscavam Carlos Vecchio, coordenador político do Vontade Popular.

Pelo Twitter, López confirmou a manifestação de hoje. Sua intenção é liderar uma passeata até a sede do Ministério do Interior e, em seguida, entregar-se à Justiça – que decretou sua prisão por "terrorismo" e "homicídio". Também pelo Twitter, o governador do Estado de Carabobo, Francisco Ameliach, chavista do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), convocou a milícia bolivariana Unidades de Batalha Bolívar-Chávez "a preparar-se para um contra-ataque fulminante". "Diosdado (Cabello, presidente da Assembleia Nacional) dará a ordem."

O prefeito do Distrito de Libertador, em Caracas, afirmou que a marcha de hoje não está autorizada. "Não nos pediram nenhuma permissão. Portanto, não haverá mobilização da direita", disse Jorge Rodríguez.

"Não precisamos de permissões. Direitos não se negociam", respondeu López no microblog. O secretário-geral do partido democrata-cristão Copei, Jesús Barrios, afirmou que seus correligionários participarão da manifestação de hoje.

Já o líder opositor Henrique Capriles, que não apoia a mobilização, declarou que a violência é "um beco sem saída".

Cerca de 200 estudantes protestaram ontem em Caracas, contra o  "blecaute de informação" no país. Em Maracaibo também houve manifestação envolvendo cerca de cem estudantes. 

O governo venezuelano identificou ontem os três diplomatas dos EUA acusados de apoiar os recentes protestos qualificados por Maduro como uma "tentativa de golpe". Caracas estabeleceu um prazo para que eles deixem o país sem sofrer sanções. Washington qualificou as acusações de que financia os protestos como "falsas e sem fundamento". Os subsecretários Breann McCusker, Jeffrey Elsen e Kristopher Clark têm até amanhã para sair da Venezuela. / EFE

Venezuela: clima de tensão na Capital, momentos antes dos protestos

A capital da Venezuela, Caracas, apresenta um clima de tensão nesta terça-feira à medida que movimentos contrários ao governo de Nicolás Maduro e grupos de apoio ao presidente convocaram manifestações nas ruas da capital. O líder oposicionista Leonardo López desafiou as autoridades a lhe prenderem quando aparecer em público.

Os protestos ocorrerão um dia depois de Maduro dar um prazo de 48 horas para três funcionários da embaixada dos EUA deixarem o país, sob a alegação de que apoiam planos da oposição para minar seu governo. Os EUA negaram a acusação.

Apoiadores de López, que é o adversário mais forte de Maduro e procurado pela polícia sob uma série de acusações, redirecionaram o protesto para longe da praça central de Caracas, onde petroleiros a favor do governo planejam sua própria manifestação.

Na última semana centenas de estudantes conduziram protestos pacíficos durante o dia, mas que terminaram em conflitos com a polícia pela noite. Os manifestantes contrários ao governo protestam contra a alta da violência e da inflação, além da falta de bens básicos. 

Três pessoas morreram no protesto da última quarta-feira, sendo dois estudantes contrários ao governo e um apoiador do presidente Maduro. Imagens e fotografias mostraram que ao menos um dos estudantes morreu quando uma milícia a favor do governo abriu fogo diretamente contra o grupo que se manifestava contra Maduro. 

Na noite desta segunda-feira, um grupo de ativistas contrários ao governo resgatou Dario Ramirez, um político da oposição que havia sido algemado por forças de segurança da Venezuela após uma busca na sede do partido Vontade Popular, de López. No domingo, López disse que não teme a prisão e convocou seus apoiadores a marcharam com ele nesta terça-feira até o Ministério do Interior, onde planeja entregar uma petição demandando proteção aos manifestantes. Fonte: Associated Press.

Venezuela

Partido opositor venezuelano denuncia invasão à sede

Dirigentes dizem que oficiais do Exército chegaram sem ordem judicial; protestos na Venezuela entram na terceira semana

O partido opositor venezuelano Voluntad Popular (VP), sigla de Leopoldo López, um dos líderes das manifestações contra o presidente Nicolás Maduro, denunciou na noite desta segunda-feira que uma de suas sedes foi invadida por militares ligados a setores de inteligência do Exército. 

