Produção industrial do Brasil cai 6,9% em junho; É o 4.o mês consecutivo de queda

Publicado em 01/08/2014 16:17 332 exibições
pior resultado desde setembro de 2009 foi potencializado pela Copa do Mundo

A produção industrial no Brasil caiu 6,9% em junho na comparação com igual período do ano anterior, informou nesta sexta-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do quarto mês consecutivo de queda e do pior resultado desde setembro de 2009, quando o indicador recuou 7,4%. A produção industrial caiu 1,4% em junho ante maio, também consolidando o quarto mês consecutivo de queda na comparação mensal. No acumulado do ano, houve retração de 2,6%.

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"A magnitude da queda tem relação direta com menos dias de trabalho por conta da Copa (do Mundo) e com redução da jornada de trabalho e férias dadas nas montadoras", afirmou o economista do IBGE André Macedo. "A Copa potencializou o movimento de queda da indústria, que continua sendo afetada por nível de estoque alto, baixo nível de confiança do empresário, menor demanda doméstica e crédito mais restrito", argumenta Macedo.

As quatro grandes categorias econômicas analisadas recuaram em junho. Bens de Capital obteve o pior desempenho, com queda de 21,1% no confronto anual e de 9,7% no confronto mensal. Em seguida, ficaram Bens de Consumo, Indústria Geral e Bens Intermediários. Na categoria de Bens de Consumo, a produção de bens de consumo duráveis caiu 34,3% no confronto anual e 24,9% no confronto mensal, enquanto a produção de bens de consumo semiduráveis e não duráveis teve retração de 3% e de 1,3% nas mesmas bases de comparação, respectivamente.

A produção industrial caiu 1,4% em junho ante maio

A produção industrial caiu 1,4% em junho ante maio (Marco De Bari/VEJA)

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BNDES também financiará aeroportos de Cuba, diz jornal

Banco de fomento teria fechado há um mês acordo para desembolsar R$ 336 milhões à modernização de aeroportos pela Odebrecht

BNDES já financiou obras do Porto de Mariel, em Cuba, também da Odebrecht

BNDES já financiou obras do Porto de Mariel, em Cuba, também da Odebrecht (Reprodução/VEJA)

Não será apenas o porto de Mariel, em Cuba, que terá dinheiro brasileiro em sua modernização. Os aeroportos do país também devem receber capital do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), segundo reportagem do jornal O Globo. Ambas as obras estão no portifólio da Odebrecht, a quem o banco de fomento repassará o dinheiro. O BNDES repassou 682 milhões de dólares ao porto, que contou até mesmo com a presidente Dilma em sua inauguração, em janeiro deste ano. O dinheiro adicional será usado para construção de uma área especial industrial junto ao porto.

Segundo fontes do mercado ouvidas pelo jornal, seriam destinados aos aeroportos outros 150 milhões de dólares (336 milhões de reais), parte liberada ainda neste ano, em um contrato já fechado há um mês com a Odebrecht. Contudo, ao Globo, o banco de fomento confirma apenas que o financiamento está em fase de contratação. O empréstimo estaria dentro da linha de exportações brasileiras de bens e serviços de engenharia, cujo objetivo, segundo o BNDES, é beneficiar empresas nacionais a ganharem competitividade. 

A Odebrecht confirmou as negociações para o Projeto de Ampliação e Modernização da Infraestrutura Aeroportuária de Cuba. A empresa divide com a Embraer a liderança de brasileiras nesta modalidade de crédito desde 2009. O banco não informa, porém, o volume de recursos brasileiros investidos em empreendimentos de Cuba. 

NA FOLHA:

Exportações superam importações em US$ 1,6 bilhão em julho

As exportações superaram as importações em US$ 1,6 bilhão em julho, segundo informações divulgadas nesta sexta-feira (1º) pelo Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).

O resultado é melhor do que o verificado no mesmo mês do ano passado, quando houve deficit de US$ 1,9 bilhão, mas inferior ao de julho de 2012, que registrou superavit de US$ 2,9 bilhões.