Em um vídeo (veja abaixo) divulgado na conta do VP no Twitter, é possível ver um grupo de homens uniformizados chegando à recepção da sede, que fica no bairro de Altamira, em Caracas, com armas em punho. Um dos supostos militares chuta uma porta para acessar outras salas da sede. Segundo um comunicado do partido, nenhum dos homens tinha identificação ou apresentou ordem judicial.

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Em sua conta no Twitter, o prefeito de El Hatillo, David Smolansky, um membro da sigla, afirmou que os invasores estavam procurando por Carlos Vecchio, um dos coordenadores do VP. Vecchio, que não estava no local, também denunciou a invasão em sua conta na rede social e disse que ela foi conduzida por membros da Direção de Inteligência Militar (DIM) e que houve registro de danos materiais na sede. 

Protestos - Ao mesmo tempo em que o VP denunciava a invasão, mais um protesto foi registrado na capital Caracas, marcando o início da terceira semana de manifestaçõescontra Nicolás Maduro.

Um grupo de estudantes universitários foi barrado pela polícia quando tentava realizar uma passeata em frente à sede da Comissão Nacional de Telecomunicações da Venezuela (Conatel), no centro da capital.

O órgão, que é responsável por regulamentar o setor de telecomunicações no país, é acusado de censurar veículos que noticiam os protestos. 

A marcha, que até o início da noite seguia pacífica, foi barrada pela polícia a uma quadra da sede do órgão. Segundo o jornal opositor El Universal, não foram registrados incidentes mais graves durante o protesto. Uma comissão de estudantes entregou para funcionários da instituição um documento com queixas sobre a censura imposta aos veículos de comunicação. 

Opositor - A terça-feira deve ser palco de mais manifestações, desta vez com um maior potencial para incidentes. Leopoldo López anunciou que pretende liderar uma manifestaçãoaté a sede do Ministério das Relações Interiores, Justiça e Paz da Venezuela. É um gesto de desafio, já que López teve a prisão decretada na semana passada sob a acusação de instigar violência. O opositor declarou que ao se entregar pretende “mostrar a cara” e que “não tem nada a temer”, e disse ainda que o ministério se "converteu no símbolo da repressão, da perseguição, das torturas e das mentiras".

A reação do governo ao protesto deve ser dura: o prefeito de Libertador, um dos municípios que formam a grande Caracas e onde estão as sedes do governo federal, já avisou que os manifestantes não têm autorização para marchar. “Não vamos permitir que o ódio se instale na nossa cidade”, disse o prefeito, segundo declarações reproduzidas pelo jornal El Universal

NA VEJA: Governo e oposição marcaram manifestações em Caracas. Opositor Leopoldo López, procurado pela polícia, desafia autoridades a prendê-lo nas ruas 

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Estudantes saíram ás ruas durante protesto anti-governo em Caracas - (17/02/2014)

Estudantes saíram ás ruas durante protesto anti-governo em Caracas - (17/02/2014) - Santi Donaire/EFE

 

A capital da Venezuela, Caracas, deve experimentar um clima de tensão nesta terça-feira à medida que setores contrários ao governo de Nicolás Maduro e grupos de apoio ao presidente convocaram manifestações nas ruas da cidade. O político de oposição Leonardo López, líder do partido Vontade Popular (VP) que teve sua prisão decretada pela Justiça, desafiou as autoridades a lhe prenderem quando aparecer em público nos protestos. Maduro declarou que se López for localizado pela polícia, será preso nesta terça.

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A nova rodada de protestos na Venezuela acontece um dia depois de Maduro dar um prazo de 48 horas para três funcionários da Embaixada dos Estados Unidos deixarem o país, sob a alegação de que conspiraram para minar seu governo. A expulsão confirma o hábito, repetido desde os governos de Hugo Chávez, de culpar os americanos pela instabilidade no país. Os EUA negaram a acusação.

Apoiadores de López, que é procurado pela polícia sob uma série de acusações – entre elas a de instigar a violência que acabou causando três mortes na quarta-feira passada – redirecionaram o protesto para longe da praça central de Caracas, onde petroleiros a favor do governo planejam sua própria manifestação.