O saldo positivo de julho não foi suficiente, contudo, para reverter o deficit comercial acumulado no ano, que ainda soma US$ 916 milhões.

O superavit de US$ 1,6 bilhão foi possível graças à recuperação das exportações. As vendas no mês passado foram de US$ 23 bilhões, alta de 10,7% em relação a julho de 2013.

Já as importações somaram US$ 21,4 bilhões, queda de 5,5% frente ao mesmo mês do ano passado.

Houve aumento nas exportações em todos os segmentos ante julho de 2013. As vendas de semimanufaturados (+18%) e os básicos (16,5%) cresceram em ritmo forte, enquanto no segmento de manufaturados o crescimento foi marginal, de 0,6%.

No caso dos produtos básicos, a exportação de US$ 11,6 bilhões foi a maior já registrada num mês de julho.

Por outro lado, as compras do exterior retrocederam em todas as categorias: combustíveis e lubrificantes (-7,4%%), bens de capital (-11,2%), matérias-primas e intermediários (-0,5%) e bens de consumo (-9,2%).

ARGENTINA

As vendas para a Argentina, que vive uma crise financeira, voltaram a cair de forma expressiva. Em julho, a queda foi de 33,5%. No acumulado do ano, a redução é de 22%.

A diminuição das exportações para o país vizinho é uma má notícia para a indústria, já que os argentinos são os principais consumidores de produtos manufaturados brasileiros, especialmente bens do setor automotivo.

As exportações brasileiras também caíram em julho para União Europeia (-3,1%), África (-1,6%) e Europa Oriental (-3,8%).

Houve forte crescimento das vendas, contudo, para os Estados Unidos (+24,1%). Também aumentaram as compras do Brasil em julho ante o mesmo mês do ano passado a China (1%), América Latina e Caribe (+12,3%) e Oriente Médio (+10,5%).

BALANÇA EM JUNHO

Em junho, a balança registrou superavit de US$ 2,4 bilhões, o melhor resultado para o mês desde 2011. O resultado foi possível diante da queda das importações, já que as vendas também retrocederam.

As compras de bens estrangeiros somaram US$ 18,1 bilhões, redução de 3,8% frente ao mesmo mês do ano passado pela média diária. Já as exportações somaram US$ 20,5 bilhões, 3,2% abaixo do mesmo período de 2013. 

Brasil é um país 'economicamente sólido', afirma Dilma

Em almoço em homenagem ao primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, a presidente Dilma Rousseff fez uma avaliação positiva sobre o cenário nacional, e incentivou o aumento das relações entre os países.

"O primeiro-ministro está vendo em sua viagem um Brasil economicamente sólido, com mais igualdade social, comprometido com a sustentabilidade e com uma presença soberana no mundo", afirmou Dilma nesta sexta-feira (1º), para uma plateia de convidados.

Ela ainda defendeu uma "intensificação do nosso diálogo político", bem como aumento de investimentos japoneses aqui e do comércio bilateral. "Nossa relação ainda dispõe de espaço para revitalizar-se", afirmou.

  Eraldo Peres/Associated Press  
Primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto
Primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, e a presidente Dilma Rousseff no Palácio do Planalto

AGENDA

Na manhã desta sexta, Dilma e o primeiro-ministro japonês assinaram nove atos, entre memorandos, declarações de intenção e acordos.

Mais cedo, Shinzo Abe se reuniu com empresários brasileiros e com atletas que impulsionaram o futebol no país asiático –como Dunga e Zico.

Ainda hoje, ele segue para São Paulo, onde terá encontro com nipo-brasileiros. A estimativa é de que a comunidade chegue a 1,6 milhão em todo o país. Em 2015, Brasil e Japão celebram 120 anos de relações diplomáticas.

Em sua fala, o primeiro-ministro Shinzo Abe destacou o intercâmbio cultural entre os países –como o interesse por quadrinhos mangá no Brasil– e a cooperação em setores como a área naval e esporte.