Há cerca de duas semanas, estudantes organizam protestos pacíficos contra o governo durante o dia, mas que terminaram em conflitos com a polícia à noite. Entre as reclamações dos manifestantes estão a alta da violência e da inflação, além da falta de bens básicos de consumo.

Milícia – Dos três mortos nos confrontos da semana passada, dois eram estudantes contrários ao governo e um era apoiador do presidente Maduro. Imagens e fotografias mostraram que ao menos um dos estudantes morreu quando uma milícia a favor do governo abriu fogo diretamente contra o grupo que protestava contra Maduro.

Na noite desta segunda, um grupo de partidários e simpatizantes da oposição resgatou Dario Ramirez, político que havia sido algemado por forças de segurança da Venezuela após uma busca na sede do partido Vontade Popular, de López. A legenda qualificou a ação de invasão, já que os militares do Exército envolvidos não possuíam mandado judicial.

No domingo, López disse que não teme a prisão e convocou seus apoiadores a marcharam com ele nesta terça-feira até o Ministério do Interior, onde planeja entregar uma petição demandando proteção aos manifestantes.

(Com Estadão Conteúdo)

Mercosul, cúmplice de Maduro

EDITORIAL DE O Estado de S.Paulo

Após guardar silêncio obsequioso por vários dias, o Mercosul resolveu pronunciar-se a respeito das manifestações na Venezuela, cuja repressão gerou confrontos e resultou na morte de ao menos três pessoas. Em lugar de condenar a violência e de conclamar o governo de Nicolás Maduro a respeitar o direito democrático de protestar, o bloco sul-americano, do qual o Brasil faz parte, preferiu alinhar-se aos chavistas. Ao escolher um lado, o Mercosul mostra definitivamente que sua diplomacia é refém da ideologia bolivariana, apoiando um governo que violenta a democracia à luz do dia.

Em nota oficial, tão chavista que parece ter sido da lavra do próprio Maduro, os integrantes do Mercosul criticam as "tentativas de desestabilizar a ordem democrática" - uma clara alusão aos manifestantes. A referência é ainda mais explícita quando o bloco diz rejeitar "as ações criminosas de grupos violentos que querem espalhar a intolerância e o ódio na República Bolivariana da Venezuela como uma ferramenta política".

Por fim, os parceiros de Maduro "expressam seu mais forte rechaço às ameaças de ruptura da ordem democrática legitimamente constituída pelo voto popular" - uma acusação explícita de golpismo. A solução, segundo a nota, seria "aprofundar o diálogo sobre as questões nacionais, dentro do quadro das instituições democráticas e do Estado de Direito, como tem sido promovido pelo presidente Nicolás Maduro nas últimas semanas". O Mercosul pretende fazer crer, portanto, que Maduro - aquele que chama os manifestantes de "fascistas" e "golpistas" - quer mesmo dialogar.

Para completar a pantomima, a nota expressa a "posição firme na defesa e preservação das instituições democráticas" e invoca o "compromisso democrático do Mercosul", sem que haja uma única referência às violações cometidas pelo governo.

Compare-se esse comunicado com o emitido pela União Europeia (UE) sobre o mesmo assunto. Além de ter sido divulgada dois dias antes, a nota da UE pede calma a representantes de toda a sociedade, "tanto em seus atos quanto em suas declarações", e reafirma o princípio de que "a liberdade de expressão e o direito de participar de manifestações pacíficas são essenciais" - ponderação ausente na nota do Mercosul, que praticamente criminaliza os manifestantes. Por fim, a UE "faz um apelo às autoridades da Venezuela para que estendam a mão a todos os setores da sociedade" - isto é, considera que a iniciativa do diálogo deve partir de quem detém o poder.

Esperar que o governo venezuelano resolva dialogar com a oposição, no entanto, é ingênuo. Há 15 anos no poder, os chavistas não apenas construíram uma ampla estrutura de controle do Estado, como também montaram um sistema de defesa paraestatal, armando milícias nas regiões mais populosas da Venezuela. Movidos pela retórica patriótica e socialista, os chavistas não estão interessados no diálogo - ao contrário, é o confronto que eles desejam, para legitimar o regime de exceção que se está consolidando no país.