NA VEJA:

Comércio exterior

Balança tem superávit em julho, mas saldo do ano é negativo em US$ 916 mi

Saldo do mês passado ficou em 1,575 bilhão de dólares, resultado das exportações de US$ 23,025 bilhões e importações de US$ 21,450 bilhões

Balança comercial é a diferença entre as exportações e as importações

Balança comercial é a diferença entre as exportações e as importações (Cristiano Mariz/VEJA)

A balança comercial brasileira (diferença entre exportações e importações) registrou superávit de 1,575 bilhão de dólares em julho, informou nesta sexta-feira o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic). As exportações somaram 23,025 bilhões de dólares e as importações totalizaram 21,450 bilhões de dólares no período. O resultado ficou acima da mediana das projeções de especialistas, que apontavam superávit de 830 milhões de dólares.

No acumulado dos sete primeiros meses do ano, a balança comercial registrou déficit de 916 milhões de dólares, o que representa melhora ante o déficit de 2,49 bilhões de dólares registrado no ano, até junho. De janeiro a julho do ano passado, o déficit estava em 4,97 bilhões de dólares.

A movimentação de uma plataforma de petróleo foi, novamente, responsável pelo resultado positivo em julho. O expediente é legal e consiste na exportação de plataforma de petróleo sem que ela saia, de fato, do Brasil. No caso da negociação firmada em julho, a plataforma foi comprada de fornecedores brasileiros por suas subsidiárias no exterior. Depois, foi "repatriada" no Brasil, como se estivesse sendo "alugada" pelo fornecedor brasileiro. Desta forma, o fornecedor recolhe menos imposto. Apenas essa operação rendeu 866 milhões de dólares. Ou seja, sem ela, o superávit de julho teria sido de 709 milhões de dólares.

As importações tiveram queda de 5,5% em julho de 2014 ante o mesmo mês do ano passado, segundo a média por dia útil. De acordo com dados divulgados pelo Mdic, a média de importação por dia útil foi de 932,6 milhões de dólares no mês passado, ante 987,2 milhões de dólares em julho de 2013. Na comparação com junho deste ano, quando a média foi de 905,1 milhões de dólares, houve alta de 3%.

Importações recuaram — A queda nas importações foi generalizada entre os segmentos: de 11,2% para bens de capital, de 9,2% para bens de consumo, de 7,4% para combustíveis e lubrificantes e de 0,5% para matérias-primas e intermediários.

Segundo o governo, a queda no segmento de bens de capital foi influenciada pela baixa nas compras da indústria automotiva. Na categoria de bens de consumo, as principais quedas foram em máquinas e aparelhos de uso doméstico, automóveis de passageiros, motocicletas e outros ciclos, partes e peças para bens de consumo duráveis, móveis e produtos alimentícios.

Na área de combustíveis e lubrificantes, a retração ocorreu principalmente devido à diminuição dos preços e das quantidades embarcadas de petróleo, gás natural, naftas e carvão. No segmento de matérias-primas e intermediários, caíram as importações de acessórios de equipamento de transporte, partes e peças de produtos intermediários, produtos alimentícios e produtos agropecuários não alimentícios.

Contas externas — A balança comercial é uma das principais causas do elevado rombo nas transações correntes do país que, só em junho, foi de 3,345 bilhões de dólares. O comércio exterior brasileiro tem sido afetado pelo elevado déficit na conta petróleo que, entre janeiro e julho, somou 9,937 bilhões de dólares, segundo o ministério.

O número é inferior ao rombo de 15,443 bilhões de dólares visto nos sete primeiros meses de 2013. "Embora haja uma redução substancial, ainda assim o déficit (da conta petróleo) deste ano impacta bastante o saldo comercial do ano", afirmou o diretor do departamento de Estatística e Apoio à Exportação do ministério, Roberto Dantas, lembrando que o Brasil não é autossuficiente no setor e precisa continuar importando.

Em julho, as importações de combustíveis e lubrificantes somaram 4,575 bilhões de dólares, com alta de quase 20 por cento sobre o resultado de junho.

(Com agência Reuters)

Setor público tem rombo de R$ 2,1 bilhões em junho, o pior resultado do 1o semestre em 12 anos

Na VEJA.com:

O setor público consolidado (Governo Central, estatais, Estados e municípios) apresentou déficit primário de 2,1 bilhões de reais em junho. O resultado veio pior do que o projetado por analistas, que apontavam saldo positivo de 200 milhões de reais no mês passado. No ano, o superávit acumulado alcançou 29,38 bilhões de reais, ante 52,2 bilhões no mesmo período de 2013. Este é o menor resultado para o primeiro semestre desde 2002, quando o Banco Central deu início à série histórica, e é quase 45% menor do que a cifra vista em igual período de 2013.

Entre janeiro e junho, o governo central fez superávit primário de 15,370 bilhões de reais, menos a metade vista entre janeiro e junho de 2013 (33,728 bilhões de reais). Os Estados e municípios também reduziram a economia feita no período, mas com menor intensidade: o superávit recuou 26%, a 13,674 bilhões de reais.

Os 2,1 bilhões de reais de déficit divulgados nesta quinta-feira representam o primeiro resultado negativo para meses de junho, o que empurra para ainda mais longe o cumprimento da meta fiscal para o ano. Em maio, o resultado negativo, de 11,05 bilhões de reais, foi o maior rombo desde dezembro de 2008.

Considerando-se os fluxos acumulados em doze meses até junho, o superávit primário atingiu 68,5 bilhões de reais, o  equivalente a 1,36% do Produto Interno Bruto (PIB).

Segundo o BC, o governo central apresentou déficit primário de 2,732 bilhões de reais, com destaque para o saldo negativo de 1,593 bilhão de reais do governo federal. O desempenho foi abalado pela menor arrecadação, entre outros, diante da pior performance da atividade econômica. Na quarta-feira, porém, o Tesouro Nacional divulgou um número diferente para este déficit primário (diferença entre os gastos e receitas): 1,95 bilhão de reais. O governo central é formado pelas contas do Tesouro, do Banco Central e da Previdência Social. Este foi o pior resultado para junho desde o início da série histórica.

O BC informou ainda que os governos regionais apresentaram superávit primário de 113 milhões de reais em junho, enquanto as estatais federais fizeram economia de 518 milhões de reais.

“O resultado de junho também reflete, em parte, a moderação de atividade e aumento de alguns itens de despesas, como o investimento”, afirmou o chefe do departamento Econômico do BC, Tulio Maciel. Ele disse ainda que, só em maio e junho, o setor público registrou déficit primário de 13,146 bilhões de reais, o que dificulta o caminho até a meta do ano. Apesar de comentar que o governo terá de se esforçar mais para cumpri-la, ele reiterou que esta não é uma tarefa impossível e que o “Tesouro trabalha para isso”.

O déficit nominal (receitas menos despesas, incluindo pagamento de juros) ficou em 20,792 bilhões de reais no mês passado, enquanto a dívida pública representou 34,9% do PIB.

O resultado ruim mostra que as contas públicas seguem influenciadas pela economia fraca, o que tem levado o governo a recorrer às receitas extraordinárias para tentar fechar suas contas. Neste ano, a projeção é de que elas somarão 31,6 bilhões de reais. Também têm pesado as fortes desonerações tributárias que, no semestre passado, somaram cerca de 51 bilhões de reais, quase 45% a mais do que em igual período de 2013.

Em 2014, a meta de superávit primário do setor público consolidado (a soma das contas do governo central, Estados, municípios e estatais) é de 99 bilhões de reais, o equivalente a 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB).

O cenário de fraca atividade, aliado às manobras fiscais usadas no passado para fechar as contas, reforça as desconfianças dos agentes econômicos sobre a capacidade do governo em cumprir a meta de superávit primário este ano, em que a presidente Dilma Rousseff disputa um segundo mandato.

(Com agência Reuters)

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Fonte:
veja.com.br + Folha de S. Paulo

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