Não surpreende, assim, que se multipliquem as denúncias de arbitrariedades cometidas por agentes do governo contra os manifestantes - a maioria dos quais estudantes que protestavam contra a insuportável situação do país, com inflação galopante, escassez de produtos básicos e criminalidade fora de controle. Há relatos de prisões arbitrárias, de ataques das milícias chavistas e de tortura de presos.

Diante disso, as redes sociais, um dos poucos espaços ainda livres no país, vinham ecoando críticas ao silêncio do Mercosul, incitando o Brasil a fazer uso de sua importância regional para pressionar Maduro a interromper a violência. É possível imaginar agora a decepção desses oposicionistas.

O Mercosul considera a Venezuela uma democracia plena - como se a mera realização de eleições fosse suficiente para comprovar a saúde institucional do país. No entanto, se ainda resta algo do espírito democrático na Venezuela, ele não está nas envenenadas instituições, e sim nas ruas, com os estudantes que, corajosamente, desafiam a máquina repressiva chavista para expressar seu descontentamento.

Blogs e Colunistas (veja.com.br)

Condutor de um país desgovernado

Condutor de um país desgovernado

O regime chavista hoje é conduzido de forma cada vez mais desgovernada pelo ex-motorista de ônibus Nicolás Maduro. Ele tapa a boca da imprensa livre (veja coluna de segunda-feira) e tem uma viseira para se proteger da realidade. É um tapado. Este é um regime que se recusa a ver a realidade e sufoca quem está disposto a mostrar as coisas com todas as luzes.

Na Venezuela de hoje, com a ocupação literal do espaço pelas milícias chavistas (os colectivos), está cada vez mais difícil exercer a política livremente, fazer uso das liberdades individuais, contar o que está acontecendo ou recomendar o caminho para o país sair do buraco. Neste contexto, a oposição radicaliza na briga para inclusive ocupar espaço físico e as indicações são de enfraquecimento da liderança mais moderada do ex-candidato presidencial Henrique Capriles.

Já os canais de livre comunicação são cada vez mais estreitos. Esta coluna é amiga de um site vital para quem está dentro e para quem está fora da Venezuela. Com sua visão ampla, sem viseiras, do que se passa, o site Caracas Cronicles se pauta por independência, inteligência e incredulidade. Agora em fevereiro, ele perdeu o seu mentor, Francisco Toro, o Quico, (imaginem, ele também é obcecado com a crise no Sudão do Sul). Há uma nova direção e uma remodelação gráfica. O site continua sendo o bom colectivo. Lá estão textos instigantes como os de Juan Cristobal Nagel.

Na segunda-feira, o destaque na “home” do Caracas Cronicles era o texto It’s the Institution, Stupid!  Nagel recorre ao já clássico livro “Por que as Nações Fracassam”, de Daron Acemoglu e James Robinson, cujo argumento central está nas diferenças entre países com instituições inclusivas e extrativistas. Os primeiros permitem que a riqueza seja disseminada pela sociedade, enquanto os extrativistas são aqueles que concentram a renda em uma elite privilegiada. Surtos de crescimento ou a “comodidade” de exportações de alguma commodity, como petróleo, permitem a um país extrativista faturar por um tempo, em particular com políticas sociais populistas, como é o caso da Venezuela.

No entanto, o desenvolvimento em todos os sentidos apenas é sustentável com instituições inclusivas. Acemoglu e Robinson observam que instituições políticas extrativistas concentram o poder nas mãos de uma elite estreita (cheia de viseiras, no meu complemento) e colocam pouco controle no exercício do seu poder.  O extrativismo econômico naturalmente acompanha o político. O desenvolvimento de instituições econômicas inclusive (sic!) depende do surgimento de instituições políticas igualmente inclusivas, que atendam a um conjunto amplo de diferentes interesses e representem uma grande diversidade de atores políticos.

A transformação das instituições econômicas na Venezuela (com plena pluralidade de oportunidades, o respeito à propriedade privada, o acatamento dos contratos e um judiciário independente) depende da política, da mudança de regime, do fim do chavismo. Quem tem viseira não enxerga isto ou quer ser protegido desta realidade por ser privilegiado pelo extrativismo. (por Caio Blinder)

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Estadão + VEJA

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